A primeira ocorrência foi registrada em um mercado localizado no bairro Cidade Alta, onde um casal de adolescentes foi abordado pela Brigada Militar e encaminhado à Delegacia de Polícia para o registro do ato infracional por furto. Conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o procedimento e prestar o suporte necessário até a localização dos responsáveis.

Enquanto as conselheiras tutelares acompanhavam esse primeiro caso na Delegacia de Polícia, outras três adolescentes chegaram ao local após serem abordadas pela Guarda Municipal por envolvimento em furtos semelhantes em uma loja da área central da cidade. Após os procedimentos legais, todas foram liberadas aos seus pais ou responsáveis.
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De acordo com o Conselho Tutelar, um aspecto chamou a atenção durante o atendimento: nenhum dos adolescentes envolvidos pertence a famílias em situação de vulnerabilidade social.
Segundo relato das conselheiras que acompanharam as ocorrências, a chegada dos pais à Delegacia foi marcada por momentos de forte emoção. Muitos demonstraram surpresa e desespero diante da situação. Um dos responsáveis, bastante abalado, afirmou que “não há motivo nenhum para fazerem isso” e lamentou profundamente o fato de precisar passar por aquela situação.
A presidente do Conselho Tutelar de Alegrete, Márcia Rocha, reforça que os casos não estão relacionados à falta de condições financeiras das famílias.
— Tivemos que abraçar mães que choravam compulsivamente. Elas afirmavam que nenhuma das filhas passa por dificuldades e não conseguem compreender o motivo desse comportamento — relata.
Márcia Rocha destaca ainda que o Conselho Tutelar realiza frequentemente palestras em escolas do município, orientando crianças e adolescentes sobre direitos, deveres e as consequências da prática de atos infracionais. Segundo ela, durante esses encontros também é explicado que adolescentes podem ser submetidos a medidas socioeducativas, inclusive com internação na Fundação de Atendimento Socioeducativo (FASE), quando houver determinação judicial.
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Para a presidente do Conselho, uma das hipóteses que pode estar influenciando esse tipo de comportamento é o impacto das redes sociais.
— Acreditamos que alguns desses casos possam estar relacionados a desafios e competições disseminados nas redes sociais, que acabam incentivando crianças e adolescentes a praticarem atos ilícitos sem que tenham plena consciência das consequências — avalia.
As autoridades reforçam a importância do diálogo entre família, escola e comunidade para prevenir esse tipo de ocorrência e conscientizar os jovens sobre as implicações legais e sociais dos atos infracionais.

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