Associação dos Arrozeiros exige um plano estratégico para enfrentar queimadas

A Presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete, Fátima Marchezan enviou um manifesto por uma ação estratégica para calamidades no campo e na cidade para a frente parlamentar agropecuária da Câmara de Vereadores de Alegrete.

Novas imagens e relatos do fogo no interior são assustadores
Novas imagens e relatos do fogo no interior são assustadores

Chuvas em excesso e, também, a sua falta são condições climáticas adversas que podem ser agravadas por algumas ações humanas, mas os efeitos das enchentes e das queimadas decorrentes dessas condições, também podem ser minimizados ou mesmo evitados se houver pessoas interessadas em fazê-lo.


O fato é que o maior município em extensão territorial e com a maior malha rodoviária do Estado, não tem um plano estratégico para gerir calamidades, seja na cidade e menos ainda no campo e as ações, sejam de decretos de calamidade, ações preventivas ou ações de pronto emprego em emergências, têm sido tomadas já tardiamente.
As coisas são sempre resolvidas no “modo bombeiro” e não no “modo engenharia”, ou seja, sempre apagando fogueira e nunca elaborando projetos, o que acarreta em milhões em prejuízos de bens particulares e impactos relevantes à economia do município e ao bolso da população.


O objetivo aqui nesse manifesto não seria culpar A ou B, mas apontar três necessidades primordiais, tendo em vista o observado nos episódios de incêndios ocorrido em nossa cidade.

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Necessidade 1 – Falta de gestão – Não existe um gabinete de crise para centralizar as informações, organizar a logística de equipes, de caminhões e máquinas, da defesa Civil, Exército e Bombeiros e de pessoas dispostas e em condições de ajudar. O que temos vivenciado são produtores desesperados por informações sem saber a que recorrer, pessoas querendo ajudar sem saber como e onde e quem tem a responsabilidade de fazer algo não o faz.

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Necessidade 2 – Falta estrutura operacional – não existe no município um planejamento que contemple a construção de pistas e cisternas com localização estratégica nas diferentes localidades a fim de otimizar a logística dos aviões, em especial os de maior porte e com maior capacidade de carga para apagar os focos de incêndios. Existe deficiência de caminhão pipa, caminhão de bombeiros e de uma brigada de voluntários treinada e dedicada a atender o meio rural.


Necessidade 3 – Falta liderança – precisamos de representantes políticos e lideranças que pensem o município TODOS os anos, que entendam que o campo é desassistido e que, apesar dos altos valores de ITR, não temos estradas decentes, os acessos às propriedades muitas vezes são limitados, o sinal de internet e telefone para a comunicação são muitas vezes ruins ou mesmo inexistentes e dificultam a comunicação em situações de calamidade
como essa.

Deixo como sugestão que essa Frente Parlamentar para a Defesa das Cadeias Produtivas elabore um Projeto (PrevIncêndio) com o auxílio de entidades, representatividade de poderes, bombeiros, exército, universidade e
demais partes interessadas e que tenham à acrescentar, com os seguintes objetivos primordiais:


➔ a melhoria na Estruturação física e operacional da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros;
➔ campanhas de promoção da educação ambiental para sensibilizar
E capacitar a população para monitorar, prevenir e combater incêndios e queimadas, especialmente na área rural.
Finalizando, cabe destacar que o município de Alegrete tem seu sustentáculo econômico baseado na agropecuária e que, mesmo os demais setores que contribuem para o PIB do município, dependem do poder aquisitivo de quem obtém sua renda no campo. Assim sendo, tenho certeza de que como produtora rural, falo por centenas de outros ao solicitar que sejam tomadas decisões e ações condignas à relevância desse setor para o município.
É descabido que dadas as condições geográficas e logística do município e seus grandes rebanhos e lavouras de grãos, não se tenha um plano de contingenciamento para calamidades que assolam de forma devastadora campos naturais e pastagens, propriedades de todos os tamanhos, investimento de anos em máquinas e aramados, sacrifiquem vidas de animais e mesmo humanas pelo fogo e tragam prejuízos à rede elétrica com mais consequências adversas aos produtores rurais e população na cidade.


Fátima Marchezan
Presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete

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