Alegrete registrou 138 mm de chuva em agosto, volume 74% acima da média histórica do mês; previsão aponta alternância entre períodos de chuva, frio e instabilidade ao longo de setembro
A chegada de setembro deverá manter o tempo bastante variável em Alegrete. O mês, que marca a transição do inverno para a primavera, terá como principais características a alternância entre períodos de chuva, frio intenso, nebulosidade e risco de temporais, conforme a previsão climática para o Rio Grande do Sul.
Antes mesmo do início de setembro, os dados pluviométricos registrados em Alegrete chamam atenção. Entre os dias 1º e 31 de agosto de 2026, foram acumulados 138 milímetros de chuva, conforme a estação automática SGB/ANA.
O volume ficou 58,7 milímetros acima da média histórica de agosto, que é de 79,3 milímetros, considerando a série histórica de 1986 a 2024. Na comparação percentual, agosto terminou com aproximadamente 74% mais chuva do que o normal para o mês.
Agosto teve quase toda a chuva esperada para setembro
O acumulado registrado em agosto também chama atenção quando comparado à média histórica de setembro.
Para setembro, a média histórica de precipitação é de 139,8 milímetros, considerando o período de 1986 a 2025. Isso significa que os 138 mm registrados em Alegrete durante agosto correspondem a praticamente toda a chuva que, historicamente, é esperada para setembro inteiro. A diferença é de apenas 1,8 milímetro entre o acumulado de agosto e a média histórica de setembro.
O cenário ocorre justamente no momento em que as projeções indicam a possibilidade de um setembro marcado por instabilidade e pela passagem frequente de sistemas que favorecem a ocorrência de chuva no Rio Grande do Sul.
Setembro deve ter chuva e temporais
A previsão climática aponta volumes de precipitação acima do normal em boa parte do Rio Grande do Sul, especialmente na Serra e no Planalto. Na Fronteira Oeste, incluindo Alegrete, a tendência é de acumulados mais discretos ou próximos da média histórica quando comparados às regiões onde a chuva deverá ser mais abundante.
Mesmo assim, a menor previsão de acumulado não significa um mês seco. A instabilidade deverá ser frequente, com possibilidade de pancadas de chuva e temporais, além de episódios de chuva forte em curto período. Há previsão de risco de tempestades em diferentes regiões do Estado, com possibilidade de granizo, rajadas de vento intensas e volumes elevados de chuva em pouco tempo.
Para Alegrete, o principal destaque deverá ser justamente a rápida mudança das condições do tempo, com períodos de melhoria intercalados com chuva e instabilidade.
Frio intenso marca o começo do mês
Se a chuva deverá continuar presente, o frio será outro destaque dos primeiros dias de setembro. Uma massa de ar frio de origem polar deverá avançar sobre o Rio Grande do Sul, provocando uma queda acentuada das temperaturas.
Em Alegrete, as mínimas normalmente registradas em setembro ficam na faixa dos 11°C a 13°C. Entretanto, os primeiros dias do mês deverão apresentar temperaturas significativamente inferiores a esse padrão.
A possibilidade de geada merece atenção, principalmente no Sul do Estado e em áreas próximas à fronteira com o Uruguai. O primeiro fim de semana de setembro poderá ser marcado por um resfriamento mais intenso.
Frentes frias devem influenciar Alegrete
A previsão indica a passagem de diferentes sistemas frontais durante a primeira metade de setembro. A primeira frente fria começa a se formar entre os dias 31 de agosto e 1º de setembro, influenciando as condições do tempo no Sul do país.
Outra frente fria deverá avançar pela costa gaúcha entre os dias 3 e 4 de setembro, acompanhada por uma massa de ar frio considerada forte. Esse sistema deverá provocar uma mudança significativa nas temperaturas e poderá contribuir para a ocorrência de chuva e instabilidade.
Uma terceira frente fria poderá influenciar o Estado entre os dias 11 e 12 de setembro, mantendo o padrão de alternância entre períodos de instabilidade e entradas de ar frio.
Pouco sol e temperaturas abaixo da média
Outro aspecto previsto para setembro é a ocorrência de muitos dias de céu encoberto ou com grande quantidade de nuvens. A maior nebulosidade, combinada à ocorrência de chuva e à entrada de massas de ar frio, deverá reduzir os períodos de sol e contribuir para uma sensação térmica mais baixa.
Em Alegrete, as temperaturas máximas normais de setembro ficam geralmente entre 22°C e 24°C, com tendência de elevação gradual conforme a primavera se aproxima.
No entanto, o início do mês deverá ser marcado por maior oscilação térmica, com períodos de frio mais intenso intercalados com momentos de temperaturas mais elevadas.
El Niño influencia as condições do tempo
Entre os fatores considerados na previsão está o fortalecimento do fenômeno El Niño. A expectativa é de continuidade do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial nos próximos meses, com possibilidade de o fenômeno alcançar forte intensidade durante a primavera e o início do verão.
No Rio Grande do Sul, a combinação entre a atuação do El Niño e o aquecimento acima do normal do Atlântico Sul tende a favorecer a formação e a manutenção de sistemas meteorológicos que estimulam a ocorrência de chuva. Esse cenário ajuda a explicar a perspectiva de um mês com maior frequência de instabilidade e mudanças rápidas nas condições do tempo.
Um mês de atenção em Alegrete
Com 138 mm de chuva registrados em agosto, contra uma média histórica de 79,3 mm, Alegrete encerrou o mês com precipitação significativamente acima do normal.
O volume de agosto também ficou muito próximo da média histórica de setembro, de 139,8 mm, mostrando que a região já iniciou a transição para um período de maior instabilidade com um acumulado expressivo de chuva.
Para setembro, a expectativa é de um mês de forte alternância meteorológica. Os primeiros dias devem trazer frio intenso e possibilidade de geada, enquanto os períodos seguintes poderão apresentar chuva, pancadas e risco de temporais.
Embora a Fronteira Oeste não esteja entre as regiões com previsão dos maiores acumulados do Estado, Alegrete deverá permanecer sob influência de sistemas que podem provocar mudanças rápidas no tempo.
Foto: Tielo Henrique

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