Polícia Civil cria protocolo para agilizar buscas por desaparecidos; Alegrete tem seis casos em aberto

Nova medida estabelece classificação de risco e procedimentos padronizados para as primeiras horas de investigação; Alegrete tem seis desaparecidos registrados no sistema policial em 1º de setembro

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul passou a adotar um novo protocolo para padronizar e acelerar o atendimento de ocorrências envolvendo pessoas desaparecidas, com atenção especial aos casos que envolvem pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

A medida estabelece procedimentos que deverão ser seguidos pelas delegacias de todo o Estado e determina que as ocorrências sejam classificadas de acordo com o nível de risco. Entre os grupos que recebem atenção prioritária estão crianças, adolescentes, idosos, mulheres em situação de violência e pessoas com deficiência física ou intelectual.

Atualmente, o Rio Grande do Sul possui 154 casos de desaparecimento em aberto. Desde o início de 2026, foram registradas 1.649 ocorrências, das quais 1.495 terminaram com a localização da pessoa desaparecida, o equivalente a um índice de resolução de 90,7%. Os maiores números de registros estão concentrados entre crianças e adolescentes.

Alegrete tem seis desaparecidos registrados

Em Alegrete, conforme consulta ao sistema da Polícia Civil realizada em 1º de setembro de 2026, havia seis pessoas registradas como desaparecidas. Os dados também mostram ocorrências de anos anteriores que permanecem sem registro oficial de localização. Em 2025, quatro pessoas aparecem no sistema policial como desaparecidas sem registro oficial de que tenham sido encontradas. O levantamento reforça a importância do registro imediato das ocorrências e do compartilhamento de informações que possam auxiliar nas buscas.

Casos passam a ser classificados por nível de risco

Antes da adoção do protocolo, as investigações eram conduzidas conforme os procedimentos adotados individualmente por cada delegacia. Agora, a Polícia Civil passa a trabalhar com critérios padronizados em todo o Estado, estabelecendo prioridades conforme as características e o grau de risco de cada desaparecimento.

A classificação utiliza um sistema de cores.

🔴 Risco crítico

Na categoria de risco crítico, estão situações que exigem resposta policial imediata. Entre os casos classificados estão:

  • crianças menores de 12 anos;
  • pessoas com Alzheimer ou outras demências;
  • pessoas com deficiência intelectual;
  • situações envolvendo risco de suicídio;
  • suspeitas de sequestro;
  • vítimas de violência doméstica;
  • pessoas que dependem de medicação contínua;
  • desaparecimentos ocorridos em áreas consideradas de risco.

🟠 Alto risco

A classificação de alto risco inclui adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, indivíduos com histórico de desaparecimentos, casos com indícios de exploração sexual e situações de vulnerabilidade social.

Essas ocorrências também recebem atendimento imediato.

🟡 Risco moderado

Já os casos classificados como risco moderado envolvem desaparecimentos nos quais não foram identificados fatores agravantes, mas que ainda demandam atendimento prioritário e acompanhamento da investigação.

Primeiras horas são consideradas fundamentais

O novo protocolo estabelece uma sequência de procedimentos que devem ser adotados desde o momento em que o desaparecimento é comunicado. Nas primeiras duas horas, a delegacia responsável deverá registrar a ocorrência, recolher uma fotografia recente da pessoa desaparecida e ouvir familiares ou pessoas próximas.

Também deverão ser verificadas informações junto a hospitais, unidades de saúde e instituições de acolhimento. A ocorrência deverá ainda ser comunicada à Divisão de Inteligência da Polícia Civil. No período de até seis horas, os policiais deverão ampliar as buscas por meio de pesquisas em bancos de dados, levantamento de endereços e análise de redes sociais.

Também deverão ser levantadas informações sobre possíveis conflitos familiares, ameaças, episódios de violência ou outras circunstâncias que possam ter relação com o desaparecimento.

Buscas presenciais e análise de câmeras

Quando a ocorrência chegar a 24 horas, o protocolo prevê a realização de diligências presenciais em locais onde a pessoa possa estar. Também devem ser analisadas imagens de câmeras de monitoramento públicas e privadas e realizados contatos com instituições que possam contribuir para a localização.

Nesse momento, o grau de risco deverá ser novamente avaliado. A classificação pode ser alterada conforme surgirem novas informações durante a investigação. Se a pessoa ainda não for localizada, as buscas não são encerradas. O protocolo prevê a continuidade das diligências, produção de novos relatórios, compartilhamento de informações entre unidades policiais e reavaliação constante das estratégias utilizadas.

Não é preciso esperar 24 horas para registrar desaparecimento

A Polícia Civil reforça uma orientação importante: não existe prazo mínimo de 24 horas para comunicar um desaparecimento. Familiares ou responsáveis devem procurar a Polícia Civil assim que perceberem uma mudança incomum na rotina da pessoa.

No momento do registro, é importante fornecer o maior número possível de informações, incluindo fotografia recente, locais frequentados, rotina, contatos e pessoas com quem o desaparecido esteve antes de ser visto pela última vez.

A rapidez no registro é considerada fundamental para que as forças de segurança possam iniciar as diligências e reunir informações que contribuam para a localização.

Protocolo busca tornar resposta mais rápida

A criação do novo protocolo representa uma mudança na forma de atuação da Polícia Civil diante dos casos de desaparecimento. Ao estabelecer critérios únicos de classificação de risco e definir medidas específicas para as primeiras horas, a corporação busca reduzir o tempo de resposta e direcionar os recursos disponíveis para as situações consideradas mais urgentes.

No caso de Alegrete, os seis registros de desaparecimento existentes no sistema em 1º de setembro mostram que o tema também faz parte da realidade local e reforçam a importância de que familiares comuniquem rapidamente qualquer desaparecimento às autoridades.

A orientação é clara: não é necessário esperar 24 horas. Ao perceber que uma pessoa desapareceu em circunstâncias fora do habitual, a recomendação é procurar imediatamente a Polícia Civil e fornecer todas as informações disponíveis.

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