Leticia Cirne: da Escola Ballerina aos palcos de Nova York

Considerada um dos maiores centros artísticos do mundo, a cidade de Nova York reúne estúdios históricos, companhias renomadas e uma diversidade cultural que atrai artistas de todos os continentes.

Nesse cenário competitivo e pulsante, a bailarina, professora e coreógrafa Leticia Cirne Moreira constrói uma trajetória marcada pela dedicação, pesquisa artística e formação de novos bailarinos.

Aos 28 anos, nascida em Porto Alegre possui uma carreira genuinamente alegretense e hoje atua profissionalmente na PMT House of Dance, onde integra projetos criativos, leciona para diferentes públicos e desenvolve uma visão de dança que vai além do palco. Filha de Maria Goretti Borba Cirne e Walter Hugo Lisboa Cirne, Leticia é casada com o alegretense João Pedro Silveira e iniciou sua formação na Escola de Dança Ballerina, em Alegrete, onde também atuou como coreógrafa.

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Nesta entrevista, ela fala sobre sua trajetória, os desafios da carreira internacional e sua filosofia de trabalho.

Da infância em Alegrete ao cenário internacional

Quando começou sua relação com a dança?
Minha relação com a dança começou ainda na infância, na Escola de Dança Ballerina. Foi um período de muita disciplina, com aulas técnicas, ensaios intensos e participação em competições. Aquela rotina foi fundamental para formar minha base técnica e também minha mentalidade profissional.

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O que representou a mudança para Nova York?
Foi um divisor de águas. Nova York te desafia o tempo inteiro. Você precisa estar pronto para tudo no momento em que coloca o pé na rua. É um ambiente muito competitivo, mas também extremamente inspirador. A cidade me obrigou a crescer como artista e como pessoa.

Entre criação, palco e ensino

Hoje você atua em diferentes frentes. Como concilia performance e docência?
Eu vejo essas áreas como complementares. Como intérprete, participo de processos criativos que valorizam a pesquisa de movimento e a construção coletiva. Já como professora, trabalho com crianças, adolescentes, adultos e estudantes internacionais. Ensinar me faz refletir sobre o movimento e sobre como cada corpo aprende de maneira diferente.

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Qual é a sua abordagem pedagógica?
Para mim, ensinar vai além da técnica. As aulas são espaços de desenvolvimento técnico, fortalecimento da confiança e ampliação da consciência corporal. Formar artistas é também formar pessoas mais sensíveis, presentes e preparadas para os desafios da vida.

A dança como processo, não apenas resultado

Você costuma falar que a dança é um processo. O que isso significa?
Muitas vezes o mercado foca apenas no resultado final, na performance perfeita. Eu acredito muito no processo. Ensaios são espaços de investigação. Erros fazem parte do aprendizado e cada corpo carrega uma história única que precisa ser respeitada. A dança não é só sobre o que o público vê no palco, é sobre tudo o que acontece antes disso.

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Como essa visão influencia seu trabalho como coreógrafa?
Influencia totalmente. Eu busco criar espaços onde os bailarinos possam experimentar, pesquisar e se expressar. A criação coreográfica, para mim, é um diálogo entre corpos, histórias e emoções.

Presente e futuro em movimento

Como você vê sua trajetória hoje, estabelecida em Nova York?
Eu vejo como uma construção contínua. Estou conectando criação artística, ensino e formação, e isso me motiva muito. Nova York é um lugar que te mantém em movimento o tempo todo.

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar criando, ensinando e pesquisando. A dança atravessa fronteiras, culturas e gerações, e eu quero seguir contribuindo para essa troca, formando artistas e fortalecendo comunidades por meio do movimento.

Raízes que seguem presentes

Mesmo vivendo nos Estados Unidos, Leticia mantém forte ligação com Alegrete, onde iniciou sua formação e construiu os primeiros passos como coreógrafa. Sua trajetória reflete a de muitos artistas brasileiros que levam sua identidade cultural para o exterior, ampliando horizontes e conectando diferentes cenários artísticos.

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Entre salas de aula, estúdios e palcos, Leticia Cirne Moreira segue em movimento, reafirmando a dança como arte, profissão e ferramenta de transformação.

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