Foi nesse cenário que Luiz Gustavo Paulista da Silva, estudante do curso de Engenharia de Telecomunicações da Unipampa, natural de Bauru (SP), encontrou um companheiro inesperado. Há cerca de quatro anos morando em Alegrete, ele adotou um cachorro de rua que passou a dividir sua rotina, os dias difíceis e as pequenas alegrias da vida longe da família.
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“Meu cachorro era minha família, minha companhia aqui”, resume.
Na segunda-feira (29), porém, essa companhia chegou ao fim. A morte do animal deixou o universitário diante de uma situação para a qual nunca havia se preparado. Sem familiares por perto e emocionalmente abalado, ele não sabia o que fazer com o corpo do cachorro nem como enfrentar aquele momento.
Foi então que encontrou uma viatura da Guarda Municipal de Alegrete.
Ao relatar o que havia acontecido, recebeu muito mais do que orientação.
Os guardas municipais Flávio Iram Franklin Oliveira, Itamar Severo Dornelles e José Arnaldo Vargas Toledo compreenderam imediatamente a dimensão daquele momento. Com sensibilidade e respeito, interromperam a rotina de trabalho para ajudá-lo, providenciando o recolhimento do animal e oferecendo algo que, naquela hora, talvez fosse ainda mais importante: acolhimento.
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“Eu estava desesperado. Não sabia o que fazer com o corpo nem com toda aquela situação. Eles se disponibilizaram na mesma hora para me ajudar. Foi muito humano da parte deles”, relatou Luiz Gustavo.
Segundo ele, a atitude dos servidores foi além do dever funcional.
“Além do profissionalismo, foi um gesto de empatia. Eu realmente acredito que foi Papai do Céu que colocou aqueles guardas no meu caminho.”

Tão marcante foi a ajuda recebida que, depois, o estudante tentou entrar em contato com a Guarda Municipal para agradecer oficialmente aos agentes, mas não conseguiu falar com ninguém.
“Eu só queria poder agradecer de uma maneira que esse esforço e esse empenho fossem reconhecidos. Não é todo mundo que age assim.”
Ao compartilhar sua história, Luiz Gustavo faz questão de tornar público o reconhecimento aos três guardas municipais que, em um dos momentos mais difíceis de sua vida, ofereceram muito mais do que um serviço: ofereceram humanidade.
Num tempo em que tantas notícias destacam conflitos, críticas e episódios de intolerância, gestos de empatia como esse revelam o melhor do serviço público. Não mudam o desfecho de uma história, mas transformam profundamente a forma como ela será lembrada.
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Para Luiz Gustavo, Alegrete continuará sendo a cidade onde precisou se despedir do amigo mais fiel. Mas será também a cidade onde, quando mais precisou, encontrou pessoas dispostas a aliviar um pouco o peso da sua dor.
Há serviços que podem ser medidos por estatísticas. Outros ficam registrados na memória de quem foi acolhido. Este é, sem dúvida, um deles.

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