Alegretense, sobrevivente da Boate Kiss, idealizou campanha nos 7 anos da tragédia

Neste ano, no próximo dia 27, o incêndio na boate Kiss completa sete anos. Uma tragédia que matou 242 jovens, além de ferir mais 680. A tragédia ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, e foi provocada pela imprudência e pelas más condições de segurança no local. O acidente foi considerado a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas em um incêndio, sendo superado apenas pela tragédia do Gran Circus Norte-Americano, ocorrida em 1961, em Niterói, que vitimou 503 pessoas. Também foi classificada como a quinta maior tragédia da história do Brasil, a maior do Rio grande do Sul, de maior número de mortos nos últimos cinquenta anos no Brasil, além do terceiro maior desastre em casas noturnas no mundo.

A reportagem do PAT, entrevistou a alegretense, sobrevivente e idealizadora de uma campanha vinculada ao Janeiro Branco, Kelen Ferreira. A terapeuta ocupacional, disse que a ideia surgiu no ano de 2018, porém, neste ano a campanha foi efetivada. A alegretense juntamente com o produtor editorial André Polga e o apoio voluntário do fotógrafo Derli Soares Júnior deram vida à campanha.

Ela acrescentou a importância de ter feito um link com a saúde mental, principalmente por ser o mês que completa o sétimo ano da tragédia e destacou que muitas pessoas, principalmente, os pais ainda buscam auxílio pra ressignificar a sua saúde mental.

“Como trabalho no Hospital Escola da UFPel, em Pelotas, todo Janeiro abordamos assuntos e temos palestras sobre o Janeiro Branco, ou seja, a saúde mental com ações dentro do hospital. Como o incêndio também foi neste mês, pensei em fazer um link, que falasse sobre a saúde mental. Também descrever como foi para os sobreviventes lidar com a tragédia, marcas físicas e psicológicas. O que ajudou a cada um a seguir em frente e a ser resiliente. Pois não podemos dizer que superamos, isso nunca irá acontecer. Mas tentamos aceitar todos os dias e a entender.” – explicou Kelen.

São seis fotos e vídeos que serão veiculados na página Kiss: que não se repita, até 27 de janeiro. A divulgação busca lembrar a tragédia que matou 242 jovens e, principalmente, para que nada semelhante se repita.

Os seis sobreviventes da tragédia que participam são: Cristina Peiter (30 anos), Angélica Sampaio(27 anos), Gustavo Cadore(38 anos), Juciane Bonella(28 anos), Delvani Rosso(27 anos) e a Kelen (26 anos). O início da divulgação do material foi no dia 2 de janeiro. Todos os sobreviventes que participam da campanha, não se importam em abordar o assunto. Pois segundo Kelen, há muitos que não gostam de falar sobre a madrugada do dia 27 de janeiro de 2013.

Uma exposição da campanha também é produzida por Kelen. Na última semana, no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde a alegretense trabalha, houve a inauguração de quadros que ficam em um corredor dedicado a trabalhos artísticos.

A Alegretense falou que todos aprendem a conviver a cada dia sobre o que aconteceu, tanto com as marcas psicológicas quanto físicas. Ela evidencia que a Fé e a família que a acompanha desde a internação até os dias atuais, foram fundamentais, assim como, a profissão que a auxilia bastante. A terapia ocupacional tem muito a ver com a reabilitação de pacientes, autocuidados, ter uma vida independente. A profissão, conforme ela, a ajudou muito no dia-a-dia para a reconstrução do eu e a ser mais resiliente. Kelen já cursava terapia ocupacional quando ocorreu o incêndio, estava no terceiro semestre(UFSM). Ela retornou tão logo foi possível e se formou em 2015. Desde 2017 trabalha no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

O link dos vídeos demonstra a importância do conjunto, o apoio psicológico conciliado ao auxílio de amigos, familiares e até mesmo a religião. A engrenagem completa é uma referência à saúde mental, portanto, trás o equilíbrio entre emoção, dores físicas e mentais.

Está previsto para este ano o julgamento dos quatro réus.

 

Juciane Bonella, natural de São Marcos – RS, tinha 21 anos na data do incêndio na Kiss e cursava Medicina Veterinária na Universidade Federal de Santa Maria

⚪ Janeiro Branco – Mês de cuidado com a Saúde Mental ⚪-O que ajudou e ainda segue ajudando Juci no enfrentamento do trauma, foi sempre falar do que ela viveu e sentiu no dia 27 de Janeiro e nos dias posteriores da tragédia. Seguir falando das suas melhores amigas que faleceram e imaginar o que estariam fazendo nos dias atuais, acabou auxiliando-a passar por diferentes etapas da vida, inclusive o término de sua graduação. Ela transformou a dor em luta e ressalta que o trauma é algo que nunca deve ser escondido: é fundamental falar, pois é como uma ferida, tem que ser bem cuidada para que possa ser cicatrizada. Conversar é uma maneira de compartilharmos nossossentimentos, ajudando nossa saúde mental a manter seu grau de equilíbrio. | Corpo, mente e emoções exigem o mesmo cuidado. Não só hoje, mas sempre.-#JaneiroBranco #SaudeMental #BoateKiss #Janeiro27

Posted by Kiss: que não se repita on Tuesday, January 7, 2020

Delvani Rosso, natural de Rosário do Sul – RS, tinha 20 anos em 27 de Janeiro de 2013.

⚪ Janeiro Branco – Mês de cuidado com a Saúde Mental ⚪-O que mais ajudou Delvani a enfrentar o pós-tragédia foi sua família, seus amigos e sua fé. Com o estudo doautoconhecimento, ele acabou adquirindo mais clareza sobre determinadas situações, transformando o ocorrido em algo que o fortalecesse. Delvani sempre se projetou no futuro: mesmo nos piores momentos ele tinha a esperança de que tudo iria passar, levando em consideração que a vida é feita de ciclos. O elo realizado entre o estudo e a ajuda vinda das pessoas que o rodeavam, fez com que seu físico e seu psicológico fossem equilibrados. | Corpo, mente e emoções exigem o mesmo cuidado. Não só hoje, mas sempre.-#JaneiroBranco #SaudeMental #BoateKiss #Janeiro27

Posted by Kiss: que não se repita on Sunday, January 12, 2020

 

Flaviane Antolini Favero

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