O gosto pelos livros e pela História surgiu ainda na infância. Hoje, aos 22 anos, o alegretense Maximiliano Guerra colhe os frutos dessa paixão ao cursar História na Universidade de Lisboa (ULisboa), uma das mais tradicionais instituições de ensino superior da Europa. Em férias com a família em Alegrete, ele aproveita o período para continuar a desenvolver sua pesquisa e a tese que recebe sua dedicação diária.

Segundo Maximiliano, o incentivo aos estudos veio de casa. “Desde criança sempre tive uma particular afeição pelas Humanidades e pela História, em especial pela História Medieval. Meu pai sempre me incentivou muito a estudar, e isso foi fundamental para que eu seguisse esse caminho”, relata.

Durante a adolescência, seu interesse voltou-se para a História Medieval Ibérica, especialmente de Portugal e da Espanha. O aprofundamento no tema ocorreu também graças às pesquisas desenvolvidas na Mostra de Iniciação Científica (MIC) do Colégio Raymundo Carvalho, experiência que ajudou a consolidar sua vocação acadêmica.
Caminho até Portugal
A mudança para Portugal foi consequência natural desse projeto de vida. Após realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no final de 2021, Maximiliano conquistou vaga na Universidade de Lisboa por meio da nota obtida na prova. Como o calendário acadêmico europeu inicia em setembro, embarcou para Portugal no final de 2022.
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Embora a universidade disponha de bolsas por mérito acadêmico e desempenho escolar, ele optou por não concorrer.
“Felizmente, meu pai concordou em custear minhas despesas. Além disso, em 2023 consegui um emprego temporário como pesquisador em um projeto da universidade, o que também me rende alguns euros”, conta.
Formação de excelência e reconhecimento
Já plenamente adaptado à vida em Portugal, Maximiliano destaca a qualidade do ensino superior europeu como um dos principais diferenciais da experiência.
“Sou muito feliz por ter escolhido a Universidade de Lisboa. Ela me surpreendeu não apenas do ponto de vista acadêmico, mas também institucional e humano. Consegui cultivar boas relações e até amizades com docentes de grande relevância em Portugal, na Europa e até no mundo. Nunca me senti tratado como um aluno inferior por ser estrangeiro. Pelo contrário, sempre fui muito bem acolhido por professores e colegas.”
Segundo ele, estudar na Europa também proporciona acesso facilitado às principais redes internacionais de pesquisa e ao contato com importantes lideranças acadêmicas e políticas.
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“A Europa continua sendo um dos grandes centros de decisão global. Aqui é possível participar de eventos internacionais, conhecer pesquisadores renomados e estabelecer contatos que dificilmente seriam possíveis em outros contextos.”
Oportunidades além da sala de aula
Outro aspecto destacado pelo jovem pesquisador é a facilidade de circulação entre os países europeus. Segundo ele, viver em Portugal possibilita conhecer diferentes culturas e universidades com deslocamentos rápidos e acessíveis.
“Por menos de R$ 300 é possível encontrar passagens de ida e volta entre Lisboa e Londres. O voo dura menos de três horas. É quase como ir de Alegrete a Santa Maria de ônibus”, compara.
Além das experiências culturais, Maximiliano considera que a principal vantagem está na formação acadêmica.

“Para além das amizades e experiências que ficam para a vida toda, o principal fator que me levou à Europa e me faz permanecer lá é a relevância acadêmica. Estou muito satisfeito com a formação que estou recebendo e com as conexões que consegui construir.”
Produção científica aos 22 anos
Mesmo ainda muito jovem, Maximiliano já acumula uma produção acadêmica expressiva. Possui textos publicados, participa regularmente de conferências internacionais e prepara novas apresentações em diferentes países.
“Nada é propriamente difícil. O que acontece é que muitas pessoas desconhecem as possibilidades existentes para quem estuda História. Por isso acabam se surpreendendo quando falo em publicar livros, artigos científicos e participar de conferências internacionais.”
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No próximo dia 8 de setembro, ele apresentará uma conferência na Universidade de Buenos Aires (UBA), instituição que sempre admirou e que considera uma das maiores da América Latina.
Novos horizontes para quem escolhe História
Para Maximiliano, ainda existe um preconceito em relação às possibilidades profissionais da área.
“Muitas pessoas que gostam de História acabam optando por cursos como Direito ou Relações Internacionais por receio da questão financeira. É um motivo compreensível, mas acredito que vale a pena pesquisar melhor as oportunidades existentes.”
Segundo ele, quem se dedica seriamente à pesquisa histórica pode atuar em universidades, centros de pesquisa, organismos internacionais, patrimônio cultural, museus, produção editorial e diversas outras áreas.
Ele também incentiva estudantes brasileiros a ampliarem seus horizontes.
“É importante pensar fora da caixa quando escolhemos onde estudar e construir nossa carreira. Se não tivesse sido possível ir para Lisboa, certamente teria escolhido a Universidade de Buenos Aires.”
Enquanto aproveita alguns dias de descanso ao lado dos pais, André Guerra e Cibele Chaiben, em Alegrete, Maximiliano segue escrevendo sua tese e planejando novos projetos acadêmicos. A trajetória do jovem pesquisador demonstra que uma paixão cultivada desde a infância pode atravessar continentes e transformar-se em uma carreira construída sobre conhecimento, dedicação e pesquisa.


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