Menino de 9 anos, que viu mãe ser morta por ex-companheiro, acompanha enterro

Necivânia Eugênio de Caldas, de 37 anos, foi assassinada na última quinta-feira (14). Criança estava na carona da moto da mãe quando ela morreu esfaqueada.

O corpo de Necivânia Eugênio de Caldas, de 37 anos, assassinada pelo ex-marido em Santa Maria, no Distrito Federal, foi sepultado na manhã deste sábado (16). A vítima foi morta com golpes de faca, na frente do filho de 9 anos.

O menino acompanhou o enterro da mãe, no cemitério do Gama. Durante todo o tempo, ele foi amparado por familiares.

O crime aconteceu quando Necivânia chegava em casa, de motocicleta, na quinta-feira (14). A criança estava na garupa da moto.

Segundo vizinhos, Francisco Dias Borges, de 34 anos, aproveitou o momento em que ela diminuiu a velocidade, por conta de um quebra-molas, para esfaqueá-la. A morte foi constatada pelo Corpo de Bombeiros ainda no local.

Um outro filho de Necivânia, de 17 anos, também esteve na despedida. Ela deixou quatro filhos, três de um relacionamento anterior e uma menina, de 5 anos, com Francisco.

Amigos e parentes acompanharam sepultamento de Necivânia, a 30ª vítima de feminicídio no DF em 2019 — Foto: Flávia Marsola/ TV Globo

Amigos e parentes acompanharam sepultamento de Necivânia, a 30ª vítima de feminicídio no DF em 2019 — Foto: Flávia Marsola/ TV Globo

Este é o 30º caso registrado como feminicídio pela Polícia Civil do DF, em 2019 (veja abaixo relação das vítimas). Francisco, o ex-companheiro, está preso.

Vizinhos seguraram o agressor enquanto esperavam pelos policiais. A arma do crime foi apreendida no local.

Um irmão da vítima, que tentou defendê-la, também acabou esfaqueado. Adailton Eugênio de Caldas foi socorrido e levado para o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM. Ele passa bem.

‘Ela sempre apanhava dele’

Necivânia Eugênio Caldas é a 30ª vítima de feminicídio no DF em 2019 — Foto: Reprodução/Facebook

Necivânia Eugênio Caldas é a 30ª vítima de feminicídio no DF em 2019 — Foto: Reprodução/Facebook

Segundo amigas, Necivânia era vista frequentemente com marcas da violência que sofria. Uma cunhada contou que ela denunciou Francisco no mesmo dia em que foi assassinada.

O casal viveu junto por 6 anos. A vítima era manicure.

Segundo a família, ela começaria na próxima segunda-feira (18) ela começaria a trabalhar como estagiária de técnica de enfermagem no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM).

Francisco Dias Borges foi preso pelo 30º feminicídio registrado no Distrito Federal em 2019 — Foto: Arquivo pessoal

Francisco Dias Borges foi preso pelo 30º feminicídio registrado no Distrito Federal em 2019 — Foto: Arquivo pessoal

Pai pagou curso para Necivânia

O pedreiro Manoel Cavas viu a filha ser assassinada na porta de casa. Neste sábado, ele contou que duas semanas antes de ser morta ela se mudou para a casa dele “porque não aguentava mais as agressões de Francisco”.

Foi Manuel quem pagou o curso de técnica de enfermagem para Necivânia. Durante três meses ela frequentou as aulas.

A família diz que ela estava feliz por recomeçar a vida. Mas o ex-companheiro não se conformava com a separação e nem com a nova vida de Necivânia.

Necivânia, de cabelos compridos à direita, e colegas do curso de técnica de enfermagem; ela começaria a trabalhar na próxima segunda-feira (18) — Foto: Arquivo pessoal

Necivânia, de cabelos compridos à direita, e colegas do curso de técnica de enfermagem; ela começaria a trabalhar na próxima segunda-feira (18) — Foto: Arquivo pessoal

Feminicídios no DF

Com a morte de Necivânia sobe para 30 o número de feminicídios registrados no Distrito Federal em 2019. O G1 acompanhou os crimes; veja detalhes abaixo.

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