Há instituições que atravessam o tempo. Há outras que ajudam a construir a identidade de um povo. Em Alegrete, o Centro Farroupilha de Tradições Gaúchas se enquadra nas duas definições.
Fundado em 6 de junho de 1954, o CTG Farroupilha completa neste sábado 72 anos de existência, consolidado como uma das mais importantes entidades tradicionalistas do Rio Grande do Sul e uma referência na preservação da cultura gaúcha.
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A história começou pelas mãos de 86 “cueras” fundadores, homens que compreenderam a importância de manter vivas as raízes, os costumes e os valores do povo gaúcho em uma época de profundas transformações sociais. O nome “Farroupilha” foi sugerido por um dos fundadores, o então prefeito Eduardo Vargas, numa homenagem direta ao espírito libertário e à história do Rio Grande do Sul.
As primeiras reuniões aconteceram em diferentes locais da cidade, entre eles a Prefeitura Municipal, o Patronato Rural, o Clube Casino e o Escritório Querência. Anos mais tarde, os encontros passaram a ocorrer nas dependências do Cine Ipiranga, na Rua Gaspar Martins.
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Um passo decisivo ocorreu em 4 de junho de 1955, quando a entidade recebeu, por permuta realizada com o médico Waldir Baptista Weber, uma área localizada no chamado “Cinturão Verde”. Foi ali que começaram as obras da sede própria, localizada na Avenida Eurípedes Brasil Milano, nº 509, endereço que se transformaria em um verdadeiro templo da cultura gaúcha em Alegrete.
Desde sua fundação, o objetivo principal da entidade permanece inalterado: zelar pelas tradições do Rio Grande do Sul. Esse compromisso está simbolizado em seu lema, criado pelo fundador e ex-patrão Delci Dornelles:
“Neste galpão de gaúchos haverá sempre uma pousada para aqueles que quiserem se tapar com o poncho da dignidade e da honra.”
Mais do que uma frase, o lema tornou-se uma declaração de princípios. Ao longo de mais de sete décadas, o CTG Farroupilha abriu suas portas para milhares de pessoas que encontraram na entidade um espaço de convivência, aprendizado e valorização da cultura regional.
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Também foi Delci Dornelles quem idealizou a bandeira da entidade, juntamente com os demais integrantes da patronagem da época.
Os primeiros passos da tradição
A vocação do Farroupilha para promover e preservar os costumes gaúchos ficou evidente já nos primeiros meses de existência.
Em 20 de setembro de 1954, poucos meses após sua fundação, ocorreu o primeiro desfile da entidade pelas ruas de Alegrete. Na mesma data, foi realizado um churrasco no Patronato Rural, atual Parque de Exposições Dr. Lauro Dornelles, seguido de gineteadas e carreiras, atividades que faziam parte do cotidiano campeiro da época.
Ainda naquele histórico 20 de setembro, aconteceu o primeiro Baile Pilchado no Clube Caixeral, marcando a estreia do Conjunto de Danças Folclóricas do CTG e apresentações de poesias que ajudaram a fortalecer a identidade cultural da entidade.
Uma entidade que cresce sem perder suas raízes
Setenta e dois anos depois, o Farroupilha mantém viva a chama tradicionalista e segue ampliando sua atuação.
Sob a gestão do patrão Giovane Moraes, a entidade tem realizado investimentos significativos em infraestrutura e melhorias em suas dependências, além de promover eventos que atraem grande público e fortalecem o vínculo entre tradição e comunidade.
Um dos destaques atuais é o trabalho desenvolvido pelas invernadas artísticas. Hoje, o CTG Farroupilha possui sete invernadas, abrangendo desde a categoria Dente de Leite até a categoria Xirú, uma realidade considerada rara e possivelmente única entre os CTGs gaúchos.
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A atuação da entidade também ultrapassa os limites do tradicionalismo artístico. Projetos sociais e comunitários vêm ganhando espaço e relevância, como o grupo das Benzedeiras, as aulas de dança de salão e a prática da Chula, conduzida pelo professor Cláudio Melo. As atividades também se transformam em ações solidárias, com arrecadação de alimentos destinados a entidades assistenciais.
Recentemente, o CTG Farroupilha foi selecionado para integrar o projeto “CTG na Escola”, iniciativa que busca aproximar crianças e jovens das tradições gaúchas. Outro importante trabalho que está sendo estruturado será desenvolvido em parceria com a APAE, ampliando ainda mais o alcance social da entidade.
Festa para celebrar a história
E como toda grande história merece ser celebrada, a programação de aniversário promete reunir tradicionalistas e admiradores da música gaúcha na noite deste sábado.
A partir das 23 horas, o público será recebido pelo acústico nativista de Christiano e Vinicius. Na sequência, sobe ao palco uma das atrações mais aguardadas da música regional, o Quarteto Coração de Potro. Encerrando a programação, o baile ficará por conta do grupo Gaitaço Tchê.
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Segundo a organização, mais de 600 ingressos já haviam sido comercializados antecipadamente, demonstrando a expectativa em torno da comemoração.
Diferentemente de muitos eventos tradicionalistas, não será exigida a utilização de pilcha para participação na festa.
O legado continua
Ao completar 72 anos, o CTG Farroupilha reafirma seu papel como guardião da memória, da cultura e dos valores que ajudaram a moldar a identidade do povo gaúcho.
Em tempos de mudanças aceleradas, a entidade permanece como um ponto de encontro entre passado, presente e futuro. Um lugar onde crianças aprendem os primeiros passos da dança, jovens descobrem suas raízes e veteranos compartilham histórias que resistem ao tempo.
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Mais do que uma sede, mais do que um galpão, o Farroupilha tornou-se parte da própria história de Alegrete. E, ao celebrar mais um aniversário, demonstra que tradição não é apenas preservar o que passou, mas manter viva a capacidade de transmitir às novas gerações o orgulho de pertencer a esta terra.






