Arnaldo, o azulzinho, deixa dignificantes exemplos ao se aposentar
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O amor e a dedicação pelo trabalho sempre estiveram presentes em cada segundo dedicado à profissão. Com 60 anos, e, depois de 26 anos atuando na Prefeitura Municipal, destes, 24 na Guarda Municipal, no último dia 15, José Arnaldo Vargas Toledo aposentou-se.

Em uma entrevista em que, por alguns momentos ele se emocionou, o “Azulzinho” como passaram a ser chamados com o decorrer dos anos, descreveu um pouco da sua trajetória. Falar do Arnaldo, não é difícil, com os anos e todas as coberturas realizadas em acidentes, sempre foi possível presenciar a sua calma, gentileza e humanidade. Em alguns momentos, quando estava dando apoio e a situação estava tranquila, alguns flagrantes de empatia e solidariedade também foram registrados pela reportagem do PAT. Como ele auxiliando um idosa atravessar a rua, na rua Eduardo Faraco, assim como, outro registro no calçadão onde auxiliou um trabalhador a empurrar o seu carrinho de lanches.

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A generosidade sempre foi uma marca da sua personalidade. Mas, nem por isso deixou de exercer com precisão e sapiência as mais de duas décadas como guarda municipal em Alegrete.

Durante a entrevista, Arnaldo disse que devido a sua insistência, foi contratado como CC  e posteriormente realizou o concurso para Guarda Municipal, mais precisamente dois anos depois de estar na prefeitura. À época, recorda que tinha a opção de fazer o concurso para zelador ou guarda. No primeiro momento fez a inscrição para zelador, lembra que tinha 70 vagas, quanto para Guarda eram apenas 30. Mas uma amiga o fez mudar de ideia pois viu o seu potencial. De lá para cá, se passaram 24 anos de muita dedicação e histórias.

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Ao ser questionado sobre o trânsito de quando começou e agora, Arnaldo ressalta que a realidade é muito diferente, até mesmo a forma em que as pessoas se comportavam. Na atualidade é muito fácil a falta de “paciência” mesmo quando estão errados e agredi-los principalmente com palavras.

Mas ele trás consigo somente a leveza de ótimos momentos, assim como é seu coração bondoso, desta forma muitos amigos o descrevem. Ao destacar algumas passagens, Arnaldo lembrou de uma situação em que estava trabalhando e se deparou com um acidente onde um senhor foi atropelado e teve uma fratura exposta em uma das pernas. Ele conta que a curiosidade do ser humano é um dos problemas enfrentados nas ocorrências, pois pode gerar outros problemas e, até mesmo outros acidentes. Neste caso, enquanto ele aguardava a ambulância ao lado da vítima, um curioso se aproximou e acabou chutando a perna quebrada da vítima, ele teve a reação de levar rápido a mão e com o rádio atingiu a canela do curioso. Era quase inacreditável a insensibilidade do homem diante da vítima, caída, gritando de dor, apenas para satisfazer sua nefasta curiosidade.

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Ele ainda recordou de um outro acidente que, enquanto eles socorriam a vítima, outras pessoas se aproximaram e roubaram carteira e dinheiro. Situações que para muitos é um momento desesperador para outros a oportunidade de cometer delitos. Porém, Arnaldo acrescenta que os momentos bons foram infinitamente maiores e que de muitas ocorrências ganhou amigos e irmãos de coração. Pessoas que se sentiram acolhidas, respeitadas e amparadas naquele momento difícil e o presentearam com a amizade.

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“Pra mim, sempre estava fazendo minha obrigação, mas para muitas pessoas era muito mais que aquilo e com isso o reconhecimento e a gratidão” – comentou.

Apaixonado pelo esporte, desde criança, Arnaldo também tem sua trajetória como corredor, ciclista e todos as atividades que poderia e pode desenvolver. Participou de inúmeras rústicas, em Alegrete e em outro Municípios.

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Outras amenidades relacionadas ao mais novo aposentado são as facetas que aconteceram em relação à Magrela, como carinhosamente sua bike é chamada. Ele ganhou no ano de 1988 e já recuperou a bicicleta três vezes. ” A Magrela foi furtada três vezes e eu não sosseguei enquanto não a recuperei. Eu tenho um apego muito grande pela minha bike” – disse sorrindo.

Para finalizar, ao ser questionado sobre a aposentadoria e se estava preparado, o guarda municipal, se emocionou. Ele recordou que há alguns anos quando ainda estava casado com a ex-companheira Soila, eles faziam planos, mas diante da separação tudo terá que ser refeito e, no momento parece que não está preparado. A ficha, ainda não caiu.

“Me dói muito deixar os colegas, ali somos mais que colegas, somos amigos e irmãos de coração” – citou.

A dedicação ao trabalho também rendeu uma situação inusitada.  Em uma ocorrência, Arnaldo chegou na companhia do colega para uma autuação em razão de irregularidades no Estacionamento Rotativo em frente à Caixa Econômica Federal,  na rua Vasco Alves.

Arnaldo disse que ao chegar e fazer a verificação entrou em contato com a base para que fosse repassado o contato do proprietário do veículo,  naquele caso, uma EcoSport.

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Quando ligou e se identificou, solicitou que a proprietária fosse até o local indicado.  Porém,  o guarda Municipal ouviu uma resposta ríspida e ofensas. Sem entender, desligou o telefone e, pouco tempo depois recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como Delegado de Polícia.  A ligação era de Sapiranga, a mulher havia procurado a Delegacia com a alegação de uma tentativa de golpe. Foi então,  que foi constatado que o veículo em Alegrete havia sido furtado em Passo Fundo e estava com placas clonadas. O desfecho da ocorrência foi a condutora de Alegrete conduzida à DP onde pagou fiança e foi liberada. A EcoSport apreendida e encaminhada ao depósito do Detran.

Arnaldo conclui dizendo que foram muitos anos de aprendizado e de gratidão por todas as oportunidades.

 

Flaviane Antolini Favero

Fotos: arquivo


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