“Não sabia a hora de parar”: diz alegretense que perdeu mais de R$ 60 mil em apostas

As plataformas de apostas esportivas estão cada vez mais presentes na rotina dos brasileiros. Patrocinam clubes de futebol, campeonatos, programas de televisão e ocupam espaço nas mais diversas mídias.

Ao mesmo tempo em que o setor cresce e movimenta bilhões de reais, aumentam também os relatos de pessoas que desenvolveram dependência em jogos de azar e enfrentam dificuldades para abandonar o hábito.

Em Alegrete, a história de um homem de 29 anos revela como o que começou como um simples passatempo acabou se transformando em um problema que trouxe prejuízos financeiros e emocionais. Ao longo dos últimos anos, ele estima ter perdido mais de R$ 60 mil em apostas esportivas. Somente durante esta edição da Copa do Mundo, o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 7 mil.

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Segundo ele, tudo começou de forma despretensiosa. As apostas eram feitas para acompanhar partidas de futebol e tornar os jogos mais emocionantes, principalmente quando envolviam seu time do coração. No entanto, aos poucos, o hábito deixou de ser apenas um lazer.

A expectativa pelo próximo jogo e pela possibilidade de conquistar um grande prêmio passou a dominar sua rotina. A ansiedade aumentava a cada aposta e a necessidade de recuperar perdas ou ampliar ganhos fazia com que ele permanecesse por horas nas plataformas. “Começou como um hobby, mas chegou um momento em que eu já não conseguia mais parar. Eu vivia pensando nas apostas”, relata.

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Ele conta que nunca costumava apostar valores baixos. O objetivo sempre era conquistar ganhos expressivos e, mesmo quando conseguia algum retorno, dificilmente retirava o dinheiro da plataforma. “Colocava dinheiro e, se não ganhasse um montante satisfatório, não tirava. Ia deixando lá e apostando de novo para tentar chegar em um valor maior. Assim fui indo.”

Essa busca constante por um prêmio maior fez com que as perdas se acumulassem ao longo dos anos. Quando perdia, aumentava o valor das apostas para tentar recuperar o dinheiro. Quando ganhava, acreditava que poderia lucrar ainda mais e seguia apostando. Sem perceber, havia entrado em um ciclo difícil de interromper.

As mudanças de comportamento também passaram a ser percebidas por amigos e pessoas próximas. Um deles afirma que acompanhou de perto a rotina de apostas e percebeu como a dependência foi se instalando.

“Acompanhei de perto a rotina de apostas do meu amigo e o padrão era sempre o mesmo, um ciclo vicioso muito claro. Quando ele estava perdendo, o comportamento mudava instantaneamente: ficava visivelmente nervoso, ansioso, quase desesperado, com o foco total na tela, tentando recuperar o prejuízo a qualquer custo.

Nos momentos em que a plataforma dava um retorno ou um ganho momentâneo, o estado de espírito dele mudava completamente para uma euforia desmedida. Era nesse instante, de falsa sensação de vitória, que o problema se agravava: ele não parava, acreditando que a sorte continuaria. Ele aumentava as apostas, elevava os valores e o ciclo de nervosismo recomeçava logo em seguida.

Presenciei isso inúmeras vezes. O resultado final era quase sempre o mesmo: ele terminava a sessão de cabeça baixa, desolado, após ter perdido tudo o que tinha. Não foi um erro isolado, mas uma sequência recorrente de perdas que destruiu o controle dele.”

Segundo o amigo, diversas conversas foram realizadas ao longo dos anos na tentativa de convencê-lo a buscar ajuda e interromper o ciclo das apostas. Apesar dos alertas, admitir que havia desenvolvido uma dependência foi um processo difícil.

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Nesta semana, incentivado justamente por esse amigo, o alegretense decidiu dar um passo considerado decisivo para mudar de vida. Ele utilizou a ferramenta disponibilizada pelo Governo Federal para solicitar o bloqueio do próprio CPF nas plataformas de apostas legalizadas, impedindo o acesso às chamadas bets autorizadas a operar no país.

Para ele, a decisão representa o início de uma nova fase.

“Eu fiquei dependente das casas de apostas. Chegou um momento em que eu não sabia mais a hora de parar.”

Agora, longe das plataformas, ele afirma que quer reorganizar sua vida financeira e recuperar o tempo perdido. Entre as metas estão voltar a economizar, reconstruir sua estabilidade econômica e realizar sonhos que acabaram sendo adiados em razão do dinheiro perdido nas apostas.

Além de compartilhar sua história, ele espera servir de exemplo para outras pessoas que estejam vivendo situação semelhante. Segundo o alegretense, a dependência acontece de forma silenciosa e, muitas vezes, quando o apostador percebe que perdeu o controle, os prejuízos financeiros e emocionais já são significativos.

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Especialistas alertam que o vício em apostas esportivas pode provocar consequências semelhantes às observadas em outros transtornos relacionados aos jogos de azar. Endividamento, ansiedade, alterações de comportamento, isolamento social e conflitos familiares estão entre os principais impactos. Quando o jogo deixa de ser entretenimento e passa a comprometer a vida pessoal, financeira e emocional, a recomendação é buscar apoio da família e acompanhamento profissional para romper o ciclo da dependência e iniciar o processo de recuperação.

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