Essa realidade começou a mudar no início da década de 1920, quando pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, deram um passo que transformaria a história da medicina. Frederick Banting e Charles Best iniciaram os estudos que levariam à descoberta da insulina, contando posteriormente com o trabalho de James Collip na purificação da substância e com o apoio de John Macleod.
Em janeiro de 1922, um adolescente canadense de 14 anos chamado Leonard Thompson, que estava gravemente debilitado pelo diabetes, recebeu uma das primeiras aplicações de insulina em um ser humano. O resultado foi surpreendente. O tratamento conseguiu melhorar seu quadro e mostrou, pela primeira vez, que uma doença até então considerada praticamente fatal poderia ser controlada.
A descoberta abriu uma nova perspectiva para milhares de pessoas com diabetes em todo o mundo.
Mas a história não ficou marcada apenas pelo avanço científico. A insulina tinha um enorme potencial comercial. Seus descobridores poderiam ter tentado transformar a descoberta em uma grande fonte de riqueza pessoal. Em vez disso, decidiram que o tratamento deveria estar disponível para beneficiar o maior número possível de pessoas.
Em 1923, Banting, Best e Collip transferiram seus direitos relacionados à patente para a Universidade de Toronto pelo valor simbólico de apenas 1 dólar canadense cada. No total, os três receberam 3 dólares.
A decisão ajudou a permitir que a produção da insulina fosse ampliada e que o tratamento chegasse a um número cada vez maior de pacientes.
No mesmo ano, Frederick Banting e John Macleod receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pelo trabalho relacionado à descoberta da insulina. Banting, inclusive, dividiu sua premiação financeira com Charles Best.
Mais de um século depois, a insulina continua sendo fundamental para a vida de milhões de pessoas com diabetes. A história de sua descoberta é lembrada não apenas como um dos grandes avanços da medicina, mas também como um exemplo de uma escolha que colocou o potencial de salvar vidas acima da possibilidade de construir uma grande fortuna.
Jucelino Medeiros Marques Junior
Mestre em Química Analítica – UFSM
Especialista em Gestão de Processos e Qualidade – Uninter
Especialista em Processos Industriais Estéreis – Centro Universitário Católico Ítalo Brasileiro
Especialista em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica – ICQT
Farmacêutico – CRF 16567

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