A sentença relacionada à morte do alegretense Murilo Martins, de 25 anos, não trouxe a resposta que a família esperava. Frustrada com a decisão, a mãe do jovem, Rosana Martins, afirma que não pretende recorrer. Segundo ela, a espera por uma definição judicial, somada ao resultado do julgamento, abalou sua confiança na Justiça. O réu, Renato Casanova, de 36 anos, natural de Passo Fundo, também não teria recorrido da decisão, conforme as informações relatadas pela família.

Leia mais: 21º FAC começa nesta sexta-feira com 20 canções concorrentes; confira a programação
Murilo morreu na noite de 20 de julho de 2024, após um acidente de trânsito no cruzamento das ruas Marquês do Alegrete e dos Andradas, na região central de Alegrete. Na ocasião, trabalhava como chefe de equipe na empresa Busatto e também fazia horas extras como entregador para complementar a renda.
A mãe esteve na redação do PAT, acompanhada da tia do jovem, Belquis Martins, para falar sobre a sentença, a saudade e a frustração diante do desfecho judicial.
Uma vida interrompida enquanto trabalhava
Aos 25 anos, Murilo era descrito pela mãe como um jovem disciplinado, trabalhador e determinado a conquistar seus objetivos. Segundo Rosana, ele havia realizado sonhos de infância com o próprio esforço, entre eles a compra da moto e do carro.
Apaixonado por motocicletas, mantinha uma rotina de trabalho e buscava melhorar suas condições de vida. Na noite do acidente, além das atividades profissionais, tinha planos de participar da comemoração do aniversário da tia, em um encontro familiar que, conforme Rosana, reuniria parentes que havia anos não conseguiam estar todos juntos.

O que deveria ser uma noite de celebração terminou em luto.
“Sei que nada vai trazer meu filho de volta, mas isso não mostra a Justiça sendo criteriosa com quem tira a vida de um jovem que estava trabalhando”, desabafou a mãe.
Frustração com a sentença
O réu foi condenado a três anos de pena em regime aberto por homicídio culposo, além de dois anos de suspensão do direito de dirigir, conforme as informações fornecidas à reportagem. A condenação por homicídio culposo diz respeito a uma morte causada sem a intenção de matar, segundo o enquadramento jurídico do caso.
Para Rosana, a decisão ficou distante da resposta que esperava após mais de dois anos de angústia. A mãe questiona as circunstâncias consideradas no processo e afirma que, durante o julgamento, ouviu referências à velocidade da motocicleta e ao comportamento do filho no trânsito.
Ela não nega que Murilo gostava de motos e que essa era uma de suas paixões. No entanto, considera que essas informações não explicam, por si só, as circunstâncias que levaram à morte do jovem.
“Ele amava a vida e os amigos. Era um amigo verdadeiro, tanto que recebemos muito carinho até hoje. A manifestação com pedido de Justiça foi uma das maiores”, relatou.
A mãe sustenta que o ponto central, em sua avaliação, é a colisão e a responsabilidade pelo ocorrido. Segundo ela, o veículo conduzido pelo réu teria avançado a preferencial e atingido Murilo.
Leia mais: Alegrete assina ordem de início das obras de 20 moradias pelo programa A Casa é Sua
Questionamentos sobre a conduta após o acidente
Rosana também questiona a conduta atribuída ao motorista após a colisão. Segundo seu relato, o registro da Brigada Militar informa que ele se recusou a realizar o teste do etilômetro. Ela afirma ainda que o motorista não teria prestado socorro ao filho.
A mãe compara a situação do condutor à do jovem, submetido a exame toxicológico cujo resultado, segundo ela, levou cerca de oito meses para ser divulgado e foi negativo para as substâncias pesquisadas.
“Meu filho não tinha ingerido nada, nenhuma bebida, nenhuma substância. Ele era um menino trabalhador”, afirmou.
Rosana também demonstra inconformidade com o fato de o réu ter respondido ao processo em liberdade e não ter comparecido pessoalmente, segundo ela, à sessão em que a sentença foi proferida. Para a mãe, esses aspectos aumentaram a sensação de impotência diante do desfecho.
As alegações sobre a dinâmica do acidente e a conduta do motorista devem ser consideradas à luz dos registros oficiais e dos fundamentos da decisão judicial.
Ao falar sobre a possibilidade de recorrer da sentença, Rosana afirma que, mesmo diante do desgaste emocional acumulado desde a morte do filho e à decepção com o resultado, vai seguir com a luta, pois a Promotoria recorreu da sentença, dando continuidade à discussão judicial sobre a condenação. O objetivo é aumentar a pena.
A mãe relata que não conseguiu retomar a vida da mesma maneira desde aquela noite. Diz que enfrenta dificuldades para dormir e que a ausência do filho permanece presente na rotina da família.
“Eu não durmo mais desde aquela noite, não consigo me recuperar. Não há como”, afirmou.
Rosana também questiona se a ausência de antecedentes criminais do condenado e as circunstâncias pessoais atribuídas ao filho tiveram peso adequado na avaliação do caso. Para ela, a resposta judicial deveria demonstrar de forma mais contundente a responsabilidade decorrente de uma conduta que resulta na morte de outra pessoa.
A saudade que permanece
Além da discussão jurídica, Rosana fala sobre o filho que perdeu: o jovem que trabalhava, fazia planos, gostava de motos e valorizava as amizades. Para ela, Murilo não pode ser reduzido às informações sobre sua condução no trânsito que vieram à tona durante o processo.
A dor, afirma, ultrapassa a perda individual e atingiu toda a família, que teve a rotina transformada desde o acidente.
A noite que deveria ser marcada por um aniversário e pelo reencontro de parentes tornou-se a lembrança de uma ausência definitiva. Mais de dois anos depois, a sentença encerra uma etapa do processo, mas não representa, para a mãe, a resposta que ela buscava.
A frustração de Rosana permanece. E, junto dela, a saudade de um filho que, segundo a família, trabalhava para construir o próprio futuro — planos interrompidos na noite de 20 de julho de 2024.

Seja o primeiro a comentar