Foi justamente essa imagem que um vídeo gravado em Alegrete trouxe de volta. Aos 13 anos, João Madalozzo, filho da família proprietária do Mercado Madalozzo, demonstra um carinho especial pela vida campeira. Ele estava acompanhado do primo Arthur. Ainda que não viva diariamente a rotina do campo, cultiva um hábito que atravessa gerações: montar a cavalo.
Clique aqui para receber as notícias do PAT pelo Canal do WhatsApp
Mais do que um passeio, para João cada cavalgada representa um encontro com uma parte da identidade gaúcha. Atualmente, ele também se prepara para participar do tradicional desfile, um dos momentos mais aguardados do calendário farroupilha.
Em muitas cidades brasileiras, um cavalo circulando pelas ruas seria motivo de surpresa. Em Alegrete, porém, ainda existem cenas que resistem ao tempo. Não é raro encontrar moradores que seguem utilizando o cavalo para pequenos deslocamentos, para o trabalho ou simplesmente porque essa forma de viver continua fazendo sentido. É uma tradição passada de pais para filhos, de avós para netos.
O cavalo nunca foi apenas um meio de transporte no Rio Grande do Sul. Ele ajudou a desbravar o Pampa, conduziu tropas, aproximou famílias, impulsionou a economia e tornou-se um dos maiores símbolos da cultura gaúcha. As cavalgadas, hoje presentes em desfiles e eventos tradicionalistas, nasceram justamente dessa relação histórica entre o homem do campo e seu companheiro inseparável.
Especialistas apontam que o tradicionalismo gaúcho permanece vivo porque consegue envolver as novas gerações em atividades que valorizam a história, a convivência familiar e o sentimento de pertencimento. Mais do que preservar vestimentas ou costumes, trata-se de manter viva uma identidade cultural construída ao longo dos séculos.
E talvez seja exatamente isso que faz a cena de João despertar tanta simpatia. Ela lembra uma época em que os guris passavam a infância entre mangueiras, potreiros e estradas de chão; quando aprender a encilhar um cavalo era quase um rito de passagem; quando o relógio parecia andar no mesmo compasso do trote.
É claro que os tempos mudaram. A tecnologia transformou comportamentos e aproximou o mundo inteiro da palma da mão. Mas há tradições que continuam encontrando espaço no coração de quem entende que modernidade e raízes podem caminhar juntas.
Enquanto muitos adolescentes sonham em acelerar carros esportivos nos videogames, João prefere ouvir o som compassado dos cascos sobre o chão. Há poesia nisso.
Porque, no fundo, cada vez que um jovem escolhe vestir a bombacha, preparar a montaria e seguir por uma estrada de terra, ele não está apenas montando um cavalo.
Está levando adiante uma história.
E histórias como essa fazem lembrar que Alegrete continua sendo uma terra onde o passado não ficou para trás. Ele ainda passa pelas ruas, de chapéu, bombacha, lenço no pescoço… e, muitas vezes, montado em um cavalo.
Talvez seja justamente por isso que essas imagens despertem tanta saudade. Elas nos fazem acreditar que, enquanto existir um guri disposto a aprender a lida, respeitar o campo e cultivar as tradições, haverá sempre um pedaço do Rio Grande galopando rumo ao futuro.






Seja o primeiro a comentar