Alegrete transforma as ruas em palco de civismo e celebração da educação

Dois dias de Caminhada Cívica reuniram escolas, instituições, autoridades e milhares de alegretenses em uma demonstração de participação comunitária e orgulho pela história do município

Por dois dias, Alegrete teve nas ruas uma das expressões mais visíveis de sua identidade. Entre uniformes escolares, bandeiras, bandas, homenagens e aplausos, a Caminhada Cívica mobilizou estudantes, professores, servidores públicos, instituições e famílias, transformando o centro da cidade em um grande espaço de encontro da comunidade.

A Praça Getúlio Vargas e as ruas do entorno receberam uma sucessão de apresentações que combinaram o tradicional e o contemporâneo. Mais do que uma programação oficial dos Festejos da Pátria, a caminhada acabou funcionando como um retrato da diversidade da educação e das instituições que fazem parte da vida alegretense.

O domingo, segundo dia do evento, começou seguindo o ritual do primeiro dia: execução do Hino Nacional e manifestação das autoridades. Na sequência, a Polícia Civil abriu a caminhada, em uma participação que também integrou as homenagens dos Festejos da Pátria.

Atrás dela veio a representação da Prefeitura, com o prefeito Jesse Trindade e o vice-prefeito Luciano Belmonte, acompanhados pelo Gabinete, pelo pelotão das Bandeiras e pelas diferentes secretarias municipais.

A presença do Município, por si só, ocupou um longo trecho do percurso. Durante aproximadamente duas horas, servidores e colaboradores apresentaram ao público os diferentes setores da administração. A Secretaria Municipal da Saúde, acompanhada pela 10ª Coordenadoria Regional de Saúde, expôs a dimensão da estrutura responsável pelo atendimento à população e a variedade de serviços oferecidos à comunidade.

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Quando a escola chega à rua

Mas foi a presença dos estudantes que deu à caminhada uma das suas imagens mais fortes.

A EMEB Marcelo Faraco, da Zona Leste, abriu a participação das escolas no segundo dia, celebrando quatro décadas de existência. O uso generalizado dos uniformes chamou a atenção logo nos primeiros momentos e ajudou a criar uma identidade visual comum entre os estudantes.

A Escola Estadual Eduardo Vargas levou para o percurso os temas relacionados aos Festejos da Pátria e também marcou seus 60 anos de atuação na educação alegretense.

Histórias de longevidade se repetiram ao longo da manhã. O Colégio Raymundo Carvalho apresentou sua trajetória de 44 anos, enquanto a EMEB Luiza de Freitas Valle Aranha destacou projetos e ações desenvolvidos junto à comunidade da Zona Leste.

Na passagem da Escola Estadual de Ensino Fundamental Freitas Valle, a celebração ganhou um tom diferente. Reconhecida pelo melhor desempenho no IDEB entre as escolas da rede, a instituição prestou uma homenagem ao aluno Lucas, que morreu em março. Uma faixa carregada pelos estudantes registrava a despedida: “Lucas, você faz parte dessa história”. A homenagem emocionou familiares e integrantes da comunidade escolar.

A EMEB Waldemar Borges levou à avenida uma referência à literatura, com os Sapatos Floridos, obra associada ao poeta Mário Quintana. A Escola Princesa Isabel, mesmo com suas instalações passando por uma ampla reforma, também esteve presente, voltando sua apresentação para a temática da Pátria.

A Escola Emílio Zuñeda, com sete décadas dedicadas à educação, mostrou a força de uma instituição que atravessou gerações. Na sequência, a EMEB Alcy Cheuiche, da Zona Sul, apresentou os trabalhos desenvolvidos pela escola a partir dos temas propostos para as festividades.

Uma cidade contada pelas suas escolas

Algumas participações carregavam ainda um significado histórico especial.

O Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha, uma das presenças tradicionalmente aguardadas pelo público, levou diferentes segmentos da instituição para a caminhada. A escola se aproxima de seu centenário e vive também um momento importante com a restauração de seu prédio histórico.

