Capela Queimada – símbolo do início da formação do território de Alegrete está abandonada no Inhanduí

Uma edificação histórica no meio do campo, da Região do Inhanduí, interior de Alegrete, que marca o início de Alegrete- a Capela Queimada foi reconstituída em 2001, na gestão do então prefeito José Rubens Pillar.

Na ocasião foi realizado um evento de entrega da Capela com autoridades e uma missa proferida pelo padre Paulo Aripe -Potrilho. Na parede de fundos da Capela foi pintado um painel, pelo artista Roberto Caturra, retratando a história e nas paredes escritos que contam parte dessa passagem com mais de 200 anos.

Passados 25 anos dessa revitalização, o vereador Leandro Meneghetti que, também é técnico agrícola, e percorre o interior do município a trabalho passou na Capela Queimada e o que viu foram cenas de abandono do local. Sem parte do teto, da porta e tomada de mato a edificação que representa parte de nossa história conta agora com o descaso, numa cena que não condiz com a importância histórica dessa Capela para Alegrete.

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Em uma matéria do Alegrete Tudo, datada de 2023, uma equipe da Secretaria de Infraestrutura do Município realizou pinturas e reparos na Capela Queimada, onde o Grupo dos Cavaleiros de Alegrete realizou uma visita e depois vieram em cavalgada até a cidade. De lá para cá, o prédio não teve nenhuma outra melhoria e agora sofre as intempéries da natureza.

O professor Doutor em História da Unipampa, que preside o Conselho do Patrimônio Histórico de Alegrete, Anderson Pereira Corrêa, comentou que na sua opinião é uma lugar que deve ser consagrado a memória de Alegrete e que até agora não está no inventário desse patrimônio histórico que merece tombamento e recursos para preservar o prédio, assim como casas aqui na área urbana. Ele lembra quem mesmo a Capela onde houve o incêndio não ter sido exatamente naquele local, o prédio com painéis precisa ser preservado.

O prefeito Jesse Trindade dos Santos lembra que antes de qualquer manutenção, melhoria ou recuperação é preciso regularizar a área, pois o local onde está a Capela Queimada é privado, esclareceu. Ele diz que existe o entendimento de que é importante recuperar, porém lembra o prefeito que antes de investir recursos públicos em locais privados é preciso a regularização, para que se respeite todos os ritos legais que norteiam a administração municipal.

Sobre a Capela Queimada

O primeiro povoamento luso foi em um posto jesuítico na Capela do Inhanduí (junto ao rio do mesmo nome) que existia do tempo das missões, pertencente a estância de Japeju. Em 1805 foi estabelecido no mesmo lugar uma guarda militar portuguesa, depois incendiada em 16 de setembro de 1816 pelos orientais na disputa pelo território, ficando conhecida como Capela Queimada. Em 1806, o tenente José de Abreu, futuro marechal e barão do Cerro Largo, sob sua proteção levantou uns arranchamentos junto à Guarda, com sua força militar, além de artesãos, tropeiros, mascates, comerciantes, índios missioneiros, e algumas famílias.

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Quando a Capela foi queimada, os habitantes fugiram para outro local as margens do rio Ibirapuitã, onde havia um acampamento militar e aí, em 1817, surgiu o novo povoado e hoje cidade de Alegrete, sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, em terras do sesmeiro e doador destas terras Antônio José de Vargas. A elevação político-administrativa de povoado à Vila se deu em 25 de outubro de 1831.

Alegrete sediou a uma Assembleia Nacional Constituinte em 1º de dezembro de 1842, onde foi promulgada uma Constituição Republicana, considerada a primeira da América do Sul, durante o período em que o Rio Grande do Sul foi um País independente (1836-1845) com o nome de República Rio-grandense. Aqui também foi a 3ª Capital da República Rio-grandense (1842-1845) durante a denominada Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha (1835-1845). Alegrete adquiriu o foro de cidade em 22 de janeiro de 1857.

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