A população de Alegrete permanece praticamente estável, segundo a nova estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com data de referência em 1º de julho de 2026, o município aparece com 74.285 habitantes, exatamente o mesmo número registrado na estimativa anterior.
O dado coloca Alegrete diante de um cenário demográfico marcado pela estabilidade populacional, em contraste com períodos anteriores de crescimento. A repetição do número não significa que a população real tenha necessariamente permanecido absolutamente inalterada ao longo do período, mas que, dentro do modelo estatístico utilizado pelo IBGE, a estimativa municipal chegou novamente ao mesmo patamar.
No conjunto do Estado, o quadro é ainda mais significativo. O Rio Grande do Sul foi estimado em 11.233.317 habitantes em 2026, praticamente o mesmo contingente considerado no ano anterior, resultando em uma taxa de crescimento geométrico de 0,00%. O estado está entre as unidades da Federação com menor crescimento populacional do país.
População está acima do resultado do Censo de 2022
Embora a estimativa atual aponte estabilidade em relação ao ano anterior, o número representa uma diferença expressiva quando comparado ao Censo Demográfico de 2022.
Naquele levantamento, Alegrete registrou 72.409 habitantes. A estimativa de 74.285 pessoas para 2026 representa, portanto, uma diferença de 1.876 habitantes, ou aproximadamente 2,6% em relação à população recenseada em 2022.
É importante destacar, porém, que Censo e estimativa populacional são instrumentos diferentes. O Censo contabiliza a população por meio de uma operação censitária, enquanto as estimativas anuais são produzidas pelo IBGE a partir de modelos demográficos e informações atualizadas, sendo utilizadas, entre outras finalidades, como referência para políticas públicas e distribuição de recursos.
Assim, os 74.285 habitantes não significam necessariamente que 1.876 pessoas tenham efetivamente se mudado para Alegrete desde o Censo. A diferença também decorre das metodologias empregadas em cada levantamento.
Crescimento natural já mostra sinal negativo
Outro indicador ajuda a compreender os desafios demográficos enfrentados pelo município: a relação entre nascimentos e mortes. Dados de 2022 analisados a partir das Estatísticas do Registro Civil apontaram 743 nascimentos e 791 óbitos em Alegrete. O resultado produziu um saldo natural negativo de 48 pessoas, ou seja, naquele ano morreram 48 pessoas a mais do que nasceram.
O fenômeno é conhecido como crescimento vegetativo ou crescimento natural negativo. Quando esse comportamento se mantém por períodos prolongados, a população tende a diminuir naturalmente, a menos que o município consiga compensar a diferença por meio da migração.
Em outras palavras, se o número de mortes permanece superior ao de nascimentos, a chegada de novos moradores passa a ter papel cada vez mais importante para evitar uma redução populacional. Os números de 2022 também mostram uma taxa bruta de natalidade de aproximadamente 10,26 nascimentos por mil habitantes, enquanto a taxa bruta de mortalidade chegou a 10,92 óbitos por mil habitantes.
Um retrato do envelhecimento
O comportamento registrado em Alegrete acompanha uma transformação demográfica mais ampla observada no Rio Grande do Sul. Municípios do interior, especialmente em áreas do centro-sul e da metade sul do estado, convivem com taxas de natalidade menores e estruturas populacionais mais envelhecidas.
A análise dos dados de Registro Civil mostra que os municípios gaúchos apresentam, em geral, taxas de crescimento natural inferiores às observadas em outras regiões brasileiras. No caso de Alegrete, a combinação de menos nascimentos e maior número de óbitos ajuda a explicar a dificuldade de crescimento orgânico da população.
Esse processo tem consequências que vão além da quantidade de habitantes. Uma população mais envelhecida tende a aumentar a demanda por serviços de saúde, assistência social e cuidados de longa duração, ao mesmo tempo em que reduz a participação relativa de crianças e jovens.Também surgem impactos no mercado de trabalho, na composição das famílias, na demanda por escolas e na capacidade de reposição da população economicamente ativa.
Estabilidade não significa ausência de mudanças
Apesar da estagnação apontada pela estimativa, Alegrete continua sendo um dos principais municípios da Fronteira Oeste e da metade sul do Rio Grande do Sul. A cidade possui uma extensa área territorial de 7.800,552 km² e densidade demográfica de 9,28 habitantes por km², conforme os dados do Censo 2022.
A permanência dos 74.285 habitantes na estimativa de 2026, portanto, deve ser interpretada dentro de um contexto maior: o município não apresenta uma expansão populacional significativa, mas também não aparece, neste momento, com uma queda estimada em relação ao ano anterior.
O dado estadual reforça essa característica. O Rio Grande do Sul teve crescimento de 0,00%, uma das menores taxas entre os estados brasileiros. Enquanto Roraima, Santa Catarina e Mato Grosso apresentaram crescimento superior a 1%, o Rio Grande do Sul ficou praticamente estável.
Outro indicador que merece atenção é a mortalidade infantil. A informação atualmente apresentada pelo IBGE para Alegrete é de 6,63 óbitos de menores de um ano para cada mil nascidos vivos, referente a 2023.
Fonte: IBGE

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