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Depois de gravíssimo acidente, ele contrariou prognósticos médicos, venceu cada desafio e hoje vê a vida com outros olhos
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Na sequência das entrevistas realizadas pelo PAT com pessoas que tiveram alguma experiência reveladora, seja de superação, inspiração, de dor ou de fé, a reportagem conversou com o alegretense Luciano Amaral.

A história de Luciano é singular, pois ele superou o inacreditável, até mesmo pela equipe médica que o atendeu à época. Uma experiência de quase morte, pois foram 30 dias internados em um hospital, destes, 21 em coma profundo.

 

Quando a superação de um trauma é inspiração para valorizar a vida e amigos

 

Ao narrar o fato, o produtor rural, descreveu algumas passagem da experiência pouco comum, o que mudou em sua vida e sua forma de agir e pensar. Um dos acidentes mais traumáticos e assustadores de Alegrete aconteceu há cerca de 25 anos, em 1995.

O acidente

Luciano relembra que estava em um evento com amigos, o Show era com o artista Dante Ramon Ledesma. Naquele período, ele tinha apenas 20 anos. Como todo jovem, principalmente há alguns anos, a “última” voltinha antes de ir para casa era “sagrada”. Assim ele fez com sua “mimosa”, a pampa. A caminhonete que à época era o seu xodó.

Mas a madrugada e retorno para casa não seria apenas de alegrias como ocorrera durante o evento. A vida de Luciano por muito pouco não foi interrompida. Ele sofreu um gravíssimo acidente próximo ao Museu do Gaúcho, início da Avenida República Riograndense. Pelo relato dos policiais militares que atenderam a ocorrência, cavalos invadiram a pista e, após colidir nos animais, Luciano ainda bateu em um poste e, na sequência, capotou.

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Um amigo foi o primeiro a ver o acidente e providenciar socorro. Entre a vida e a morte, o alegretense foi levado à Santa Casa, após os primeiros atendimentos, transferido para Uruguaiana devido à gravidade dos ferimentos na cabeça e, com quase zero de chance de sobreviver. A última cartada seria a remoção para Porto Alegre, o que ocorreu de avião pois, de ambulância, ele não iria aguentar.

Mesmo no avião, a corrida contra o tempo, travou uma batalha e Luciano foi reanimado de três paradas cardiorrespiratórias e chegou em Porto Alegre, onde a equipe médica o aguardava.

Encaminhado direto à UTI, no 10° dia passou pela primeira cirurgia na cabeça. Devido à gravidade e sem muita reação, o médico comunicou aos pais que, se ele não tivesse nenhuma melhora, a opção seria desligar os aparelhos, pois seria morte cerebral.

Luciano contrariou os prognósticos e à medicina. Sua fé, força de vontade e garra o mantiveram vivo e, no 21° dia em coma profundo, justamente no dia em que sua mãe completava mais um ano de vida, dia 21 de junho, ele a presenteou com a dádiva de despertar do coma e mostrar que, em momento algum, havia desistido de viver.

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Porém, ao despertar, Luciano cita que a impressão era que tinha uns três anos, tudo era muito distante, não lembrava de nada e também não fazia ideia do que acontecera. Aos poucos, com auxilio da família ele foi retomando um pouco mais o controle da situação.

Luciano recorda que a mãe sempre muito protetora, abria a porta do armário do banheiro para que ele não se olhasse no espelho. Ele apenas foi entender quando em uma das idas ao banheiro, era a namorada a companhia e a mesma esqueceu de fazer o que a progenitora com tanto zelo se preocupava em fazer. Neste dia, ele viu pela primeira vez seu rosto desfigurado, quase impossível de se reconhecer no espelho. Foi então, com quase 30 dias que Luciano passou a perguntar sobre o que havia acontecido.

Passado mais de um mês, ele finalmente teve alta hospitalar e pode ir para casa e manteve a fisioterapia e muitos cuidados. Em pouco mais de 35 dias, Luciano passou por quatro cirurgias entre cabeça, ouvido, nariz e olho.

A superação de tudo também foi marcada, não apenas pela gravidade dos ferimento, principalmente na cabeça. Luciano também superou um quadro de meningite, pneumonia e um aneurisma atrás do globo ocular. O procedimento, em relação ao aneurisma, foi realizado na França, devido ao grande risco e, por ser apenas por uma única opção naquele momento, através de um cateterismo. Mesmo assim, mais uma etapa ele teria que enfrentar. Com três meses, o alegretense soube que tinha contraído uma bactéria, uma infecção no hospital e teria que realizar outra cirurgia na cabeça. No total, foram quatro em razão do acidente, outra para colocar uma prótese, mais uma para retirar a bactéria e por último a retirada da prótese. Quase que por um milagre, uma camada de cartilagem se formou embaixo da prótese e com a retirada, Luciano não precisou mais realizar a substituição e, ficou praticamente sem sequelas. Ao todo, Luciano realizou oito cirurgias em decorrência do fato entre as quatro na cabeça, mais uma no nariz, outra no olho, ouvido e o aneurisma.

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Ele lembra que a mãe, Vera Maria Fonseca Amaral, fez uma promessa de que iria construir uma Santa, casa ele sobrevivesse. Desta forma, escolheram o local onde já tinha uma bica próximo á entrada da Cascata, onde tem a imagem da Nossa Senhora Mãe de Deus. Também ressalta que os amigos foram muito importantes para sua recuperação. Pois o empenho não foi só da família através de orações, eles também participaram de forma muito ostensiva de todo processo.

Com as “paradas” iniciais foram seis meses até voltar à vida normal. Um dos pontos que Luciano lembrou com muita alegria foi o retorno para Alegrete, após três meses do acidente. Ele foi recebido com uma carreata e muita comemoração pelos amigos e familiares, um momento que o marcou muito. Com bom humor, ele também recordou que nunca ficou preocupado com as cirurgias, sempre acreditou que daria certo e até gostava de fazer a anestesia geral.

“O acidente mudou totalmente minha visão da vida. Ao saber que meus pais saiam do hospital, sem saber se eu estaria vivo no dia seguinte e o quanto isso os fez sofrer, também impactou na minha vida. Com isso, eu tenho que o acidente foi uma grande lição. Se não tivesse ocorrido, eu com certeza não estaria aqui hoje. Pois mudei muito meus conceitos. Passei a me preocupar mais com os outros.”- disse.

O recomeço e retomada da sua história, foi com o retorno aos estudos. Mesmo assim, Luciano passou por três opções de ensino superior. A primeira opção foi medicina veterinária, depois administração e por último realizou e concluiu a formação em tecnólogo em produção de grãos. Posteriormente se casou com Ivana Amaral com quem tem dois filhos, João Pedro de 16 anos e Joaquim de 6.

A rotina se transformou num trabalho realizado em um estabelecimento rural da família no interior de Rosário do Sul. “Quem me ver, hoje,  jamais vai imaginar que passei por todas essas etapas, mas elas me fizeram chegar aqui. Eu senti confiança, amor, proteção e felicidade”- comentou.

Luciano é filho de Airton Pacheco Amaral e Vera Maria Fonseca Amaral e tem três irmãos, Márcio, Leandro e Sandro.


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