Aos 90 anos, avó e madrinha de muitos, teve pela primeira vez festa de aniversário

A primeira grande festa para a pessoa que teve muitos filhos. Ela dedicou sua vida a cuidar dos outros, sempre foi uma pessoa dedicada à familia.

Desta forma, ao comemorar seus 90 anos, a alegretense Alice Lopes Brandolt foi surpreendida com uma festa realizada pelos familiares. “São quase um século de amizade, amor e um carisma que emana dos seus olhos bondosos. Dinda é o retrato da bondade e nós, sua família, somos só gratidão pela bênção recebida de ter uma pessoa iluminada e abençoada” – descreveu Nívea Maria.

A Alice perdeu o pai muito pequenina e a mãe, dela, ficou sozinha com ela e o irmão pequeno. Desta forma, à época pelas dificuldades, um tio a levou para morar com ele e a família. Ele ficou irmã emprestada de mais seis primos. Contudo, após alguns anos, um casal amigo da família(Felipe Delgado e dona Chininha – como era conhecida) esteve na casa onde ela residia com os tios e dona Chininha a convidou para ir com eles para Uruguaiana, pois se encantou com Alice.

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Ela nunca casou e nunca teve filhos, porém, é mãe de muitos, pois foi responsável pela criação dos filhos desta mãe adotiva e também dos netos. Lá em Uruguaiana é conhecida como dinda, Élio Brandolt, primo de Alice, acrescenta que ela tem um número de afilhados que só perde para o Dr Romário, mas é um número que já não tem mais como precisar de tão querida e bondosa que é.

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“Ela é conhecidíssimo pelo amor que ela tem pelas pessoas e por esse motivo, embora sempre “fugiu” de comemorações em seu aniversário, neste ano, pós clausura da pandemia, foi decidido fazer essa festa para a Dinda” – disse.

Ele acrescenta que, sempre que um familiar tinha qualquer problema de saúde, lá estava a Alice de “mala e cuia” para cuidar, sem nem ao menos ser necessário pedir. “Ela nasceu para fazer o bem, ela é a Madre Alice de Alegrete, pois sempre está fazendo o bem a todos, mesmo residindo em Uruguaiana, ela auxilia todos os familiares aqui. Tem uma música do Zeca Pagodinho que chama Ser Humano, é a descrição perfeita” – comenta Élio.

“A dinda é madrinha do meu pai, Luis Felipe. Quando eu nasci, meus pais a escolheram para ser minha Dinda também. Ela não queria aceitar o convite, afinal, estava com 52 anos e achava que uma pessoa mais jovem deveria batizar um bebê. Hoje, vivendo meus 38 anos (e ela seus 90 anos) percebo que foi a decisão mais acertada em relação a mim.

Ser afilhada dela me fez crescer com duas mães, três avós, dois anjos da guarda, uma filha mais velha e uma amiga muito, mas muito, especial. Alguém que sempre dividi meus assuntos da escola, meus ‘namorinhos’ da adolescência, escolhas profissionais, bons e maus momentos da minha vida. Isso me fez crescer tendo um ombro amigo com sentimentos tão puros quanto os teus, e isso é um privilégio muito grande que eu identifico desde a infância.

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Ela sempre fala para que eu diga que eu tenho muita sorte porque isso atrai coisas boas. E essa é a pura verdade. Eu tenho muita sorte em ter a minha dinda.

Nos 90 anos, dela quero agradecer pelo privilégio de conviver com ela e reforçar o que sempre te digo: a amo e agradeço pela sua existência. Não devo agradecer pelo teu amor, pois amor não se agradece, se ama, e eu a amo muito”- falou emocionada Nilva.

A homenagem a Alice contou com familiares e afilhados. Eles destacam que a felicidade estampada no olhar dela foi incrível e emocionou a todos. “Durante toda a vida ela dedicou seu tempo e seu amor a todos, essa homenagem é apenas um pouco do que podemos fazer para tentar demonstrar o quanto a amamos’ – encerrou Élio – conhecido como Musquito.

Alice Lopes Brandolt

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