“Vocês têm uma universidade no quintal de casa e não aproveitam”, diz jovem do Pará sobre a Unipampa em Alegrete

Há apenas quatro meses em Alegrete, a paraense Keciane Lima Santos ainda está se adaptando ao rigoroso inverno gaúcho, ao sotaque característico da Fronteira Oeste e aos costumes da região.

Mas uma coisa já chamou sua atenção de forma marcante: o fato de muitos jovens da cidade não valorizarem a oportunidade de estudar na Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

Natural de Felix do Xingu, no Pará, Keciane veio para Alegrete acompanhando o marido, que cursa Engenharia Agrícola na Unipampa. Segundo ela, a realidade vivida em sua região é bastante diferente da encontrada no Rio Grande do Sul.

“Vocês têm uma universidade no quintal de casa e muitos parecem não aproveitar essa oportunidade. Acho isso inadmissível”, afirma, entre um sorriso e outro. “Em estados como o Pará e o Amazonas, muitos jovens de pequenas e médias cidades fariam qualquer coisa para ter uma universidade federal perto de casa.”

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Enquanto o marido investe na formação acadêmica, Keciane trabalha como atendente no período da noite e já faz planos para o próprio futuro. O objetivo é ingressar em um curso superior, provavelmente na área da Educação.

A adaptação ao clima continua sendo um dos maiores desafios. Acostumada ao calor durante praticamente todo o ano, ela admite que o frio gaúcho ainda surpreende.

“O frio está demais para nós, que viemos do Pará. Mas estamos enfrentando com muita roupa e boas comidas quentes aqui do Sul”, conta.

Além do clima, Keciane também vem aprendendo as expressões típicas do linguajar da Fronteira, experiência que considera parte da riqueza cultural da mudança de estado.

Formação que transforma vidas

Para a jovem, a presença da Unipampa representa um patrimônio que muitas cidades brasileiras gostariam de possuir. Ela destaca a qualidade dos cursos, do corpo docente e o impacto que a universidade tem na formação de profissionais.

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“São excelentes cursos e ótimos professores. Sempre incentivo os jovens daqui e de outras cidades a aproveitarem essa oportunidade. Mesmo que muitos cursos sejam ligados à tecnologia e às engenharias, eles formam profissionais fundamentais para o desenvolvimento do país.”

O exemplo mais próximo está dentro de casa. O marido atravessou praticamente todo o Brasil para estudar Engenharia Agrícola em Alegrete, motivado pelas oportunidades que a profissão oferece em sua cidade natal.

“Na região de Felix do Xingu existem muitas propriedades rurais. Quando ele concluir o curso, terá boas oportunidades de trabalho por lá. Valeu a pena viajar milhares de quilômetros para buscar essa formação.”

O relato de Keciane acaba servindo como uma reflexão para a comunidade local. Enquanto muitos brasileiros percorrem grandes distâncias em busca de uma vaga em uma universidade pública de qualidade, moradores de Alegrete convivem diariamente com uma instituição federal reconhecida nacionalmente.

Para ela, essa proximidade deveria ser motivo de orgulho e, principalmente, de incentivo para que mais jovens ingressem no ensino superior e aproveitem uma oportunidade que, em boa parte do país, ainda está muito distante da realidade.

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