O Rio Grande do Sul está entre as regiões brasileiras mais suscetíveis aos efeitos do excesso de chuvas associados ao evento climático, cenário que pode impactar diretamente a produção e elevar os custos nas propriedades.
Estudos realizados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), apontam que o aumento do volume de precipitações pode provocar encharcamento do solo, dificultar o manejo das pastagens, reduzir a qualidade das forragens conservadas e ampliar os desafios sanitários dos rebanhos.
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Além dos impactos diretos sobre as áreas de pastejo, as condições climáticas também podem afetar a produção de grãos utilizados na alimentação animal, aumentando a volatilidade dos preços de insumos como milho, farelo de soja, silagem e feno. Em consequência, os produtores podem enfrentar elevação nos custos de produção e dificuldades logísticas causadas por estradas alagadas ou deterioradas.
A médica-veterinária Raquel Cannavô explica que os reflexos do fenômeno são percebidos em praticamente todas as etapas da atividade pecuária.
“Essa incerteza climática causa uma instabilidade na agropecuária, porque o clima interfere em tudo. Ele vai interferir na sanidade, no manejo, na produção da propriedade e nas pastagens”, afirma.
Com a redução da qualidade das pastagens, muitos produtores precisam recorrer à suplementação alimentar para manter o desempenho dos rebanhos. Nos sistemas confinados, os desafios incluem o aumento dos custos dos insumos e as dificuldades de transporte e abastecimento.
Outro ponto de atenção é o avanço de doenças favorecidas pela alta umidade. A lama constante e os solos encharcados criam um ambiente propício para o surgimento de verminoses, problemas de casco, dermatites e outras enfermidades.
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Como o fenômeno deve se estender até o verão, o calor associado à umidade também preocupa os especialistas. Nessas condições, os animais passam a gastar mais energia para regular a temperatura corporal, reduzindo o potencial produtivo. “Em vez de gastar energia para a produção de leite, eles estão tentando compensar por causa do calor”, explica a veterinária. De acordo com a especialista, vacas leiteiras submetidas ao estresse térmico podem apresentar redução de 10% a 30% na produção, além de queda na fertilidade e maior predisposição a doenças.
Entre as estratégias recomendadas estão a formação de estoques de alimento, o monitoramento constante da saúde dos animais, a ampliação da oferta de sombra e água, além de melhorias na infraestrutura das propriedades para evitar o acúmulo de lama e o encharcamento das áreas de manejo.
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Com a possibilidade de um novo ciclo de chuvas intensas nos próximos meses, especialistas reforçam que a antecipação das medidas e o planejamento das atividades serão fundamentais para minimizar os impactos do El Niño sobre a pecuária gaúcha.
Fonte: Correio do Povo e Inspetoria Veterinária

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