O caso aconteceu durante a cerimônia conhecida entre pilotos como “batismo”, em que instrutores costumam despejar óleo usado de motores de aeronaves sobre o aluno para marcar a conquista.
Pouco antes da celebração, Gustavo compartilhou nas redes sociais a emoção por alcançar um dos momentos mais importantes de sua formação como piloto.

“Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui”, escreveu ao publicar uma foto ao lado da aeronave.
Familiares e amigos haviam sido convidados para acompanhar a comemoração. Durante o trote, segundo a Polícia Civil, um instrutor lançou o óleo sobre Gustavo. Logo depois, ele sofreu uma reação anafilática — uma forma grave de alergia — que evoluiu para uma crise convulsiva e três paradas cardiorrespiratórias.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram os primeiros socorros. As duas primeiras paradas cardíacas foram revertidas, mas Gustavo não resistiu à terceira. Ele foi encaminhado ao hospital, onde teve o óbito confirmado.
Investigação
O caso é investigado pela Polícia Civil do Paraná. De acordo com o delegado Lucas Petry, responsável pelo inquérito, o instrutor confirmou, em depoimento, que aplicou o óleo durante a comemoração, afirmando que o procedimento é tradicional e costuma ser realizado “do pescoço para baixo”.
O instrutor apresentou-se espontaneamente à polícia, foi preso em flagrante por homicídio culposo — quando não há intenção de matar —, prestou depoimento e foi liberado após o pagamento de fiança de R$ 3 mil. A identidade dele não foi divulgada.
Segundo a Polícia Civil, até o momento não há elementos que indiquem que o suspeito tenha agido com a intenção de provocar a morte da vítima.
O que será apurado
A investigação deverá esclarecer diversos pontos para determinar a causa da morte, entre eles:
A composição do óleo utilizado na cerimônia;
A quantidade da substância aplicada;
As regiões do corpo atingidas;
Se houve contato da substância com vias respiratórias ou mucosas;
Se a exposição ao produto teve relação direta com a reação alérgica que levou à morte.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa informaram que acompanham o caso e se manifestaram sobre o ocorrido.
A morte de Gustavo Henrique Lara reacendeu o debate sobre a manutenção de trotes e rituais tradicionais em escolas de aviação, especialmente aqueles que envolvem o uso de substâncias potencialmente nocivas à saúde.
Fonte: Metrópoles

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