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Diagnóstico sombrio do Conselho tutelar; os pais são responsáveis pela depressão em crianças e jovens
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Todas as quartas-feiras são reservadas para reuniões entre os cincos Conselheiros Tutelares. Os debates sobre os casos e atendimentos são realizados para que dessa forma o colegiado possa encaminhar as melhores soluções e o trabalho fica ainda mais evidenciado. Mesmo com uma agenda lotada, na tarde do dia 12, a reportagem conversou com os conselheiros.

Os assuntos que sempre são temas que geram uma preocupação maior:  os relacionados às drogas, estupros, violação e depressão.

O enfoque maior foi sobre a depressão. O número crescente dos casos em adolescentes têm sido um dos trabalhos mais acentuados, com isso, se mudou a metodologia de abordar, avaliar e trabalhar.

Uma das grandes preocupações, conforme destacaram os conselheiros, é  a maneira em que os pais estão conseguindo enxergar os filhos. ” Ouvimos muito, que são muitas cobranças. Os responsáveis passaram a valorizarem muito mais o consumo do ilícito, na maioria das vezes maconha e o fato da menina ter iniciado a se relacionar sexualmente, mas esquecem de acolher, entender e se colocarem no lugar dos adolescentes para que dessa forma, juntos consigam reverter o quadro. Diante desse abandono, crianças e adolescentes se isolam e passam a enfrentar problemas, que na maioria das vezes, resulta na depressão e depois o avanço para o uso de álcool ou drogas. Os conselheiros deixaram claro que, diante do trabalho realizado nestes últimos meses, foi possível avaliar que a depressão tem sido quase que na totalidade a causa para o uso de outros produtos ilícitos e as tentativas de suicídio. ” Nos deparamos com casos de crianças entre seis e dezesseis anos que estão com pensamentos voltados a tirar a própria vida, medidas absurdas com a esperança de que os pais possam notá-los. Que o filho seja superior a dificuldade e a adversidade não venha a se sobrepor e ele seja esquecido. Quando isso acontece, os pais passam a apontar os erros e cada vez mais acusam e cobram sem acolher.

Dois casos chocantes. O primeiro é de uma mãe que por ter um filho especial, abandonou o mais velho que se sentiu excluído e, aos 15 anos, encontrou nas drogas o alívio para suas dores. Foi feito um contato e depois do atendimento à família, hoje, o jovem está fazendo tratamento, voltou a estudar e a harmonia na família também. Mas foi preciso que a mãe compreendesse que ele está crescendo, mas ainda precisa muito dela.

O outro caso, ainda mais chocante, um aluno de sete anos pediu para ir ao banheiro do educandário e quando o professor foi até o local devido a demora, o encontrou com um barbante que iria enrolar no pescoço. Para esta criança a tentativa de tirar a vida iria aliviar seus problemas em casa, pois eles estão na fase de desenvolvimento físico e psicológico, entretanto sem a base familiar acabam se culpando pelas falhas e erros apontados de forma muito severa dos pais que não os acolheram antes e depois de alguma dificuldade, colocam o deslize como centro de tudo e não a criança ou o adolescente.

“Todas essas crianças e adolescentes precisam de ajuda, eles precisam dos pais. Certo dia um pai disse que para a filha ficar entretida, ele entrega o celular e dessa forma, por horas tem paz e silêncio, um erro absurdo. Não existe o reconhecimento pelo que eles realizam de bom, apenas a cobrança do que está errado” – comentaram.

Na sequência, eles evidenciaram que os adolescentes estão pedindo, gritando por ajuda. Que os pais possam “enxergar” os filhos com muito para o amor e menos punições.

Muitos adolescentes falam:eu sou fulano, não sou a maconha, eu sou a “Joana” não sou um ato sexual. Esses exemplos foram usados por inúmeros jovens entre 13 e 16 anos que se dizem frustrados pois os responsáveis só os exergam em caso de problemas e, estes passam a ter um destaque acima de tudo. De todas as formas eles são deixados de lado.

Uma menina de 13 anos se recusou a “ficar” com um menino pouco mais velho, os dois estudavam na mesma escola. Inconformado ele passou a falar que tinha relações sexuais com ela e depois a acusou de homossexual. Para provar que ele estava errado a menina manteve relações sexuais com um homem de 23 anos e, hoje, se diz viciada em sexo. A mãe não aceita a situação e a condena. Mas não a protege, e ela apenas queria que antes pudesse ter sido ajudada. Algo que encontrou no conselheiros devido ao trabalho realizado de diálogo e compreensão do que ela está passando, além de todos os encaminhamentos. A falta de tempo das famílias para os filhos é o que norteia o caminho da depressão e tentativa de  suicídio. O afeto está sendo trocado pelos celulares.

A entrevista concedida pelos conselheiros tutelares, Maria Teresa Lemos, Antônio Aparício Moreira Marques, Luís Carlos da Silva Pinheiro, Antônio Flávio da Silva e Maria Aparecida Lyra, corrobora o quanto o trabalho realizado pelos conselheiros tem sido incessante. A falta de reconhecimento é ainda muito grande, porém, são ações realizadas de forma lenta e incansável com um resultado muito positivo. Todos realizam cursos, são capacitados e buscam a melhoria pois mais do que nunca são cientes que é necessário se  “igualar” com as crianças e adolescentes para que eles sintam-se à vontade para que alguns problemas sejam colocados em pauta e auxiliá-los.

Flaviane Antolini Favero


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