Próxima safra de soja preocupa produtores diante de endividamento e custos elevados

A colheita da safra de verão 2025/2026 está chegando ao fim no Rio Grande do Sul e os números consolidados confirmam uma redução significativa na produtividade da soja em relação às expectativas iniciais.

Os dados foram divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural da última quinta-feira (11) e revelam os impactos das condições climáticas enfrentadas ao longo do ciclo produtivo.

De acordo com o levantamento, a produtividade média da soja no Estado foi reestimada em 2.707 quilos por hectare, o equivalente a 45,11 sacas por hectare. O resultado representa uma redução de 14,8% em relação à projeção inicial de 3.180 quilos por hectare (53 sacas), divulgada antes do plantio. A área cultivada também apresentou retração de 1,5%, totalizando 6,69 milhões de hectares.

Clique aqui para receber as notícias do PAT pelo Canal do WhatsApp

Mesmo com a queda na produtividade, a produção estadual de soja foi estimada em 18,13 milhões de toneladas, volume 32,9% superior ao registrado na safra anterior, quando a estiagem comprometeu fortemente as lavouras gaúchas. Segundo a Emater/RS-Ascar, os resultados refletem a grande variabilidade das condições climáticas observadas nas diferentes regiões do Estado.

Em Alegrete, a realidade também foi marcada pela redução dos rendimentos. A reportagem do PAT conversou com o engenheiro agrônomo da Emater local, Tiago Pedroso, que confirmou os reflexos das dificuldades climáticas e econômicas enfrentadas pelos produtores rurais durante a safra.

Segundo Pedroso, a produtividade média da soja no município ficou em torno de 35 sacas por hectare, índice inferior à média estadual. Além disso, houve uma diminuição próxima de 10% na área efetivamente colhida em comparação ao que era previsto inicialmente.

“A redução da produtividade também será sentida em Alegrete. Tivemos uma colheita média em torno de 35 sacos por hectare e uma diminuição de praticamente 10% na área prevista para colheita, reflexo das dificuldades enfrentadas pelos produtores ao longo do ciclo da safra”, destacou o agrônomo.

Enquanto isso, a colheita do milho já alcança 98% da área cultivada no Rio Grande do Sul. A produtividade média foi estimada em 7.362 quilos por hectare, praticamente mantendo a projeção inicial. A produção estadual do cereal deverá atingir 5,98 milhões de toneladas, representando um crescimento de 13,1% em relação à safra anterior.

O cenário para a próxima temporada, no entanto, preocupa o setor produtivo. O presidente da Aprosoja/RS, Ireneu Orth, avalia que além das condições climáticas, a situação financeira dos produtores será determinante para a safra 2026/2027. Segundo ele, muitos agricultores enfrentam dificuldades para acessar crédito devido ao endividamento acumulado dos últimos anos, aliado aos baixos preços da soja e aos elevados custos de produção.

Orth alerta que, caso não haja medidas que auxiliem na recuperação financeira do setor, parte das áreas poderá deixar de ser cultivada na próxima safra ou ser conduzida com menor investimento em tecnologia, fertilizantes e insumos, fatores que podem comprometer novamente os resultados produtivos no Rio Grande do Sul.

⚠️Todo conteúdo reproduzido nesta página é exclusivo do Alegrete Tudo e protegido por direitos autorais. É vedada a reprodução total ou parcial sem autorização prévia e expressa, mesmo com a devida citação da fonte.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*