Homossexual relata as barreiras e preconceitos em Alegrete

"Vou usar uma frase da Glória Groove, nossa belíssima drag Queen: "não se sinta sozinho, o mundo está melhor do que era antes. Ainda é difícil, mas você está cercado de gente lutando contigo. Não desista de ser você, só porque o mundo ainda não é bom o suficiente para todo o seu brilho"- destacou a alegretense Carolina Morteu.

Carol, como também é chamada, contou ao PAT como foi assumir que é homossexual, o preconceito e dificuldades em família, no trabalho e a discriminação que já sofreu.

Aos 26 anos, ela iniciou a entrevista descrevendo que, há oito anos, foi bem difícil, a mãe não aceitava e, quando assumiu que gostava de meninas, chegou ser expulsa de casa, porém, com o tempo a mãe foi aceitando e, agora, acha bem normal.

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Entretanto, o pai, desde que soube, a trata muito mal, diz que ela quer ser homem, fala muitas ofensas e “coisas ruins” quando a vê. Mesmo não residindo na mesma casa, pois tem outra família, ele não consegue aceitar – relata Carol.

Mas as dificuldades, também, estão em outras áreas, como no trabalho.” Eu vejo que é algo bem ruim, porque eu sou formada em técnico em administração, faço duas faculdades – recursos humanos que estou terminando e bacharel em administração, no terceiro semestre. Contudo, já entreguei vários currículos, mas nunca se quer, me chamaram para uma entrevista na minha área. Então, eu vejo que é bem difícil, por eu ser assim”- comentou.

Carol, ainda, completou ressaltando que já pensou em realizar a transição de gênero e começar o tratamento hormonal, mas acredita que seria ainda mais difícil a aceitação da sociedade em relação a sua opção.

“Agora, penso muito em ir embora porque em Alegrete, eu tenho muita dificuldade em conseguir emprego, na minha área e tenho quase certeza que não vou conseguir. Essa, é minha maior dificuldade, a aceitação no comércio”- acrescenta.

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A família, com exceção do pai, a aceita super bem e, agora, ela tem todo apoio deles, já o progenitor não aceita ter contato com Carol.

“Eu me assumi com 18 anos, mas comecei a me vestir de forma mais masculina há quatro anos. Eu tenho muito o lado masculino, por isso, me considero do gênero masculino. Tenho muita objeção em sair em público, às vezes, vejo as pessoas me olhando “feio”. Ocorreu uma situação em que fui deixar currículos em empresas, que quando eu entrava me tratavam normal, mas quando olhavam meu nome, eu já percebia a mudança.


Teve um dia, que eu entrei numa loja e o gerente disse assim: Carolina? E me olhou dos pés a cabeça, fiquei até sem jeito, virei as costas e saí. Não retornei mais nessa loja”- completou.

Carol enfatiza que, desde pequena sempre gostou de futebol, brincava de fazendinha com os primos e nunca concordou de se vestir como mulher ( a mãe conta isso, também), a forma de andar era diferente – lembra.

A alegretense encerra destacando que já residiu em Balneário Camboriú e lá, é muito diferente.

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