A saudade nem sempre chega de forma anunciada. Em muitos casos, ela apenas se instala — silenciosa, persistente, feita de lembranças que o tempo não consegue apagar. Para quem nasce no Alegrete, esse sentimento costuma ter endereço certo: o “Baita Chão”.
Entre os alegretenses espalhados pelo Brasil, está Carlos Blessmann dos Santos, hoje morador de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Ele saiu do Alegrete há décadas; desde então, já são 27 anos sem retornar à cidade onde nasceu.
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Carlos nasceu na antiga Rua das Tropas, hoje Eurípedes Brasil Milano, e também viveu nas imediações da Praça Getúlio Vargas, ao lado da antiga garagem do Ponto 1. Locais que, para muitos, são apenas referências urbanas, mas que para ele permanecem como capítulos vivos da memória.
A vida o levou para longe, mas durante anos manteve uma ligação constante com sua terra natal.
“Até 1999, eu ia todo final de mês. Como motorista do Afonso Motta, passava pelo Caverá, seguia até Uruguaiana e retornava no domingo. Trabalhava para um advogado de Santana do Livramento que me liberava para fazer essas viagens. Era assim que eu matava a saudade”, relembra.
A rotina se repetia como um ritual. Mais do que deslocamentos profissionais, eram reencontros periódicos com as origens, com o passado e com a própria identidade.
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Com o passar do tempo, a estrada de volta deixou de ser percorrida.
Hoje, completam-se 27 anos sem pisar novamente no solo onde nasceu, sem rever as ruas da infância, sem reencontrar os cenários que ajudaram a construir sua história.
Quando fala sobre o assunto, a emoção se revela na simplicidade das palavras:
“A saudade é grande e a vontade de voltar é muito maior. Quem sabe. Quem sabe.”
A frase ecoa como sentimento coletivo de milhares de alegretenses que vivem longe de casa.
O alegretense pode mudar de endereço, de rotina e até de cidade, mas raramente rompe o vínculo com sua origem. Carrega consigo o vento da campanha, o horizonte aberto, as histórias de bairro, os rostos conhecidos e a sensação permanente de pertencimento.
A distância, nesse caso, não se mede apenas em quilômetros. Também se mede em memória e tempo.
O Alegrete segue vivo naquilo que não se apaga: a lembrança.
Porque há lugares que ficam para trás.
E há lugares que permanecem dentro da gente, mesmo quando tudo ao redor muda.
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Saudade do Alegrete – Portal Alegrete Tudo
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