Neri, um taura da pura cepa, foi tropear na Grande Querência

Nesta manhã(23), partiu para sua última tropeada, aos 74 anos, Neri Soares Fernandes, conhecido como Neri Grande. Um autêntico gaúcho que deixa um grande legado por sua simplicidade, amor à tradição e a família.

O radialista e músico, Gerson Brandolt, o descreveu como o homem do sorriso fácil. Esta era a marca registrada do tradicionalista, apaixonado por cavalos que nasceu no Taperão. Desde muito cedo, esteve sempre envolvido com os animais, tinha uma devoção por cavalos e os cachorros eram seus amigos, o entendiam pelo olhar.

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A sobrinha Rozelei Almeida, disse que ele foi um grande tropeiro e trabalhou a vida toda em fazendas e estâncias. Não usava outra roupa que não fosse a pilcha. Um homem de um grande caráter, simples, de um coração bondoso e que amava contas seus “causos”. A última participação em eventos foi no Piquete Walter Trindade este ano – cita.

“Neri Grande sustentou mulher e filhos enforquilhado nos arreios entre estâncias, remates , domas e tropas. A lida bruta foi forjando o jeito do Neri que sempre foi homem de pulso com os filhos.

Nem as intempéries da vida arrancam o sorriso do rosto deste velho gaúcho apaixonado por cavalos, como ele mesmo diz: Meus “polmão” não são mais os mesmos Brandolt, mas não me entrego e se morrer no costado de uma das minhas éguas morro feliz fazendo o que gosto.”- falou Gerson.

Neri Grande também participou de um documentário onde, foi um dos atores principais representando o gaúcho brasileiro que mostrou o gaúcho Argentino, Uruguaio e Brasileiro. Três gaúchos, cada um representou seu País e viajaram sozinhos a cavalo com as equipes de produção.

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Também participou do quadro que o radialista faz no youtube – Proseando – em um trecho, choro e se emociona, pois já não tinha mais condições de montar no cavalo devido a problemas de saúde e sintetizou: sem o cavalo, me falta um pedaço.

O bigode grande, era sua marca registrada – ele sempre foi e sempre será a imagem do gaúcho – acrescenta Brandolt.

Emocionado ele continua:

O Neri Grande eu conheci na minha infância ali, no Capão do Angico. Ele galopeava uns potro na beira do campo do Patronato, melenudo de bigode preto e chapéu tapeado.

O estereótipo de gaúcho, pra mim, sempre foi ele, pois o conheci pequeno, eu tinha meus meus 14 anos e vivi toda minha infância vendo ele lidar com tropa e com doma.

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É um dos grandes amigos que o gauchismo me deu, teve muito doente, com problema de enfisema pulmonar, um homem que passou muito trabalho na vida dessas tropa, pousando mal nesses corredores, chuva, calor e frio. Mas um homem gaúcho.

Um homem todo gaúcho, todo ele gaúcho, de poucas palavras que não levava o desaforo pra casa. Mas sempre apaixonado por cavalo, eu o entrevistei para o Proseando e ele pode montar no cavalo, por isso, chora e diz que sem o cavalo lhe falta um pedaço. O vídeo acima teve mais de 52 mil visualizações.

Eu acho que nessa síntese eu te digo tudo, que o homem gostava da tradição, do CTG e nos 20 de Setembro era muito esperado na Praça. Ele passava com seu cavalo, pelegão preto, bem grande e um cachorro no costado, chapéu tapeado. Neri sempre foi e vai ser a imagem do gaúcho e do gauchismo.” – conclui.

O Coordenador da Semana Farroupilha, Cléo Trindade, falou que ele sempre foi um autêntico gaúcho, conhecedor de todas as lides e tinha sua marca com o cavalo bem encilhado. Pilchas impecáveis, uma grande perda – encerra.

As últimas homenagens estão acontecendo através da Funerária Paraíso, na rua Maximino Marinho, perto do Cemitério. O sepultamento será às 9h, desta sexta-feira(24), no Cemitério Público Municipal.

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