Registros de abigeato aumentam 70% em Alegrete, mas polícia afirma que criminalidade está em queda

Os registros de abigeato em Alegrete apresentaram aumento de 70% nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul apontam que foram contabilizadas 17 ocorrências entre janeiro e maio deste ano, contra 10 registros no mesmo intervalo de 2025.

No cenário estadual, o crime de furto de animais também registrou crescimento. Conforme levantamento da Secretaria da Segurança Pública, o Rio Grande do Sul contabilizou 1.359 ocorrências de abigeato nos primeiros meses de 2026, representando aumento de 8% em relação ao ano anterior.

A atuação de quadrilhas especializadas, que utilizam caminhões para transportar animais furtados, tem preocupado produtores rurais em diversas regiões do Estado. Apesar disso, a Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Decrab) considera os furtos em grande escala casos pontuais e mantém o foco em ações de inteligência e investigação.

Em Alegrete, os números mostram que abril foi o mês com maior incidência de registros, com cinco ocorrências. Já março apresentou três casos comunicados às autoridades. Em maio, não houve registro de abigeato no município.

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No mesmo período de 2025, março havia sido o mês com maior número de ocorrências, com quatro casos. Entre abril e maio daquele ano, foram registrados apenas dois episódios.

Apesar do aumento estatístico, o delegado Jair dos Anjos, titular da Decrab responsável pela região, afirma que os indicadores não refletem necessariamente um crescimento real da criminalidade rural.

Segundo ele, a região Extremo Oeste, que engloba 16 municípios, vem apresentando redução nos índices de abigeato ao longo dos últimos meses.

“Estamos reduzindo o abigeato na região. Os indicadores do Estado podem estar diferentes, mas na região Extremo Oeste os números são positivos”, afirmou.

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O delegado explica que, em dezembro de 2025, foram contabilizados cerca de 40 casos em toda a área de abrangência da Decrab. A partir daí, houve estabilização dos números em março e abril e uma redução significativa em maio e junho, especialmente neste último mês.

“Alegrete faz parte dessa redução. Não conseguiríamos resultados tão expressivos sem que o município estivesse incluído, principalmente por possuir o maior rebanho da região”, destacou.

Jair dos Santos também ressaltou que o aumento dos registros pode estar relacionado à intensificação das ações policiais e não necessariamente ao crescimento do número de crimes praticados.

Segundo ele, quando ocorrem prisões de suspeitos de abigeato ou o cumprimento de mandados relacionados a investigações do setor, os registros acabam sendo lançados sob a natureza de abigeato, impactando os indicadores oficiais.

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“Não necessariamente ocorreram mais abigeatos, mas sim mais registros. Quando realizamos prisões ou operações contra grupos criminosos, a ocorrência é cadastrada com essa tipificação. O mesmo acontece com o tráfico de drogas: quando a repressão aumenta, os registros também crescem. Por isso, os números podem indicar aumento sem que haja, de fato, mais crimes acontecendo”, explicou.

A avaliação da polícia é de que a intensificação das operações, o trabalho de inteligência e a repressão qualificada têm contribuído para a redução efetiva dos crimes rurais na região, mesmo diante do aumento registrado nas estatísticas oficiais.

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