Suspensão da vacina do Butantan contra a dengue não afeta imunização de crianças em Alegrete

A suspensão preventiva da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, anunciada pelo Ministério da Saúde, não altera o cronograma de vacinação destinado a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em Alegrete.

A informação foi confirmada pela técnica de enfermagem Clarice Machado Pinto, que atua no setor de Vigilância Epidemiológica do município.

A medida adotada pelo Ministério da Saúde ocorreu após o registro de eventos adversos raros associados temporalmente à aplicação do imunizante. Entre mais de 500 mil pessoas vacinadas, foram notificadas 42 reações consideradas raras e inesperadas, além de três casos graves, dos quais dois evoluíram para óbito. Até o momento, não há comprovação de que os casos graves tenham sido causados pela vacina, mas as autoridades sanitárias decidiram suspender temporariamente a aplicação para aprofundar as investigações.

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Segundo Clarice Machado Pinto, é importante esclarecer que existem duas vacinas diferentes contra a dengue utilizadas no país.

“São dois laboratórios bem diferentes. Um é produzido no Japão, a Qdenga, que é usada nas crianças, e a que houve suspensão é do Butantan”, explicou.

A vacina suspensa era destinada exclusivamente aos profissionais da Atenção Básica de Saúde. Em Alegrete, a orientação do Ministério da Saúde foi imediatamente seguida pelas equipes locais.

“Estamos observando os sintomas daqueles que fizeram dentro dos 21 dias. Se algum deles apresentar sintomas, consulta médica e é feita a notificação do evento adverso”, relatou a profissional.

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De acordo com a Vigilância Epidemiológica, não houve registros recentes de eventos graves entre os profissionais vacinados no município. Clarice destaca que, nas primeiras aplicações, alguns trabalhadores da saúde apresentaram sintomas leves, como febre, dores no corpo e exantema (manchas na pele), situações que foram devidamente notificadas.

“Como alguns profissionais apresentaram sintomas leves de febre, dor no corpo e exantema, todos eles foram notificados. E aí o pessoal ficou com receio de fazer a vacina para não ter esses eventos adversos leves, e não houve uma grande procura pela vacinação”, afirmou.

Enquanto a investigação nacional prossegue, a vacinação infantil contra a dengue segue normalmente nas Estratégias de Saúde da Família (ESFs) do município. A imunização utiliza a vacina Qdenga, produzida por laboratório japonês e disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2024.

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O Ministério da Saúde reforça que as pessoas que receberam a vacina do Butantan devem apenas monitorar o estado de saúde durante os 21 dias após a aplicação. A orientação é procurar atendimento médico em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou qualquer piora do estado geral.

Segundo a pasta, a suspensão foi determinada por precaução e não significa que a vacina tenha deixado de ser considerada segura. O sistema de farmacovigilância identificou um sinal de alerta que precisa ser analisado com mais profundidade por especialistas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.

As doses já distribuídas permanecerão armazenadas na rede de frio até a conclusão das investigações. Ainda não há prazo definido para uma decisão sobre a retomada da vacinação com o imunizante do Butantan.

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Enquanto isso, as autoridades de saúde de Alegrete seguem monitorando os profissionais vacinados e reforçam que a imunização do público infantil permanece disponível normalmente nas unidades de saúde do município.

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