“A dança já faz parte de mim”: aos 18 anos, alegretense aposta na chula para manter viva a tradição gaúcha

Aos 18 anos, Matheus Padilha Ferrari concilia o Ensino Médio com a dedicação ao tradicionalismo e busca evoluir na modalidade que descobriu neste ano

Aos 18 anos, completados em junho, o alegretense Matheus Padilha Ferrari vive uma fase de mudanças e novos desafios dentro do tradicionalismo gaúcho. Estudante do terceiro ano do Ensino Médio no Raymundo Carvalho, ele construiu uma trajetória ligada à cultura gaúcha e, atualmente, tem na chula seu principal foco.

Integrante da Invernada Juvenil do Centro Farroupilha de Tradições Gaúchas, Matheus recentemente encerrou sua participação nas danças tradicionais da categoria juvenil em razão da maioridade. A despedida, porém, não significou o afastamento do tradicionalismo. Pelo contrário: o jovem decidiu concentrar seus esforços na chula, modalidade que começou a praticar neste ano e que já ocupa um espaço importante em sua vida.

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Em 2026, Matheus também viveu um desafio inédito: participou pela primeira vez das classificatórias adultas de chula para o ENART — Encontro de Artes e Tradição Gaúcha. Apesar de não ter conquistado a classificação para a fase final, o resultado não diminuiu sua disposição para continuar treinando e aperfeiçoando a técnica.

“Estou no plantio, para no futuro alcançar meus objetivos. A dança já faz parte de mim”, afirma.

O jovem também faz questão de reconhecer as pessoas que estiveram ao seu lado desde o início dessa caminhada, especialmente sua mãe, Vanessa Carvalho, seu padrasto Raul Santos e os integrantes do CTG Farroupilha, que considera sua “segunda casa”.

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Foi nesse ambiente que Matheus encontrou não apenas uma atividade artística, mas uma forma de expressar sua identidade e contribuir para a preservação das tradições gaúchas.

PAT — Como você conheceu a cultura tradicionalista e o que fez você se apaixonar pela dança e pela chula?

Matheus: Por influência de um amigo que me convidou, eu fui a um ensaio dele no CTG e acabei gostando. Comecei a ver vídeos e também tive o incentivo da minha mãe, Vanessa Carvalho. Logo já estava ensaiando junto com eles. Já a chula eu iniciei, na verdade, este ano, muito por influência do professor Alisson Becker.

PAT — O que a dança tradicionalista representa para você, além da apresentação artística?

Matheus: Muita coisa. É uma paixão mesmo. Só quem está dentro desse universo sabe o quanto representa para a gente. É muito esforço, dedicação. É um tipo de orgulho que não cabe no peito.

PAT — Como é a preparação e o treinamento para uma apresentação de chula?

Matheus: É um trabalho bem árduo mesmo. Precisa de muita constância nos ensaios. Como eu falei, dedicação e determinação acima de tudo.

PAT — Quais são os maiores desafios que você enfrenta como jovem praticante da chula?

Matheus: A dificuldade está um pouco no pouco tempo que pratico a modalidade. Nas competições encontro gente que faz chula desde criancinha, então fica mais difícil de bater de frente com eles. Mas sigo o caminho do aprendizado, à base de muito esforço e dedicação pela chula.

PAT — Existe alguma pessoa que tenha sido importante na sua trajetória dentro do tradicionalismo? Como ela influenciou você?

Matheus: Meu amigo Miguel Sobrosa, pois foi através dele que conheci esse universo do tradicionalismo gaúcho. Gratidão pelo caminho que ele me mostrou.

PAT — Na sua opinião, qual é a importância de os jovens manterem vivas as tradições gaúchas nos dias de hoje?

Matheus: Aos poucos, os tradicionalistas mais antigos estão se indo, e nós, como jovens, precisamos manter nossas tradições firmes e levar nossa cultura mundo afora.

PAT — Que mensagem você deixaria para outros jovens que têm vontade de conhecer a dança, a chula e o tradicionalismo gaúcho?

Matheus: Venham para o tradicionalismo, que vocês não irão se arrepender. É uma vida de muito aprendizado e conquistas, tanto fora do palco quanto dentro dele. Tudo depende do quão grande você sonha.

Um caminho que está apenas começando

A participação nas classificatórias adultas do ENART marcou uma nova etapa na trajetória de Matheus. Mesmo sem avançar para a fase final, a experiência serviu como aprendizado e mostrou ao jovem o tamanho do desafio que decidiu enfrentar.

Com pouco tempo de prática na chula em comparação com competidores que treinam desde a infância, ele reconhece as dificuldades, mas prefere enxergar cada apresentação e cada ensaio como parte de um processo de evolução.

Aos poucos, entre passos, movimentos e horas de treinamento, Matheus constrói seu próprio caminho dentro do tradicionalismo.

A mudança da categoria juvenil para a fase adulta representa o encerramento de um ciclo, mas também abre novas possibilidades. Agora, a meta é continuar aprendendo, competir, aperfeiçoar a técnica e, quem sabe, alcançar novos palcos e conquistas.

Mais do que resultados, entretanto, o jovem alegretense demonstra ter encontrado na cultura gaúcha um sentimento de pertencimento.

“A dança já faz parte de mim”, resume Matheus — um jovem que escolheu a chula não apenas como modalidade artística, mas como uma maneira de manter viva, através das novas gerações, a tradição que aprendeu a amar.

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