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A relação entre memória e educação voltou a aparecer na apresentação da Escola Marquês de Alegrete. Aos 72 anos, a instituição trouxe para a caminhada a sua história e uma lembrança particularmente simbólica: registros da escola, localizada na Rua General Sampaio, apontam uma visita do poeta Mário Quintana à instituição.

Também desfilaram as escolas Francisco Carlos, a mais antiga da rede municipal, Escola Estadual Farroupilha, EMEB Fernando Ferrari, CIEP Doutor Romário e EMEB José Antônio Vilaverde Moura.

A EMEB Antônio Saint Pastous de Freitas apareceu acompanhada por sua banda, responsável por cadenciar o ritmo dos estudantes. Depois dela, a UERGS apresentou ao público seus cursos de graduação.

Com 470 alunos, a EMEB Lions Clube, maior escola da rede municipal, levou uma numerosa representação ao percurso. Uniformizados, os estudantes mantiveram a organização durante a apresentação.

A dança também encontrou espaço na programação. A Escola de Dança Ballerina, que soma mais de quatro décadas de atividade, reuniu 14 turmas e levou ao público uma demonstração da presença da dança na formação cultural da cidade.

A força dos números e da tradição

A EMEB Honório Lemes participou com duas bandas. Uma delas ganhou destaque pela apresentação do pelotão de bandeiras e pela coreografia apresentada ao público.

Pouco depois, a Escola Demétrio Ribeiro protagonizou uma das maiores participações do desfile. Aos 85 anos, a instituição possui 1.345 alunos matriculados e levou um contingente expressivo às ruas. A alegria dos estudantes marcou a passagem da escola, que encerrou sua apresentação com um gesto de memória: um grupo resgatou o tradicional uniforme branco que durante muitos anos identificou a instituição nos desfiles.

Na reta final, passaram pela Praça Getúlio Vargas as escolas Salgado Filho, Ecilda Alves Paim e Gaspar Martins.

A Universidade Federal do Pampa também participou da programação. A representação da Unipampa apresentou seus cursos de graduação e pós-graduação e chamou atenção para uma novidade que deverá integrar sua oferta acadêmica: o curso de Inteligência Artificial.

A Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves apareceu como a penúltima instituição da rede estadual. Depois dela, o Instituto Federal Farroupilha levou ao público uma representação de seus cursos. A instituição, que tem suas origens no antigo Colégio Agrícola dos anos 1950, passou posteriormente pela denominação de Escola Agrotécnica até chegar à atual estrutura do IFFar.

Coube à Escola Estadual Lauro Dornelles fechar a caminhada. A banda, com instrumentos de sopro e percussão, deu o tom final à apresentação.

O aplauso como ponto de encontro

Eram 17h15 quando a Caminhada Cívica chegou ao fim.

Naquele momento, a Praça Getúlio Vargas e as ruas Mariz e Barros e Vasco Alves ainda reuniam um público que acompanhou durante horas a passagem das instituições. No palanque oficial estavam autoridades civis e militares, além da nova coordenadora da 10ª CRE, Liziane Galvão, que esteve em Alegrete para prestigiar a apresentação das escolas.

A cada grupo que passava, uma nova história era apresentada. Algumas escolas falaram de seus aniversários; outras, de seus projetos, resultados e conquistas. Houve espaço para a memória, para a educação, para a cultura, para a tecnologia e também para a saudade.

No fim, porém, todas tinham algo em comum: estudantes ocupando as ruas e uma comunidade disposta a assistir, reconhecer e aplaudir.

Durante dois dias, Alegrete não apenas assistiu a uma caminhada. A cidade se viu passando diante de seus próprios olhos — representada por suas escolas, suas instituições, suas histórias e, principalmente, por sua gente.

Fotos:: Prefeitura e Cleiton Cajuru

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