A crescente população de javalis voltou ao centro das preocupações dos produtores rurais de Alegrete. Considerada uma das principais espécies exóticas invasoras do país, a presença dos animais tem provocado prejuízos cada vez mais expressivos à agropecuária local, afetando desde a criação de ovinos até as lavouras de arroz, soja e milho.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Alegrete, Henrique Dornelles, os impactos já alteraram a realidade de diversas propriedades. Em algumas regiões do município, produtores deixaram de criar ovinos devido às perdas sucessivas causadas pelos ataques dos javalis. Em outras, foi necessário modificar completamente o sistema de manejo para tentar reduzir os prejuízos.
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“Há produtores que precisaram aproximar os rebanhos das sedes das propriedades e reforçar os cuidados diários para diminuir os ataques. Em determinadas localidades, a criação de ovinos praticamente deixou de ser viável”, relata Dornelles.
Além dos rebanhos, as lavouras também estão entre as principais vítimas da expansão da espécie. Bandos de javalis invadem áreas cultivadas e provocam prejuízos significativos em plantações de arroz, soja e milho, consumindo parte da produção e destruindo áreas cultivadas durante a busca por alimento.
Os danos, entretanto, vão além das perdas agrícolas. Conforme o dirigente rural, os animais também destroem cercas, revolvem o solo, comprometem açudes e fontes de água e provocam prejuízos à infraestrutura das propriedades, elevando os custos de manutenção das atividades no campo.
Espécie invasora
Originário da Europa, Ásia e Norte da África, o javali foi introduzido no Brasil e, ao longo das últimas décadas, expandiu sua distribuição por diversas regiões do país. Sem predadores naturais em quantidade suficiente para controlar sua população e com elevada capacidade reprodutiva — uma fêmea pode gerar duas ninhadas por ano, com vários filhotes em cada uma —, a espécie encontrou condições favoráveis para sua proliferação.
Por essas características, o javali é classificado pelos órgãos ambientais como uma espécie exótica invasora, capaz de provocar impactos ambientais, econômicos e sanitários, afetando tanto a produção agropecuária quanto a fauna nativa.
Na Campanha Gaúcha, onde predominam grandes áreas de campo e intensa atividade agropecuária, o problema vem sendo apontado pelos produtores como um dos desafios crescentes enfrentados pelo setor.
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Debate sobre o controle
O avanço da população de javalis ocorre em um momento em que o controle da espécie voltou a ganhar espaço nas discussões nacionais. Produtores rurais de diferentes regiões do Brasil defendem medidas que permitam reduzir os prejuízos provocados pelos animais, enquanto especialistas discutem formas de conciliar o controle populacional com a legislação ambiental vigente.
No Brasil, o manejo e o controle de javalis são permitidos dentro das normas estabelecidas pelos órgãos competentes. No entanto, Henrique Dornelles afirma que o processo ainda é excessivamente burocrático.
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Segundo ele, apenas pessoas legalmente habilitadas podem realizar o controle dos animais, sendo necessário cumprir uma série de exigências legais, cadastramentos e autorizações.
Na avaliação do presidente do Sindicato Rural, uma das alternativas para tornar o combate mais eficiente seria simplificar os procedimentos administrativos para os controladores já habilitados.
“A legislação permite o controle, mas a burocracia acaba dificultando a atuação de quem está preparado para colaborar. Facilitar esse processo pode contribuir para reduzir os prejuízos enfrentados diariamente pelos produtores”, afirma.
Preocupação crescente
Para o setor produtivo, o avanço dos javalis deixou de representar um problema pontual e passou a ser uma preocupação permanente. A expansão da espécie afeta diretamente a rentabilidade das propriedades, aumenta os custos de produção e impõe mudanças no manejo dos rebanhos e das lavouras.
Enquanto o debate sobre novas estratégias de controle avança, produtores da Campanha Gaúcha convivem diariamente com uma realidade que, segundo o Sindicato Rural, se agrava a cada ano e exige respostas capazes de conter a expansão de uma espécie considerada uma das mais danosas à agropecuária brasileira.

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