O Vonau Flash, utilizado na prevenção e no tratamento de náuseas e vômitos, teve seu desenvolvimento associado à colaboração entre a farmacêutica Biolab e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
A história começou em 2005, quando essa parceria resultou no desenvolvimento de uma nova apresentação farmacêutica da ondansetrona, princípio ativo utilizado no controle de náuseas e vômitos. O diferencial estava principalmente na forma de administração do medicamento.
Em vez de depender da ingestão de um comprimido convencional com água, o Vonau Flash foi desenvolvido como um comprimido de desintegração oral, capaz de se desintegrar rapidamente na boca. Essa característica oferece uma alternativa prática para pacientes que apresentam náuseas, vômitos ou dificuldade para engolir comprimidos convencionais.
A formulação contém ondansetrona e excipientes que contribuem para características importantes do produto, como estrutura, palatabilidade, estabilidade e desintegração. Assim, a inovação não esteve na descoberta de uma nova molécula, mas no desenvolvimento de uma apresentação farmacêutica diferenciada, com características voltadas às necessidades dos pacientes.
Outro aspecto relevante dessa trajetória é a cooperação entre a universidade e a indústria. O desenvolvimento do Vonau Flash exemplifica como a aproximação entre pesquisadores e empresas pode contribuir para transformar conhecimento científico em produtos farmacêuticos com aplicação prática e potencial de alcance comercial.
Segundo informações divulgadas pela Biolab, a parceria já gerou mais de R$ 30 milhões em royalties para a USP. De acordo com a empresa, esse montante corresponde a aproximadamente 90% do total de royalties recebidos pela universidade, recursos que podem contribuir para o desenvolvimento de novas iniciativas de pesquisa e inovação.
A trajetória do medicamento também ultrapassou as fronteiras brasileiras. O Vonau Flash passou a ser comercializado em outros países, incluindo Equador e Colômbia, mercados nos quais a Biolab relata ter alcançado presença expressiva com o produto.
A história do Vonau Flash demonstra que a inovação farmacêutica não depende necessariamente da descoberta de uma nova substância ativa. Ela também pode surgir do aprimoramento de formulações, do desenvolvimento de novas formas farmacêuticas e da busca por alternativas que facilitem a administração de medicamentos e atendam melhor às necessidades dos pacientes.
Nesse caso, uma substância já conhecida ganhou uma apresentação diferenciada por meio da colaboração entre pesquisadores brasileiros e uma empresa nacional. O resultado ilustra o potencial da pesquisa científica desenvolvida no Brasil para gerar tecnologias farmacêuticas com relevância clínica e comercial, além de evidenciar a importância da integração entre universidade e indústria no processo de inovação.
Jucelino Medeiros Marques Junior
Mestre em Química Analítica – UFSM
Especialista em Gestão de Processos e Qualidade – Uninter
Especialista em Processos Industriais Estéreis – Centro Universitário Católico Ítalo-Brasileiro
Especialista em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica – ICQT
Farmacêutico – CRF 16567

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