A 17ª Semana Arrozeira de Alegrete teve início na noite desta segunda-feira com grande participação de público e uma pauta marcada por preocupações econômicas, mas também por mensagens de esperança e reconstrução. Cerca de 600 pessoas lotaram o espaço do Sindicato Rural de Alegrete para acompanhar a abertura do evento, que reuniu produtores rurais, empresários, lideranças políticas e representantes de entidades ligadas ao agronegócio.
Considerada um dos principais fóruns de discussão do setor no Rio Grande do Sul, a Semana Arrozeira começou com um forte debate sobre a crise que atinge a cadeia produtiva do arroz, atualmente pressionada pelos altos custos de produção, preços considerados insuficientes e os reflexos de sucessivos eventos climáticos extremos.
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Na abertura oficial, o presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete (AAA), Vítor Pontes, destacou a importância das parcerias institucionais para a realização do evento e para o fortalecimento do setor.
Segundo ele, a união entre a associação, o Sindicato Rural de Alegrete e o Centro Empresarial de Alegrete tem ampliado a credibilidade da entidade junto aos patrocinadores e permitido o desenvolvimento de ações voltadas ao crescimento econômico local.
Pontes também ressaltou a diversidade da programação da Semana Arrozeira, que contempla debates sobre tecnologia, mercado, educação, política e o protagonismo feminino no agronegócio.
Entretanto, foi ao abordar a situação econômica dos produtores que fez um dos alertas mais contundentes da noite.
“Estamos enfrentando a pior crise da história do setor. O prejuízo médio chega a R$ 20 por saca e está cada vez mais difícil permanecer na atividade”, afirmou.
Crise do arroz domina debates
A preocupação com a sustentabilidade da atividade esteve presente em praticamente todos os pronunciamentos da noite.
O deputado estadual Afonso Hamm voltou a defender medidas emergenciais para auxiliar os produtores atingidos por eventos climáticos extremos e reiterou a necessidade de utilizar recursos oriundos do pré-sal para viabilizar o alongamento das dívidas rurais.
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O parlamentar chamou atenção para a falta de rentabilidade enfrentada pelos arrozeiros.
“Quem vai querer permanecer na lavoura com o arroz valendo R$ 58 e o custo de produção acima de R$ 75 por saca?”, questionou.
Também participaram da cerimônia o vereador Leandro Meneghetti, representando a Câmara Municipal, e o prefeito Jesse Trindade, que destacou os investimentos realizados pelo município na manutenção das estradas rurais e reforçou o compromisso da administração com a infraestrutura necessária ao escoamento da produção.
Os números apresentados durante o evento ajudam a dimensionar a gravidade da situação. Conforme lideranças do setor, os produtores registram prejuízo médio de aproximadamente R$ 20 por saca comercializada. O custo de produção supera os R$ 75 por saca em diversas propriedades, enquanto o valor recebido pelos agricultores gira em torno de R$ 58.
A preocupação é compartilhada por produtores de diversas regiões do Estado e acende um alerta para os impactos que uma eventual redução da atividade poderá provocar na economia regional, especialmente em municípios como Alegrete, um dos maiores produtores de arroz do Brasil.
Reconstrução do Vale do Taquari inspira participantes
O painel principal da noite foi mediado pelo vice-presidente da AAA, Lucas Di Nápoli, e trouxe ao público exemplos concretos de superação diante de grandes adversidades.
Um dos destaques foi a participação do empresário Ângelo Fontana, liderança empresarial do Vale do Taquari e vice-presidente da FIERGS.
Durante sua apresentação, Fontana relatou a mobilização promovida por empresários de 36 municípios da região após as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024.
Segundo ele, a iniciativa privada conseguiu arrecadar recursos e acelerar a recuperação de estruturas essenciais, como pontes, estradas e galerias, além de apoiar comunidades e empresas fortemente atingidas pelos desastres climáticos.
O empresário destacou que a articulação entre empresas, entidades e comunidade foi decisiva para reduzir os impactos da tragédia e recuperar a atividade econômica local.
Também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas em razão da burocracia, afirmando que muitas ações de reconstrução foram iniciadas pela iniciativa privada antes mesmo da chegada dos recursos governamentais.
A mensagem central de sua palestra foi a importância da união comunitária como instrumento para superar crises e reconstruir territórios devastados.
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Cleomar Ereno emociona público ao falar sobre recomeço
O encerramento da programação ficou marcado pelo relato do empresário e produtor rural Cleomar Ereno, ex-presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete.
Em um depoimento carregado de emoção, Ereno compartilhou sua trajetória pessoal e empresarial, marcada por falência, dificuldades financeiras e um longo processo de reconstrução.
O empresário fez uma reflexão sobre decisões tomadas ao longo de sua vida profissional e destacou que o recomeço exigiu não apenas reorganização financeira, mas também uma profunda transformação pessoal.
Durante sua fala, ressaltou a importância de “ressignificar a vida”, transformando erros e fracassos em aprendizado.
Ereno também destacou o apoio recebido de familiares, amigos e integrantes da Panela Campeira da Associação dos Arrozeiros de Alegrete, grupo que, segundo ele, teve papel importante nos momentos mais difíceis de sua trajetória.
Ao abordar temas como responsabilidade, propósito e perseverança, o relato emocionou parte do público presente.
A participação foi complementada por uma intervenção virtual do empresário e influenciador Pablo Marçal, citado por Ereno como uma das referências em seu processo recente de desenvolvimento pessoal.
Setor busca caminhos para enfrentar adversidades
A abertura da 17ª Semana Arrozeira evidenciou que os desafios enfrentados pelos produtores vão além das questões econômicas. Ao longo da noite, lideranças, empresários e produtores discutiram alternativas para fortalecer a atividade, garantir a permanência dos agricultores no campo e preservar uma cadeia produtiva que movimenta milhares de empregos e tem papel fundamental na economia de Alegrete, da Fronteira Oeste e do Rio Grande do Sul.
Entre alertas sobre a crise do arroz e exemplos de reconstrução e resiliência, a mensagem predominante foi a de que os desafios podem ser enfrentados de forma mais eficiente quando há união entre produtores, entidades, poder público e sociedade.
