Os indicadores de criminalidade divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS) mostram um cenário de alerta para a violência contra a mulher em Alegrete. Em agosto, o município registrou 30 ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha, número superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e também ao contabilizado em julho deste ano.
Os dados fazem parte dos indicadores de violência contra a mulher disponibilizados mensalmente pela SSP/RS, com informações detalhadas por município. Na comparação com agosto de 2025, quando foram registradas 25 ocorrências, o número passou para 30 neste ano. O aumento é de 20%.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando comparado ao mês imediatamente anterior. Em julho de 2026, Alegrete havia registrado 19 ocorrências relacionadas à violência contra a mulher. Em agosto, foram 30, o que representa um crescimento de 57,9% em apenas um mês.
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Ameaças lideram os registros
Entre os crimes registrados em agosto, as ameaças aparecem como o tipo de ocorrência mais frequente. Ao todo, foram 18 registros envolvendo mulheres vítimas desse tipo de violência. O número representa 60% de todas as ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha registradas no município no mês.
Também foram contabilizados 10 casos de lesão corporal relacionados à Lei Maria da Penha. O dado corresponde a um terço dos registros do período e revela a presença de episódios de violência física entre as ocorrências atendidas pelas forças de segurança.
Além disso, os indicadores apontam para um caso de tentativa de feminicídio e um registro de estupro no período. A SSP/RS esclarece que seus indicadores são produzidos a partir dos registros administrativos das ocorrências policiais e que as categorias possuem definições específicas para fins estatísticos.
Crescimento também aparece na comparação mensal
A evolução dos números entre julho e agosto chama atenção:
| Indicador | Julho | Agosto |
|---|---|---|
| Ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha | 19 | 30 |
| Ameaças | 11 | 18 |
| Lesão corporal | 7 | 10 |
| Estupro | 1 | 1 |
| Tentativa de feminicídio | 0 | 1 |
No total, os registros passaram de 19 para 30, um acréscimo de 11 ocorrências em apenas um mês. Entre as ameaças, foram seis registros a mais do que em julho, quando 11 ocorrências haviam sido contabilizadas. O crescimento nessa categoria foi de 63,6%.
Os casos de lesão corporal também aumentaram, passando de sete para 10 registros, uma alta de 42,9%. Já o registro de tentativa de feminicídio não aparecia nos dados de julho e passou a constar entre as ocorrências de agosto.
Cenário exige atenção
Os números não representam apenas estatísticas, mas registros de situações de violência que chegaram ao conhecimento das autoridades. A própria SSP disponibiliza os indicadores como ferramenta para acompanhamento do cenário de segurança pública e planejamento das ações de prevenção e enfrentamento à criminalidade.
Em Alegrete, o salto de 19 para 30 ocorrências em apenas um mês reforça a necessidade de atenção para a violência doméstica e familiar contra as mulheres. Ameaças, agressões físicas e crimes de maior gravidade fazem parte de um mesmo cenário de violência que pode se intensificar. Por isso, especialistas e órgãos de proteção reforçam a importância de buscar ajuda diante dos primeiros sinais de agressão ou ameaça.
Onde buscar ajuda
Mulheres vítimas de violência ou pessoas que tenham conhecimento de situações de agressão podem buscar os serviços de proteção e emergência.
180 – Central de Atendimento à Mulher
Canal nacional de orientação e atendimento às mulheres em situação de violência.
190 – Brigada Militar
Para situações de emergência ou quando a violência está acontecendo.
Ong Amoras – (55) 99651-3166
Rede de apoio e acolhimento em Alegrete.
CREAS – (55) 3961-1123
Atendimento especializado para pessoas e famílias em situação de violação de direitos.
Ministério Público – (55) 3422-4783
Defensoria Pública – (55) 3421-2521
Em situações de emergência, a orientação da Secretaria da Segurança Pública é acionar o 190. O Estado também disponibiliza o Disque-Denúncia 181, que permite o encaminhamento de informações de forma sigilosa e anônima.

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