Tragédia em Alegrete: morte de casal eletrocutado aumenta alerta sobre perigos elétricos

Recente tragédia envolvendo a morte de um casal eletrocutado tem gerado preocupações sobre os perigos potenciais dos choques elétricos.

Em Alegrete, além do caso mais recente de Letícia Almeida, 19 anos, e luzardo Mazui 27 anos, também ocorreram outros óbitos em decorrência de fatalidades semelhantes com energia elétrica como a familia que residia no bairro Airton Senna David Mendes dos Santos, de 37 anos; Juliana Bandeira Macedo Dias, de 38; e Valentin Macedo Santos, de 3 anos, que faleceram em fevereiro de 2023. O relato de vizinhos à época, foi de que Devid estava fazendo uma manutenção em um fio de energia, que ficava no pátio e chovia naquele dia. A esposa, Juliana Bandeira Macedo, segurava a escada e quando ele levou o choque, ela, também, foi eletrocutada e o filho teria agarrado a mãe. Desta forma, todos acabaram caindo em um córrego.

Outra situação foi envolvendo Everson Luiz Olart da Silveira, conhecido como Sapo, que dedicava sua vida ao trabalho de lavagem de carros, uma atividade que exercia com maestria há muitos anos. Ele sofreu uma desgarda elétrica em dezembro do ano passado e não resistiu.

Desta forma, como alerta e também uma maneira de prevenir outros acidentes, a reportagem buscou algumas informações.

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A Engenheira Elétrica Nathali Lunardi, em entrevista ao PAT, destacou questões cruciais relacionadas a esse assunto sensível.

Um choque elétrico pode ser detectado pelo corpo humano a partir de uma corrente elétrica tão baixa quanto 1mA (um mili ampére), ou seja, 0,001A. A partir de 10mA (dez mili-ampéres), os músculos começam a contrair, dificultando a capacidade de se soltar da fonte do choque. O limite letal está compreendido entre 10mA e 3A.

Considerando que muitas pessoas já experimentaram algum tipo de choque elétrico em suas vidas, surge a indagação sobre quando esses incidentes podem se tornar graves e até fatais. Vários fatores podem potencializar a letalidade de um choque elétrico, incluindo problemas de saúde, como condições cardíacas, ambientes úmidos ou molhados que facilitam a condução da corrente, falta de disjuntores adequados, cabos desprotegidos ou subdimensionados, ausência de aterramento nas instalações e intervenções na rede por indivíduos sem treinamento adequado ou equipamentos de proteção.

Estudos realizados pela IEC (Comissão Internacional de Eletrotécnica) demonstraram que uma corrente de apenas 30mA passando pelo coração humano pode resultar em parada cardíaca e morte. Isso é aproximadamente 1500 vezes menor que a corrente típica de um chuveiro elétrico. Contrariando um mito comum, choques elétricos em tensões tão baixas como 110V podem ser fatais, considerando que uma corrente de 44mA, gerada por uma tensão de 110V e levando em conta a resistência do corpo humano, pode ser letal.

Em casos de uma pessoa recebendo uma descarga elétrica, é crucial não tentar resgatá-la sem proteção adequada, pois isso pode resultar em choques fatais tanto para a vítima quanto para o socorrista. A prioridade é desenergizar a fonte de energia o mais rápido possível, utilizando materiais não condutores, como madeira ou borracha, para mover a vítima ou afastar cabos energizados. É fundamental chamar os serviços de emergência, como bombeiros e SAMU, que possuem treinamento adequado para lidar com essas situações.

Os pontos mais suscetíveis a choques elétricos em residências e empresas incluem falta de estrutura, cabos inadequados, disjuntores mal dimensionados, uso de extensões e sobrecarga de tomadas. A falta de aterramento e intervenções por pessoal não qualificado também representam riscos significativos. A modernização e manutenção adequada das instalações elétricas são essenciais para prevenir acidentes graves.

Em suma, conscientização sobre os perigos dos choques elétricos, adoção de medidas preventivas e busca por assistência profissional são fundamentais para garantir a segurança nas instalações elétricas e evitar tragédias evitáveis.

“É necessário um olhar mais atento às instalações elétricas, não pensar que é “bobagem” realizar uma modernização/adequação quando aumentar o número de equipamentos elétricos em sua residência ou empresa, contar com profissionais habilitados, instalar disjuntores (DIN, DR, DPS) e não intervir na rede energizada. Outras dicas importantes: nunca coloque roupas na máquina de lavar enquanto está entrando água, não limpe geladeiras e freezers com eles ligados na energia, cuidado com ambientes molhados, pois a água facilita a condução de corrente elétrica, não realize troca de chuveiros, desligue a chave geral sempre que precisar, realize manutenção periódica nos seus equipamentos elétricos afim de evitar cabos desencapados e outros problemas que possam facilitar o choque, peque pelo excesso de cuidados, procure sempre um profissional”- destacou a profissional Nathalie Lunardi – engenheira eletricista, mestra em engenharia elétrica e inspetora chefe do CREA – Alegrete.

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