O bullying digital pode vir de onde menos se espera

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Uma publicação em uma rede social, nesta semana, evidenciou o quanto o preconceito, a falta de educação e o desrespeito podem ser destilados por pessoas que são do convívio e muitas vezes admiradas por quem sofre o bullying. Simone Paz esteve no PAT e conversou sobre um desabafo que fez em seu perfil no facebook.

Ela descreveu que tudo começou depois de uma postagem em que ela discordou de uma opinião externada . “Quando vi que essa pessoa havia feito uma postagem quanto ao meu posicionamento contrário, fiz um comentário, printei e enviei para que soubesse por mim, que não concordava, mas respeitava. Antes que surgisse algo distorcido”- explicou.

Mas para surpresa de Simone, na última segunda-feira(2), ela recebeu prints de uma conversa em um grupo de whatsApp, em que todas as pessoas têm boa escolaridade, bem posicionadas na sociedade, defensoras da moral, ética, do respeito às diferenças de gêneros e defensoras da igualdade.

“Apregoam tanta coisa positiva que eu admirava essas pessoas. Se elas falassem sobre o assunto em pauta, contrárias à minha opinião, tudo bem, mas o que eu li foi muito pior, me senti um lixo, a pior pessoa do mundo, com minha auto-estima destruída ao me deparar com palavras depreciativas relacionadas ao meu corpo. Eu não sou o modelo padrão, mas não dá o direito de ridicularizarem num grupo em que seu componentes são formadores de opinião, a maioria jovem e sem uma intimidade comigo para destilar tanta coisa ruim” – comentou.

Simone contextualiza porque ela disse que essa juventude é o nosso futuro, pessoas esclarecidas que por trás de uma tela de celular, em um grupo de whatsApp se acham as donas do universo e superiores a todos que são capazes de cometer essa barbárie.

” Tenho grupos de amigos no whats e, mesmo assim, com toda a intimidade que temos, quando julgamos necessário expor algo que não esteja bem, chamamos no privado, falamos olho no olho, mas não ridicularizamos, jamais. Lembro que um dia, um dos meus filhos estava sorrindo ao ler uma mensagem no celular. Eu perguntei sobre o que se tratava e respondi que havia colegas tirando onda de um colega pois ele era adotado e todos passaram a chamá-lo daquele jeito. Imediatamente eu disse a ele que isso não se faz, é feio, não podemos menosprezar as pessoas, humilhá-las por alguma diferença, seja física, econômica ou qualquer outra. Na mesma hora ressaltei que ele colocasse que era feio e não deveriam fazer aquilo.” – destacou.

O espanto maior, para Simone foi que ao ler os comentários, ela disse que ficou quase toda manhã tentando assimilar. A exposição desse assunto é, principalmente, para que todos se deem conta do mal que causam a realizarem atitudes como esta.

“Isso incomoda, dói. Todo mundo tem o direito de pensar o que quiser, de discordar, mas é preciso ter responsabilidade de seus atos. Hoje entendo o que significa a palavra bullying, por mais que tenha lido inúmeras vezes sobre o assunto, quando você sente na pele a compreensão é muito dolorosa. É preciso ter mais compaixão, compreender mais as pessoas. Entendo, agora, quando há receio de expor o que se passa em termos de violência, de discriminação. É muito humilhante. O sofrimento é individual.

Mas, o lado bom é que as pessoas que realmente importam, me deram o acolhimento necessário” – finalizou.


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