Garçom há décadas, Marquinhos faz do atendimento uma história de vida

Quem trabalha no salão conhece bem essa rotina: pedidos que chegam ao mesmo tempo, clientes chamando, mesas que precisam de atenção e situações que precisam ser resolvidas durante o atendimento.

Quem trabalha no salão conhece bem essa rotina: pedidos que chegam ao mesmo tempo, clientes chamando, mesas que precisam de atenção e situações que precisam ser resolvidas durante o atendimento.

Neste 11 de agosto, profissionais que fazem do atendimento ao público uma trajetória de vida são homenageados. Em Alegrete, Marcos Ezequiel Ferreira Garcia, o Marquinhos, de 54 anos, representa uma história de dedicação à profissão.

O trabalho de garçons e garçonetes vai muito além de levar alimentos e bebidas à mesa. É preciso conhecer o cardápio, acompanhar os pedidos, conversar com diferentes pessoas e manter uma comunicação constante com a cozinha, o bar e os demais profissionais do estabelecimento.

Cada jornada tem seu próprio ritmo. Há clientes com pressa, pessoas que precisam de orientação e mesas que reúnem famílias, amigos e colegas de trabalho. Em meio a tudo isso, garçons e garçonetes colocam em prática a experiência adquirida ao longo dos anos.

Nesta terça-feira, 11 de agosto, é celebrado o Dia do Garçom, uma data dedicada aos profissionais que conhecem de perto essa realidade e exercem uma função marcada pelo contato com o público, pelo trabalho em equipe e pela responsabilidade com a qualidade do atendimento.

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A valorização da profissão também passa pelo respeito aos direitos da categoria. O reconhecimento é para quem vive o salão, conhece os desafios do ofício e sabe quanto trabalho existe entre o primeiro pedido e o encerramento de uma jornada.

Uma vida dedicada ao atendimento

Em Alegrete, Marcos Ezequiel Ferreira Garcia, o Marquinhos, de 54 anos, fez da profissão de garçom uma parte importante de sua trajetória. Pai de três filhos e avô de três netos, ele afirma que sua maior riqueza é a família.

Sua história no atendimento começou cedo. Aos 17 anos, teve o primeiro emprego como garçom no Bar Opção, da família Chaibem, localizado na Rua Nossa Senhora do Carmo.

A trajetória profissional também o levou para fora do Brasil. Em Mercedes, na Argentina, trabalhou em uma casa de shows e, durante o dia, atuava na construção de silos pela Sulbrás Engenharia.

Ao retornar ao Brasil, Marcos trabalhou como mecânico. Foi nesse período que conheceu o empresário Moacir Rosink, proprietário da Pizzaria Saporito. Em 21 de abril de 1996, recebeu um convite para trabalhar por uma semana, apenas para “quebrar um galho”.

O que deveria ser apenas uma semana acabou se transformando em uma história de décadas.

“Até hoje eu brinco que estou quebrando um galho”, conta Marquinhos.

Ao longo da carreira, ele também teve a oportunidade de acompanhar momentos importantes de outros estabelecimentos e trabalhar ao lado de diferentes empresários e famílias. Entre as lembranças, destaca a família Prodócimo, com quem participou da inauguração de três restaurantes, experiência que guarda com carinho.

Marcos também trabalhou com o empresário Daniel Dotta e permaneceu durante 18 anos atuando em loja. Atualmente, concilia o trabalho durante o dia com Juliano Dotta, na Gaúcha Diesel, e à noite retorna ao salão da Pizzaria Saporito.

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Superação dentro e fora do salão

Em 2019, Marquinhos enfrentou um dos maiores obstáculos de sua vida. Um tumor de meningioma fez com que ele precisasse passar por uma delicada cirurgia na cabeça.

Hoje, ele fala sobre o período com gratidão.

“Graças a Deus estou bem. Perdi o olfato, mas estou vivo, graças a Deus”, afirma.

Para ele, entretanto, sua profissão não se resume apenas ao cargo de garçom. O que mais valoriza é a relação construída com os clientes e a satisfação de saber que conseguiu proporcionar um bom atendimento.

“Fico muito feliz quando um cliente, em qualquer uma das empresas, fala: ‘Você fez o melhor para mim’. A satisfação do cliente é meu orgulho e o crédito que tenho no meu baita chão”, destaca.

“É preciso se colocar no lugar do cliente”

Marquinhos se identifica com o personagem Charles Chaplin e, ao longo dos anos, transformou a experiência adquirida no salão em ensinamentos que costuma compartilhar com outros garçons que passaram por sua vida.

Para ele, uma das principais lições da profissão é saber se colocar no lugar de quem está sendo atendido.

“É preciso se colocar no lugar do cliente”, ensina.

Segundo Marquinhos, nem todos os clientes tratam os profissionais da mesma maneira, mas isso também faz parte dos desafios do ofício.

“Alguns ignoram a gente ou não dão a atenção que todos nós merecemos, independente da classe social. Mas faz parte do ofício”, afirma.

Para ele, porém, existe uma recompensa que vai muito além do dinheiro.

“Eu tenho o maior prazer de ver o sorriso do cliente quando ele elogia meu trabalho. Comento com meus patrões que o elogio é melhor do que ganhar qualquer gorjeta”, pontua.

Muito além da gorjeta

Garçons e garçonetes são profissionais fundamentais para o funcionamento de bares, restaurantes, eventos e outros estabelecimentos. São eles que fazem a ligação direta entre o cliente e a estrutura que está por trás de cada atendimento.

Além do salário, muitos profissionais também recebem gorjetas. Em alguns estabelecimentos, há ainda a cobrança de uma taxa de serviço, geralmente apresentada na conta, cujo percentual pode ser destinado à equipe responsável pelo atendimento.

A profissão exige agilidade, conhecimento, paciência e, sobretudo, capacidade de lidar com pessoas. Em muitos casos, a personalidade e a maneira de atender fazem com que determinados garçons se tornem figuras conhecidas e queridas em bairros, comunidades e cidades inteiras.

A origem da escolha de 11 de agosto como Dia do Garçom não é totalmente conhecida. O que importa, porém, é a oportunidade de lembrar e valorizar aqueles que estão diariamente atrás do balcão ou circulando pelo salão, atendendo clientes, resolvendo problemas e ajudando a transformar uma refeição em uma experiência.

Em Alegrete, a história de Marquinhos é um exemplo dessa trajetória. São décadas entre mesas, pedidos, conversas, desafios e, principalmente, pessoas.

Para ele, no fim das contas, o reconhecimento de um cliente continua sendo uma das maiores recompensas de quem escolheu fazer do atendimento uma profissão e uma história de vida.

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