Atleta de Alegrete disputará uma das provas de ultradistância mais exigentes do Brasil, com percurso de aproximadamente 240 quilômetros pela Serra da Mantiqueira
O ultramaratonista alegretense Luciano Moreira, radicado em Santa Maria, acaba de conquistar uma vaga para um dos maiores desafios de sua trajetória esportiva. O atleta foi selecionado e aceito para participar da BR 135 Ultra Journey 2027, prova de ultradistância que será realizada em janeiro do próximo ano, entre os estados de São Paulo e Minas Gerais.

A competição terá largada em Águas da Prata (SP) e chegada em Paraisópolis (MG), percorrendo aproximadamente 240 quilômetros, ou 150 milhas, pela Serra da Mantiqueira. Os participantes terão o limite de 68 horas para completar o percurso.
Para Luciano, porém, o desafio começa antes mesmo da largada. A participação na BR 135 passa por um processo de qualificação e seleção, no qual a organização analisa o histórico esportivo dos candidatos.
A aprovação representa mais um passo na trajetória do atleta alegretense, que já acumula experiência em provas de longa duração e ultradistância, incluindo a conclusão do Spartathlon, na Grécia, em um percurso de 246 quilômetros.

Mais do que correr: uma prova de estratégia
Na BR 135, a distância é apenas uma das dificuldades. O percurso pela Serra da Mantiqueira coloca os atletas diante de longas horas de esforço contínuo, variações de terreno e condições que exigem planejamento e capacidade de adaptação.
Durante praticamente três dias, será necessário administrar ritmo, alimentação, hidratação, energia e recuperação, além de lidar com o desgaste físico e emocional.
A prova também possui uma característica particular: os chamados Pontos de Decisão. Ao longo do percurso, o atleta pode optar por encerrar sua participação em determinados pontos e ter oficialmente registrada a distância alcançada, sem que isso seja considerado um DNF.
Para a edição de 2027, estão previstos pontos de decisão nos quilômetros 60, 80, 94, 110, 130, 150, 170, 190 e 217, antes da chegada aos 240 quilômetros.
Para seguir em busca da distância integral de 150 milhas, o participante precisa alcançar o ponto de 135 milhas, equivalente a aproximadamente 217 quilômetros, dentro de 60 horas.
Essa dinâmica transforma a competição também em um exercício permanente de tomada de decisão. As condições encontradas durante a jornada podem exigir alterações no planejamento inicial, fazendo com que o atleta precise avaliar constantemente seu estado físico, preservar recursos e ajustar o ritmo.

Vaga exige histórico de resistência
A participação na BR 135 não ocorre por meio de uma inscrição convencional. A organização estabelece critérios de qualificação relacionados à experiência anterior dos atletas em provas de resistência.
Entre os requisitos estão experiências em maratonas, provas superiores a 50 milhas, competições com duração superior a 24 horas contínuas, Ironman e provas de endurance superiores a 50 quilômetros, além de critérios específicos destinados a veteranos da própria Brazil135.
O cumprimento de um dos requisitos, entretanto, não representa automaticamente a garantia de uma vaga. Os candidatos passam por avaliação de uma equipe de jurados, com as considerações encaminhadas à direção da prova, responsável pela decisão final.
Foi nesse processo que Luciano apresentou seu currículo esportivo e recebeu a aprovação para integrar a edição de 2027.

Uma trajetória construída na ultradistância
A seleção para a BR 135 se soma a uma trajetória que vem sendo construída por Luciano Moreira ao longo dos anos no esporte de resistência.
Entre os principais feitos do atleta está a conclusão do Spartathlon, tradicional ultramaratona realizada na Grécia, com 246 quilômetros entre Atenas e Esparta. Luciano também acumula participações em provas de 12 e 24 horas.
A BR 135 apresenta, entretanto, uma característica diferente de provas realizadas em circuitos. O atleta terá pela frente uma jornada contínua pela Serra da Mantiqueira, avançando por diferentes trechos e terrenos e precisando administrar o esforço durante toda a travessia.
Para Luciano, a preparação mental e a capacidade de tomada de decisão são tão importantes quanto a condição física.
“A BR 135 será uma missão de alta complexidade. Não será suficiente ter força para correr. Será preciso planejar, administrar recursos, avaliar cada situação, adaptar a estratégia e tomar decisões sob pressão”, afirma o ultramaratonista.
Segundo ele, essa forma de encarar os desafios também está relacionada à sua experiência profissional e à maneira como estabelece objetivos de longo prazo.
BR 135 é parte de um projeto maior
A participação na prova de 2027 não é tratada por Luciano como um objetivo isolado. O atleta trabalha com um projeto de longo prazo, que inclui a intenção de voltar a competir no Spartathlon e, futuramente, buscar uma vaga na Badwater 135, nos Estados Unidos.
O Spartathlon permanece entre os objetivos justamente por já fazer parte da história esportiva do alegretense. A prova, porém, possui critérios próprios de participação e, em situações em que a procura supera o número de vagas disponíveis, utiliza processo de sorteio.
Outro sonho é disputar a Badwater 135, competição de aproximadamente 217 quilômetros realizada nos Estados Unidos, entre o Vale da Morte e o Mount Whitney.
Conhecida pelas condições extremas, a prova começa no Badwater Basin, localizado abaixo do nível do mar, e termina no Whitney Portal, a cerca de 2.530 metros de altitude. O percurso reúne calor intenso, longas subidas e descidas e grande variação de altitude.
A participação na Badwater também depende de critérios específicos e de convite da organização.

Apoio e parcerias são parte do desafio
A preparação e a participação em provas de ultradistância desse nível envolvem custos que vão além da rotina de treinamento.
Inscrições, deslocamentos, hospedagem, alimentação, equipamentos e logística representam investimentos significativos, especialmente quando o projeto envolve competições internacionais.
Por isso, Luciano também busca estabelecer parcerias com empresas interessadas em apoiar sua trajetória esportiva.
A proposta é construir uma relação de longo prazo, na qual as marcas parceiras possam acompanhar uma sequência de desafios e não apenas uma competição isolada.
Nesse projeto, a BR 135 Ultra Journey 2027 representa o próximo grande objetivo.
Depois dela, o atleta pretende manter a busca por provas de alto nível, com o desejo de retornar ao Spartathlon e, posteriormente, alcançar a Badwater 135.

Alegrete no mapa da ultradistância
A participação de Luciano Moreira em uma das principais provas brasileiras de ultradistância também coloca Alegrete em evidência no cenário do esporte de resistência.
Em uma modalidade na qual os resultados são construídos ao longo de meses e anos de preparação, a seleção para a BR 135 representa o reconhecimento de uma trajetória esportiva marcada por desafios de longa duração.
Agora, o atleta alegretense terá pela frente aproximadamente 240 quilômetros, até 68 horas de prova e uma sequência de decisões que poderão determinar o resultado de sua jornada.
Mais do que alcançar uma linha de chegada, o objetivo do alegretense é seguir ampliando os limites da própria trajetória e transformar cada nova ultramaratona em uma etapa de um projeto esportivo cada vez maior.

Seja o primeiro a comentar