Hellen Tito, a primeira mulher alegretense faixa preta de jiu-jitsu

Professora e atleta, Hellen Giovana Tito Brazeiro transforma vidas por meio do esporte

Ela construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao esporte, pela formação de atletas e pelo compromisso com causas sociais. Faixa preta de jiu-jitsu e faixa marrom de judô, Hellen atua há vários anos na área esportiva, conciliando ensino, treinamento e participação em competições.

No judô, soma conquistas expressivas, como o título de Campeã Estadual em 2024, Campeã Sul-Brasileira em 2017 e tricampeã do Campeonato do Interior, resultados que refletem sua disciplina e constância no alto rendimento. Formada em Educação Física e atualmente cursando Pedagogia, ela também atua como professora de musculação, jiu-jitsu e judô, trabalhando com alunos de diferentes idades e sempre valorizando o respeito, a disciplina e o desenvolvimento pessoal.

Recentemente, Hellen ampliou sua atuação esportiva para as corridas de rua, modalidade na qual já conquistou pódios importantes, com 2º lugar nos 3 km e 3º lugar nos 5 km, ambos na categoria de 25 a 29 anos. Para ela, o esporte vai além da competição e se apresenta como uma poderosa ferramenta de educação e transformação social.

Desde a adolescência, quando estudava em uma escola rural, Hellen sempre esteve envolvida com atividades esportivas, praticando vôlei e futebol. Hoje, utiliza essa vivência para incentivar novas gerações a adotarem um estilo de vida ativo e saudável. Até estreou em corridas de rua na cidade.

Engajada em causas sociais, a professora destaca seu trabalho no combate à violência contra a mulher, utilizando o jiu-jitsu como instrumento de defesa pessoal e empoderamento de mulheres e crianças. Atualmente, Hellen desenvolve suas atividades na Academia Flex, no Projeto ADRA e no Projeto Arte na Escola, onde promove inclusão, autoestima e cidadania por meio do esporte. É com essa fera do esporte local que o PAT conversou. Confira a entrevista na íntegra:

PAT: Como foi o seu primeiro contato com o jiu-jitsu e o que te motivou a continuar até a faixa preta?
Meu primeiro contato com o jiu-jitsu foi de forma simples, sem imaginar o quanto ele mudaria a minha vida. No início, era apenas curiosidade e vontade de aprender algo novo, mas logo percebi que o jiu-jitsu ia muito além da luta. A cada treino eu aprendia não só técnicas, mas também disciplina, autocontrole e superação. O que me motivou a continuar até a faixa preta foi justamente esse processo: a evolução constante, os desafios diários e o desejo de me tornar uma versão melhor de mim mesma dentro e fora do tatame.

PAT: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou ao longo da sua trajetória no esporte, especialmente sendo mulher?
Ser mulher em um esporte ainda predominantemente masculino trouxe muitos desafios. Enfrentei preconceitos, falta de incentivo e, muitas vezes, a necessidade de provar constantemente minha capacidade. Além disso, conciliar treinos, trabalho e vida pessoal nunca foi fácil. Mas cada dificuldade me fortaleceu e me mostrou que o espaço da mulher no jiu-jitsu deve ser conquistado com confiança, preparo e perseverança.

PAT: O que representa para você ser professora e referência do jiu-jitsu em Alegrete?
Ser professora e referência em Alegrete é motivo de muito orgulho e responsabilidade. Representa a chance de transformar vidas por meio do esporte, assim como o jiu-jitsu transformou a minha. Ver alunos crescendo, superando limites e levando os valores do jiu-jitsu para a vida é algo que não tem preço.

PAT: Como você define sua filosofia de ensino dentro do tatame?
Minha filosofia de ensino é baseada no respeito, na disciplina e na evolução individual. Acredito que cada aluno tem seu tempo e sua própria caminhada. Busco ensinar técnica, mas também consciência corporal, humildade e confiança, criando um ambiente seguro, acolhedor e motivador para todos.

PAT: De que forma o jiu-jitsu impactou sua vida pessoal e profissional fora do esporte?
O jiu-jitsu me ensinou a lidar melhor com desafios, frustrações e pressão. Fora do tatame, me tornei uma pessoa mais confiante, resiliente e disciplinada. Profissionalmente, o esporte me abriu portas, me deu propósito e me ensinou a liderar com empatia e responsabilidade.

PAT: Quais valores você busca transmitir aos seus alunos além da técnica?
Além da técnica, faço questão de transmitir valores como respeito, humildade, disciplina, perseverança e autocontrole. Quero que meus alunos entendam que o jiu-jitsu é uma ferramenta para a vida, não apenas um esporte.

PAT: Na sua visão, como o jiu-jitsu pode contribuir para a autoestima e a segurança das mulheres?
O jiu-jitsu mostra para a mulher que ela é capaz, forte e preparada. Ele aumenta a autoestima, ensina defesa pessoal e ajuda a quebrar medos e inseguranças. Mais do que aprender a se defender, a mulher aprende a confiar em si mesma.

PAT: Existe alguma luta, competição ou momento marcante da sua carreira que você nunca esquece?
Existem muitos momentos marcantes, mas a conquista da faixa preta com certeza é inesquecível. Ela representa anos de dedicação, sacrifícios, quedas e recomeços. Cada competição também deixou aprendizados que carrego até hoje.

PAT: Como você enxerga o crescimento do jiu-jitsu feminino atualmente, especialmente em Alegrete?
Vejo um crescimento muito positivo do jiu-jitsu feminino, tanto em número quanto em qualidade. Em Alegrete, cada vez mais mulheres estão ocupando o tatame, se fortalecendo e mostrando que o jiu-jitsu também é lugar delas. Isso é motivo de muita alegria e esperança para o futuro do esporte.

PAT: Que conselho você daria para crianças, jovens ou mulheres que têm vontade de começar no jiu-jitsu, mas ainda têm medo ou insegurança?
Meu conselho é: comece. O medo faz parte, mas ele diminui a cada treino. O jiu-jitsu acolhe, ensina e fortalece. Não é preciso ser forte para começar; é o jiu-jitsu que te torna forte. Dê o primeiro passo e permita-se viver essa transformação.

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