Ex-jogadores negros do Grêmio opinam sobre racismo

Roger, Tinga, Alcindo e Paulo Isidoro comentam episódio da última quinta-feira, quando goleiro do Santos sofreu ofensas na Arena

 jogadores
Sobram exemplos de negros vitoriosos nos quase 111 anos de vida do Grêmio. A estrela dourada que emoldura a bandeira do clube homenageia o ex-lateral esquerdo Everaldo, campeão mundial no México em 1970.
Afrodescendentes estiveram presentes em todos os grandes times formados ao longo da história e contribuíram com seu talento na conquista das taças. É isso que torna ainda mais revoltante e menos justificável a injúria racial cometida contra o goleiro Aranha, do Santos, na quinta-feira. Para heróis tricolores como Alcindo, Paulo Isidoro e Roger, o episódio não traduz o pensamento de toda a instituição. Tinga discorda. Confira os depoimentos.
Roger, ex-lateral
“Sinceramente, não me recordo, nos 12 anos em que joguei pelo Grêmio, de ter recebido um insulto dessa natureza. Em outros estádios, com certeza fui xingado, mas em outro nível, de forma menos agressiva. Acho que é algo que não representa a totalidade da torcida gremista, nem tampouco o sentimento do torcedor tricolor. O que parece é que os estádios de futebol viraram local onde as pessoas deixam de lado princípios éticos e morais. Até o nome Arena contribui para isso, como se fossem gladiadores e somente um pudesse sair vivo.”
Tinga, ex-meia do Grêmio, hoje no Cruzeiro
“Essa é uma coisa que já vem de gerações dentro do Grêmio. Joguei ali, fui idolatrado, mas é uma coisa que o clube nunca se preocupou em mudar. Eram coisas que eu assistia serem ditas contra jogadores negros dos clubes que iriam nos enfrentar. O que essa menina fez é uma coisa que ela viu outros fazendo desde que pisou o pé no estádio. Os filhos veem o pai fazendo e depois repetem. É preciso dar exemplo aos mais jovens, mudar pela educação. Ela deve ser punida, sabe que cometeu algo errado, mas não pode ser o bode expiatório.”
Alcindo, ex-centroavante
“Em minha carreira, sempre convivi com atos de racismo. Quando enfrentávamos equipes argentinas, nos chamavam de macaquitos. Infelizmente, o Grêmio convive com a fama de racista por ter sido o último clube a aceitar pretos. Tenho certeza de que a maioria da torcida não aprovou aquilo. Foi um ato deplorável, condenável. Somos todos iguais, nosso time também tem pretos. Foi uma atitude covarde, de uma minoria que não representa o clube. A direção faz muito bem em repudiar este ato.”
Paulo Isidoro, ex-meia
“Fiquei surpreso, porque nunca enfrentei problemas desse tipo na minha passagem pelo clube. Sempre fui muito bem tratado e respeitado. Até hoje tenho uma grande consideração pelos gremistas e pelos gaúchos em geral. Fiquei chocado com aquela imagem. Aquilo não representa a qualidade do gaúcho. Foi vergonhoso. É por isso que é preciso uma punição exemplar, para não sujar a imagem do Rio Grande do Sul. As autoridades não podem ficar de braços cruzados. Há muito dirigente que faz média com essa nojeira que parte das torcidas organizadas.”
Fonte: Zero Hora
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