Michele Silva: uma vida dedicada à arte de ensinar, inspirar e transformar por meio da dança

Por mais de três décadas, a dança tem sido o fio condutor da vida da alegretense Michele Silva Martins. Professora, coreógrafa, educadora física e formadora de gerações de bailarinas, ela transformou sua paixão em profissão e está inserida na cultura de Alegrete e de São Francisco de Assis.

Michele nasceu em 7 de abril de 1983 e cresceu em um ambiente familiar de incentivo e afeto. Filha do casal José Roberto Borjas Silva e Sandra Leal Silva, irmã de Fabiano Leal Silva, construiu ao longo da vida uma trajetória pautada pela dedicação à arte. Hoje, ao lado do esposo, Carlos José Gomes Martins, e do filho, Antônio Silva Martins, encontra na família a base e o incentivo para continuar realizando seu trabalho.

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A história com a dança começou cedo. Aos três anos de idade, Michele ingressou na Escola de Dança Ballerina, em Alegrete. O que inicialmente era uma atividade infantil, logo revelou uma paixão que definiria seu futuro. Aos 15 anos, concluiu

a formação em Ballet Clássico e iniciou a carreira como professora, passando a ensinar justamente na escola onde deu seus primeiros passos.

Na Ballerina, viveu anos de intenso aprendizado e crescimento profissional. Além de professora, exerceu a função de vice-diretora e participou da formação de inúmeras bailarinas, compartilhando conhecimento, técnica e disciplina.

Como bailarina, colecionou importantes conquistas em festivais de dança. Entre elas, destacam-se os títulos de Melhor Bailarina no Dança Bagé e Melhor Trio no Bento em Dança, além de diversos prêmios conquistados em grupos e conjuntos. Paralelamente, buscou constante aperfeiçoamento por meio de cursos ministrados por grandes nomes da dança brasileira.

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Sua atuação também se expandiu para projetos educacionais e sociais. Em Alegrete, participou do Projeto Primeiros Passos, desenvolvido pela Escola de Dança Ballerina, levando o ensino da dança para instituições como a EMEI Mario Quintana, Escola Palmira Palma de Oliveira, Escola Eduardo Vargas, Escola Sítio do Pica-Pau Amarelo e Escola Balão Mágico.

Também integrou iniciativas como o Projeto Canudos Amanhã, da Escola de Samba Unidos dos Canudos, o Projeto AES Sul Cidadania, junto à Moradia Transitória, além de ministrar aulas de ginástica olímpica no Colégio Divino Coração.

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A dança sempre caminhou lado a lado com a cultura popular. No Carnaval alegretense, Michele integrou a comissão de frente da Escola de Samba Imperatriz Praça Nova e também atuou como porta-bandeira da Escola de Samba Unidos dos Canudos, experiências que ampliaram sua vivência artística.

Enquanto consolidava sua carreira na dança, investiu na formação acadêmica. Em 2004 ingressou na Urcamp, em Alegrete, onde concluiu o curso de Educação Física. Posteriormente, especializou-se em Educação Física Escolar com Ênfase na Educação Infantil pela Unopar, fortalecendo ainda mais sua atuação como educadora.

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Um novo capítulo começou em 2008, quando recebeu o convite de Lúcia Salbego de Souza para integrar a Vidativa Academia, em São Francisco de Assis. A parceria, iniciada há quase duas décadas, tornou-se uma das mais importantes de sua carreira.

Entre 2008 e 2012, Michele conciliou o trabalho entre Alegrete e São Francisco de Assis. Em 2013, decidiu mudar-se definitivamente para a cidade, dedicando-se integralmente às atividades desenvolvidas na academia.

Na Vidativa Academia, conduz aulas de Ballet Clássico e Jazz para crianças e adolescentes entre três e dezoito anos. Muito além da técnica, seu trabalho prioriza disciplina, sensibilidade artística e desenvolvimento humano.

Todos os anos, a academia promove espetáculos que mobilizam alunos, familiares e a comunidade. Cada apresentação representa meses de preparação e reafirma o compromisso com a formação artística de centenas de bailarinas.

Os festivais também fazem parte dessa caminhada. Com a Vidativa Academia, Michele conquistou diversos prêmios e reconhecimento em eventos realizados dentro e fora do Rio Grande do Sul. Entre as lembranças mais marcantes está a classificação da bailarina Andiara Luis Ramos Soares para um festival internacional em Buenos Aires, em 2015, levando o nome da academia e de São Francisco de Assis para além das fronteiras brasileiras.

Sua atuação na educação pública também merece destaque. Entre 2013 e 2015, ministrou aulas de dança no CRAS de São Francisco de Assis, proporcionando acesso à arte para crianças e adolescentes atendidos pelo serviço. Também desenvolveu trabalho de expressão corporal na Escola João e Maria.

Em 2024, movida pelo desejo de transmitir ao filho o amor pela cultura gaúcha e pela dança tradicionalista, Michele e seu esposo passaram a integrar a Invernada Veterana do CTG Negrinho do Pastoreio, ampliando ainda mais sua ligação com as manifestações culturais da região.

Outra paixão que acompanha sua trajetória é o Carnaval. Desde 2014, é responsável pela coreografia da comissão de frente da Escola de Samba Unidos do Pé Preto, trabalho que exige criatividade, planejamento e dedicação para transformar cada desfile em um espetáculo.

Ao olhar para trás, Michele faz questão de reconhecer aqueles que foram fundamentais em sua caminhada. Com profundo carinho, relembra sua primeira professora, carinhosamente chamada de “Tia Jacque”, responsável por despertar nela não apenas o amor pela dança, mas também pela arte de ensinar. Foi com ela que aprendeu que disciplina, dedicação e paixão caminham juntas.

Outro nome lembrado com gratidão é José, parceiro durante muitos anos na Escola de Dança Ballerina, contribuindo significativamente para sua formação profissional.

Em São Francisco de Assis, Michele destaca a importância de Lúcia Salbego, parceira de longa data que acredita no potencial da dança como instrumento de transformação e que, há anos, compartilha do mesmo sonho de formar artistas e cidadãos.

Mas, acima de tudo, Michele reconhece na família sua maior fonte de apoio. Pais, irmão, cunhados, sobrinho, sogros, esposo e filho acompanham cada conquista, cada espetáculo e cada desafio, oferecendo incentivo permanente para que continue fazendo da dança sua missão de vida.

Hoje, Michele é reconhecida muito além dos palcos. É uma professora que inspira, uma coreógrafa que emociona e uma educadora que acredita no poder transformador da arte.

Ao longo dos anos, centenas de bailarinas e bailarinos passaram por suas mãos. Muitos seguiram carreira, outros levaram para a vida os ensinamentos sobre disciplina, respeito, dedicação e sensibilidade.

Sua história é construída diariamente, passo após passo, aula após aula, ensaio após ensaio. Uma trajetória marcada pelo compromisso com a cultura, pela formação de novas gerações e pela certeza de que ensinar a dançar é, também, ensinar a acreditar em si mesmo.

Como costuma dizer:

“Dançar é escrever um poema que se faz com o corpo e se lê com a alma.”

E é justamente assim que ela escreve, todos os dias, sua própria história: com o corpo, com a alma e com um amor incondicional pela dança.

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