Dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) apontam que Alegrete contabilizou 233 acidentes de trabalho registrados em 2026, reforçando a necessidade de ampliar ações de prevenção, fiscalização e promoção da saúde dos trabalhadores.
Na área de abrangência do Cerest Oeste, que atende municípios da Fronteira Oeste, 1.340 acidentes de trabalho já foram oficialmente registrados no sistema apenas neste ano. Os dados revelam que os acidentes típicos continuam sendo a principal ocorrência envolvendo trabalhadores da região.
Clique aqui para receber as notícias do PAT pelo Canal do WhatsApp
Entre os casos mais frequentes estão quedas de altura, queimaduras, cortes, traumas, prensamento de membros superiores e inferiores, acidentes com objetos estranhos nos olhos, quedas da própria altura, acidentes envolvendo animais, além de ocorrências no trânsito durante o deslocamento para o trabalho ou no exercício da atividade profissional. Também integram as notificações doenças relacionadas ao trabalho, como Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORT), transtornos mentais, intoxicações exógenas e casos de violência no ambiente laboral.
Dois trabalhadores morreram em Alegrete
Os dados do Cerest também apontam que duas mortes relacionadas ao trabalho foram registradas em Alegrete neste ano. Um dos casos ocorreu em decorrência da queda de uma árvore durante a atividade profissional. O outro óbito teve como causa violência autoprovocada, situação igualmente enquadrada nas estatísticas de saúde do trabalhador.
Na região de abrangência do Cerest Oeste, foram contabilizadas sete mortes de trabalhadores no primeiro semestre de 2026. Além das duas ocorridas em Alegrete, houve dois óbitos em Santana do Livramento, dois em Rosário do Sul e um em Uruguaiana.
Acidentes geram reflexos na Justiça
Além dos impactos humanos e sociais, os acidentes de trabalho também chegam ao Poder Judiciário. Na 30ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, especializada em acidentes de trabalho, mais de 3 mil processos dessa natureza já foram ajuizados.
Clique aqui para receber as notícias do PAT pelo Canal do WhatsApp
Em Alegrete, conforme levantamento apresentado, existem atualmente 454 processos trabalhistas em tramitação em 2026, dos quais 45 são ações acidentárias, envolvendo acidentes típicos e doenças ocupacionais. Isso representa aproximadamente 10% de todas as ações trabalhistas ajuizadas no município.
Brasil registra maior número de acidentes da história
O cenário local acompanha uma tendência nacional preocupante. Segundo estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, 2025 foi o ano com maior número de acidentes e mortes no trabalho desde o início da série histórica.
Foram registrados 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes em todo o país apenas no ano passado. Na última década, entre 2016 e 2025, o Brasil acumulou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos, além de mais de 106 milhões de dias de afastamentos temporários provocados por acidentes e doenças ocupacionais.
Os dados mostram que, desde 2020, os acidentes cresceram 65,8%, enquanto as mortes aumentaram 60,8%, indicando que a expansão do emprego formal não foi acompanhada por investimentos proporcionais em segurança e prevenção.
Prevenção continua sendo o melhor caminho
Especialistas em saúde do trabalhador destacam que grande parte dos acidentes pode ser evitada por meio da adoção de medidas preventivas, como treinamentos periódicos, fornecimento e uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), manutenção adequada de máquinas e equipamentos, fiscalização das condições de trabalho e fortalecimento da cultura de segurança nas empresas.
Para o Cerest, a notificação dos acidentes também desempenha papel fundamental, pois permite identificar os setores mais vulneráveis, orientar políticas públicas e desenvolver ações educativas voltadas à redução dos riscos ocupacionais.
Embora os números de Alegrete representem uma parcela dos registros estaduais, eles evidenciam que os acidentes de trabalho permanecem como um importante problema de saúde pública e reforçam a necessidade de mobilização conjunta entre empregadores, trabalhadores e órgãos públicos para preservar vidas e garantir ambientes laborais mais seguros.

Seja o primeiro a comentar