Clube do Chevette e familiares realizam comovente homenagem ao taxista Tiago Martins, morto há dois anos num latrocínio
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Há amizades que se tornam eternas, mesmo que as circunstâncias mudem ou os seus caminhos tomem outro rumo. O sentimento verdadeiro de cumplicidade afeto e carinho permanecem eternizados. Assim é o amor que o grupo dos amigos do Clube do Chevette Alegrete expressa a cada gesto de homenagem e carinho pelo taxista Tiago Martins, que foi vítima de uma emboscada há dois anos.

No domingo(8), a família e os amigos realizaram mais uma linda homenagem que, desta vez, também teve a participação do Felipe Tiago Alves Dutra de apenas 28 dias, filho de um dos grandes amigos do taxista. O bebê recebeu o nome de Tiago como homenagem ao alegretense que foi vítima de um latrocínio no dia 4 de novembro de 2018. O trabalhador foi baleado e depois de alguns dias lutando pela vida não resistiu às complicações.

Felipe Tiago é filho de Rodrigo Dutra e Cristiele Alves. Rodrigo ficou com o Chevette de Tiago, para auxiliar na manutenção até que o irmão mais novo complete 18 anos. Esse foi um pedido da família.

Muito amigo do taxista e integrante do grupo Clube do Chevette Alegrete, Rodrigo e a companheira decidiram desde o momento em que souberam que seria um menino que ele teria o nome do grande amigo e, apressado, Felipe Tiago nasceu prematuro, mas muito saudável e participou deste que foi o segundo ano consecutivo desta homenagem. Além da carreata um momento de oração e prece no Cemitério Municipal.

 

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A saudação iniciou na Estação Ferroviária. Um encontro entre os amigos do Clube do Chevette Alegrete, amigos do #eternoTiago e familiares. Este ano, em razão da pandemia, o número foi mais limitado, mesmo assim, àqueles que não estavam presentes fisicamente também realizaram suas orações.

Rodrigo Dutra , responsável pelo clube e um dos idealizadores, ressaltou que o tempo passa , mas Tiago está sempre presente no coração de todos. É impossível não lembrá-lo, pois o taxista era muito atuante e apaixonado por Chevette. Para Rodrigo, o alegretense era mais que um amigo, era um irmão de alma. Assim, todos que estavam presentes o descrevem, o eterno queridão, algo estampado, também, na camiseta do grupo, além da homenagem na pele (uma tatuagem) feita por muitos amigos(as) e familiares.

 

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Durante o percurso que saiu da Estação Ferroviária até o Cemitério, o ronco dos motores, a buzina e a emoção foram presentes e remeteram à despedida que aconteceu há dois anos. Também uma forma de saudá-lo pelo aniversário, pois Tiago iria completar 35 anos no último dia 2 de novembro. Como não poderia faltar, os pneus “cantaram” em reverência ao Queridão.

 

Com lágrimas nos olhos, a voz embargada, Cledir de Fátima Castro dos Santos, mãe do taxista, disse que a dor da saudade é um vazio que não preenche nunca. Ela agradeceu o carinho dos amigos do Clube do Chevette que eram mais do que amigos, também eram como família para Tiago. “São amizades verdadeiras que é difícil de encontrar, pois além de nós que somos famílias, eles demonstram a saudade e o carinho pelo Tiago”- comentou.

 

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Cledir também destacou que os domingos em família não são mais os mesmos, falta a alegria, a euforia e todo o amor que Tiago transbordava. Ela lembrou que a avó materna que também foi como uma mãe para Tiago, faleceu ano passado sem saber o que ocorreu. A saúde fragilizada da idosa à época  do latrocínio foi o motivo para que ela tivesse a lembrança do filho/neto feliz com a realização do sonho de trabalhar em um caminhão. O que Tiago iria fazer a partir daquela que era a última noite no ponto de táxi da rodoviária. O alento é saber que os autores permanecem presos.

Todos os amigos que participaram da homenagem o definiram como um ser ímpar, um homem trabalhador que estava sempre alegre. Bricalhão, Tiago tinha o apelido de Queridão, pois quem o conhecia o admirava como ser humano. Ele deixou um legado de união e amizade pois isso mantém o grupo sempre próximo e  cada um o carrega em suas memórias  e coração pois a cada conversa do grupo, eles dizem que é impossível não trazer alguma recordação de um momento feliz ao lado de Tiago.

Na madrugada, do latrocínio, o taxista estava se despedindo daquele oficio e iria trabalhar em um caminhão. um sonho que ele tinha desde de muito cedo e que idealizou por um tempo com a ajuda da tia Wania Castro.

Porém, os criminosos interromperam seus planos e não permitiram que ele os concretizassem. Ceifaram a vida de um trabalhador que tinha na alma a leveza de viver a vida como se fosse o último dia, pois por onde passava plantava a amizade, carinho, respeito e amor. O sorriso largo e o jeito sempre leve de viver cada segundo o eternizaram.

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A tia Wania Castro disse o seguinte: “o Tiago está vivo em nossos corações, ele nos deixou de herança o jeito leve e divertido de levar a vida, assim como, essa amizade toda dos seus verdadeiros amigos que agora fazem parte da nossa grande família.
Infelizmente sua presença física nunca mais teremos pois sua vida foi ceifada de uma forma brutal, mas a justiça do homem está sendo feita.  Agora que está próximo do final do ano e com ele vêm as reuniões de família, sempre reservamos um horário para relembrarmos histórias do passado quando criança ou até mesmo adulto, e sempre ele está presente.  Temos um grupo da família no whatsApp e nunca mais ouviremos aquele bom dia e o grito de kibiruru, uma marca dele. Nunca pensamos  em dar um adeus para sempre para ele”- completou.

 

Relembre:

O crime:

A “passageira”,  chegou no ponto da rodoviária no dia 4 de novembro e solicitou uma corrida até o bairro Vila Nova. O endereço seria perto do IRMA. Pouco tempo depois, os colegas receberam a informação de que o taxista estava ferido na UPA, relatou uma das testemunhas.

Tudo indica que ao chegar no destino, ou antes, uma outra pessoa tenha entrado no veículo. A vítima foi alvejada com um tiro na boca. O taxista conseguiu dirigir até a frente da casa do irmão na rua Carlos Gomes e, ao chegar no endereço, começou a buzinar. A cunhada saiu na frente, percebeu que ele estava ferido e pediu para o vizinho o conduzi- lo até o hospital. O relato do amigo, que o levou à UPA, foi de que o taxista não conseguia falar e estava perdendo muito sangue.

Tiago ficou internado 9 dias em estado grave na UTI da Santa Casa. Ele não resistiu às complicações do quadro.

Prisões:

Na segunda(5), a passageira de 32 anos se apresentou na Delegacia e durante à tarde foi decretada a prisão temporária pela Justiça de Alegrete. Ele foi presa pelos Policiais Civis. A suspeita em depoimento apontou os demais indivíduos que teriam participados do latrocínio.

Na terça(6), o menor que confessou ser o autor do disparo, foi apreendido e dois irmãos de 22 e 19 anos foram presos, preventivamente no bairro Vila Nova, pela Polícia Civil

No dia 30, amigos e familiares realizaram uma passeata pedindo justiça para que os acusados não fossem colocados em liberdade após o término do prazo da prisão temporária em que se encontravam.

Flaviane Antolini Favero

Vídeo: Victor Gonçalves Alves


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