Religiosos promovem campanha de inverno para apenados do Presídio de Alegrete

A solidariedade e o trabalho conjunto de grupos religiosos que atuam no Presídio Estadual de Alegrete (PEAL) resultaram na arrecadação de mais de 82 cobertores e kits de higiene pessoal destinados aos apenados da unidade prisional. A iniciativa surgiu diante da necessidade de materiais para enfrentar as baixas temperaturas do inverno e melhorar as condições básicas de higiene dos detentos.

A campanha foi promovida pelos grupos de apoio religioso que desenvolvem atividades pastorais e de assistência espiritual dentro do estabelecimento prisional. Os itens foram adquiridos por meio da mobilização da Comunidade São José e das pastorais Social, Carcerária e da Saúde, com o apoio do pároco padre Alvano.

Segundo os organizadores, as doações foram obtidas após ações realizadas durante a novena e também por meio da confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi. A mobilização contou ainda com o engajamento dos agentes das pastorais, juntamente com oito agentes penitenciários que lançaram o desafio aos integrantes das comunidades religiosas para auxiliar os detentos em situação de vulnerabilidade.

A entrega dos cobertores e kits de higiene representa mais uma ação social desenvolvida pelos grupos que atuam regularmente no presídio. Atualmente, as atividades religiosas são realizadas mensalmente com a participação da congregação da Assembleia de Deus e da Igreja Católica, promovendo momentos de reflexão, espiritualidade e acolhimento aos apenados.

De acordo com os voluntários, as visitas e encontros religiosos acontecem nas segundas-feiras e aos sábados de cada mês. Em média, cerca de 50 detentos participam das atividades, que contemplam os presos das galerias masculinas, do setor de segurança e também o público feminino.

A campanha ocorre em um momento de superlotação da unidade prisional. Na última quarta-feira (11), o Presídio Estadual de Alegrete registrava uma população carcerária de 135 detentos, número que ultrapassa a capacidade determinada judicialmente, fixada em 110 presos recolhidos.

Além do suporte material oferecido pela campanha, o trabalho religioso tem desempenhado papel importante no acompanhamento espiritual da população carcerária. Um levantamento realizado pela reportagem em março deste ano revelou a diversidade de crenças entre os detentos da unidade.

Dos 113 presos recolhidos no dia 20 de março, 41 declararam ser católicos, enquanto 29 afirmaram seguir a religião evangélica. Outros 19 informaram não possuir religião. O levantamento apontou ainda que seis detentos se identificaram como praticantes da umbanda, um declarou ser espírita e outro adventista.

Para os organizadores da campanha, a iniciativa reforça o compromisso das instituições religiosas com a dignidade humana e a assistência às pessoas privadas de liberdade, especialmente em períodos de maior vulnerabilidade, como o inverno. A expectativa é que novas ações solidárias sejam promovidas ao longo do ano para atender demandas da população carcerária e fortalecer o trabalho de assistência espiritual desenvolvido dentro do presídio.

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