Foi justamente para romper esse ciclo que Alegrete realizou ontem e hoje (25 e 26 de junho), no CTG Vaqueanos da Fronteira, o 1º Seminário Regional de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, promovido pelo Conselho Municipal da Pessoa Idosa (CMPI), vinculado à Secretaria Municipal de Promoção e Desenvolvimento Social.
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O encontro reuniu representantes de municípios da região, profissionais da assistência social, saúde, segurança pública, Ministério Público, conselheiros e integrantes da rede de proteção para discutir um problema que cresce silenciosamente: a violência contra a população idosa.
Mais do que um evento de capacitação, o seminário tornou-se um espaço de reflexão sobre uma realidade que preocupa. A programação incluiu formação para conselheiros, debates sobre os direitos da pessoa idosa, atribuições dos conselhos, identificação dos diferentes tipos de violência, fortalecimento da rede de atendimento e estratégias para garantir proteção às vítimas.

Realidade de Alegrete
A presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, assistente social Vilma Pimentel Siqueira, fez um alerta contundente ao abordar a situação vivida em Alegrete.
Segundo ela, um dos maiores desafios enfrentados atualmente é a violência patrimonial, modalidade que lidera as denúncias no município. São casos em que familiares se apropriam dos recursos financeiros dos idosos, realizam empréstimos sem autorização, utilizam cartões bancários indevidamente e submetem as vítimas à exploração econômica.
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Vilma destacou que, em muitos episódios, os próprios netos são os responsáveis pelos abusos, frequentemente motivados pela dependência química. Há também situações envolvendo filhos e outros familiares que praticam estelionato, extorsão e diferentes formas de exploração financeira, transformando justamente aqueles que deveriam oferecer proteção em autores da violência.
Outro aspecto que chamou atenção durante sua manifestação foi o crescente número de idosos abandonados.
Segundo a presidente do Conselho, as instituições de longa permanência existentes em Alegrete encontram-se lotadas, reflexo de uma realidade preocupante de abandono familiar. Muitos idosos acabam institucionalizados não por questões exclusivamente de saúde, mas porque perderam completamente o vínculo e o cuidado da próprios entes.
“O direito da pessoa idosa precisa ser discutido permanentemente. Precisamos sensibilizar a sociedade para compreender que envelhecer com dignidade é um direito de todos”, resumiu Vilma durante o seminário.
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As discussões ocorreram justamente durante o Junho Violeta, campanha mundial dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. O movimento tem como marco o dia 15 de junho, instituído como o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, reforçando a necessidade de denunciar qualquer forma de abuso, negligência, abandono, violência física, psicológica, sexual, institucional ou patrimonial.
Em Alegrete, a orientação é para que qualquer suspeita seja comunicada imediatamente. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, além da rede municipal formada pelos CRAS, pelas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e pelos demais órgãos de proteção social.
O seminário deixou uma mensagem que ultrapassa os limites das palestras e dos debates técnicos. Combater a violência contra a pessoa idosa não depende apenas das instituições. É uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade.
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Respeitar quem envelheceu significa preservar histórias, reconhecer direitos e garantir que nenhuma pessoa seja condenada à solidão, ao abandono ou à violência justamente na fase da vida em que mais necessita de cuidado, proteção e dignidade.

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