RS descarta caso suspeito de coronavírus

Indivíduo que viajou para a China teve tosse e febre, mas não visitou Wuhan nem teve contato com pessoas doentes da cidade chinesa.

Dos cinco casos suspeitos e descartados de portar no Brasil o novo tipo de coronavírus, um era no Rio Grande do Sul. O indivíduo viajou a trabalho para a China e voltou com tosse e febre, mas sem sinais de gravidade nem motivo para ser internado, explicou por nota a Secretaria Estadual da Saúde (SES) na tarde desta quinta-feira (23). O governo estadual não revelou o sexo, idade ou nem data de viagem e destino da pessoa.

 

Conforme a SES, o caso foi descartado pelo Ministério da Saúde, que segue orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), porque a pessoa “não esteve em Wuhan nem teve contato com pessoas doentes deste município”.

Para a OMS, estas duas situações podem ser consideradas como caso suspeito:

  1. Paciente com febre e sintomas respiratórios e viagem a Wuhan nos 14 dias antes do início dos sintomas.
  2. Paciente com febre e sintomas respiratórios que tenha entrado em contato com caso confirmado por laboratório.

É apenas na cidade chinesa de Wuhan que ocorre a “transmissão ativa” – isto é, pessoas transmitindo umas para as outras. Em outros locais, a doença é “importada”.

O governo estadual afirma ainda que está orientando as redes pública e privada de saúde para ficarem atentas a possíveis casos suspeitos.

Esclareça suas dúvidas sobre o coronavírus

O que é?

O coronavírus é uma família de vírus que causa síndromes respiratórias, como resfriado e pneumonia. Versões mais graves do coronavírus causam doenças piores, como a temida Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, sigla em inglês), responsável pela morte de mais de 600 pessoas na China e em Hong Kong entre 2002 e 2003. A versão de vírus que circula agora é uma espécie nova, desconhecida da comunidade médica, e o medo é de uma pandemia global.

Quais os sintomas?

Dentre os possíveis sintomas estão febre, dor, dificuldade para respirar, tosse, diarreia e pneumonia.

O vírus é transmitido facilmente?

Segundo o Centro para Vigilância e Prevenção de Doenças (CDC), equivalente dos Estados Unidos à Anvisa, não está claro se o novo coronavírus é transmitido facilmente ou não. Outra pergunta em aberto é: para transmitir, é preciso estar doente ou apenas ter o vírus no corpo? A resposta a isso é o que definirá a gravidade do vírus.

Onde surgiu?

Na cidade de Wuhan, na província de Hubei, na China. A metrópole de 11 milhões de habitantes está isolada. Trens e voos foram interrompidos e detectores de febre foram instalados nas estações de embarque e no aeroporto. Nas estradas, a temperatura corporal é medida pelos postos de controle e, para sair da cidade, o transporte não pode ser feito de carro. Para evitar qualquer concentração de pessoas, as autoridades anularam as comemorações do Ano-Novo Lunar chinês na cidade. As autoridades também proibiram qualquer espetáculo e fecharam um museu.

Como surgiu?

O CDC identifica um grande mercado atacadista de peixes e frutos do mar na cidade de Wuhan como a origem das infecções.

Como ele é transmitido?

De animal para pessoa e de pessoa para pessoa. Segundo o governo chinês, o vírus pode se modificar e ser transmitido mais facilmente. O medo é de que a doença ganhe força no país asiático em meio ao feriadão do Ano-Novo Lunar, quando milhões de pessoas viajam pelo país. Segundo o CDC, pessoas mais velhas e doentes parecem ter maior risco.

Como é o tratamento?

Não há tratamento contra o coronavírus em si, apenas contra os sintomas. Pacientes tomam remédio para baixar a febre e podem receber máscara de oxigênio para respirar melhor, por exemplo.

Preciso me preocupar com a chegada do vírus ao Rio Grande do Sul? 

Segundo o Ministério da Saúde, não há caso suspeito no Brasil. No Rio Grande do Sul, um possível caso foi descartado.

Quais os cuidados?

Lavar as mãos (sobretudo quem passar por aeroportos), evitar contato dos dedos com mucosas do nariz, olhos e boca. É recomendável usar álcool em gel.

A vacina contra a gripe protege?

Não. Segundo Alexandre Zavascki, chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento e professor da UFRGS, o vírus da gripe não é o coronavírus, e sim o influenza. Portanto, a vacina regular tomada antes do inverno não protege.

Onde foi a primeira infecção fora da China?

Na Tailândia, de uma mulher com pneumonia leve que voltou de uma viagem a Wuhan. Logo surgiram informações sobre casos em Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Na última terça-feira, foram anunciados um caso na Austrália e outro nos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Brasil e México registraram casos suspeitos.

Por que o nome coronavírus?

 Visto de um microscópio, o coronavírus parece uma coroa ou auréola. Em inglês, coroa é “crown”.

Fonte: Gaúcha/ZH

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