Ao som do louvor que Gabriel cantava, família transforma saudade em homenagem no dia em que ele completaria 18 anos

Jovem, que faleceu aos 17 anos após enfrentar uma longa luta contra o câncer, teria completado 18 anos no dia 30 de outubro. Em homenagem, familiares se reuniram em um piquenique, no Porto dos Aguateiros, para recordar sua história e celebrar o amor que permanece.

Há ausências que o tempo não consegue preencher. Há datas que, mesmo depois da despedida, continuam reunindo pessoas em torno das lembranças, do amor e de tudo aquilo que permanece vivo na memória. Para a família de Gabriel Machado, o dia 30 de outubro passou a ter um significado ainda mais profundo: seria a data em que o jovem completaria 18 anos.

Quatro meses depois de sua morte, a saudade continua presente, mas também permanece a vontade de celebrar a vida que Gabriel teve e os momentos que compartilhou com quem amava. Foi com esse sentimento que, no sábado, 31 de outubro, familiares e pessoas próximas se reuniram no Porto dos Aguateiros, em Alegrete, para prestar uma homenagem ao jovem.

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A escolha foi por um encontro diferente de uma despedida tradicional. A família organizou um piquenique, em um momento de união, fé e recordações. Entre orações e louvores, cada pessoa teve a oportunidade de expressar seus sentimentos e compartilhar uma mensagem dedicada a Gabriel.

Um dos momentos mais simbólicos aconteceu quando balões com o nome do jovem foram soltos em direção ao céu. Antes disso, familiares deixaram suas palavras, transformando a homenagem em uma manifestação coletiva de amor. A cor escolhida para os balões também carregava uma referência à personalidade de Gabriel: eram as cores do Grêmio, clube pelo qual ele tinha grande paixão.

Os familiares vestiram branco, em referência à paz, com o desejo de que Gabriel esteja junto de Deus. Enquanto os balões desapareciam no horizonte, Liziane, mãe do jovem, entoou um louvor que ele costumava cantar. A música, naquele instante, tornou-se também uma forma de reencontro com as lembranças e com a presença de alguém que continua fazendo parte da história daquela família.

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Uma mensagem que veio de uma menina de 11 anos

Entre as manifestações de carinho, uma fala em especial tocou profundamente os presentes. Mariana, prima de Gabriel, de apenas 11 anos, dirigiu palavras de admiração à tia Liziane e deixou uma reflexão sobre a importância de valorizar a vida.

” Liziane, eu admiro tua força, tenho orgulho da guerreira que és. E, para todos que estão aqui, eu digo: vivam, aproveitem! O que o Bi queria era somente viver, e ele viveu todos os dias, até seus últimos momentos, com um sorriso no rosto e agradecendo a Deus.”

A simplicidade e a profundidade das palavras da menina traduziram um sentimento que acompanhava toda a homenagem. Mais do que falar sobre a ausência, Mariana lembrou aquilo que Gabriel tanto desejava: viver.

Sua mensagem também foi um reconhecimento à força da mãe, Liziane, que, mesmo atravessando a dor da perda de um filho, segue trabalhando e mantendo sua disposição para ajudar outras pessoas. Uma força que, segundo a família, não significa ausência de sofrimento, mas a capacidade de encontrar apoio e continuar caminhando, mesmo quando a saudade pesa.

Uma história de coragem que permanece

Gabriel Machado faleceu em 16 de junho de 2026, aos 17 anos, depois de enfrentar uma difícil batalha contra um câncer no sangue. A luta pela saúde havia começado quando ele tinha 14 anos e envolveu anos de consultas, exames, internações, viagens para hospitais de Santa Maria e Porto Alegre e sucessivas etapas de tratamento.

Inicialmente, o quadro clínico levantou suspeitas de diferentes doenças autoimunes. Depois de uma extensa investigação médica, veio o diagnóstico de um câncer agressivo. A quimioterapia e as internações impuseram desafios físicos e emocionais ao jovem e a toda a família.

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Durante esse período, Gabriel contou com o apoio dos familiares, amigos e de uma comunidade que acompanhou sua trajetória. Campanhas beneficentes, rifas, risotos e outras iniciativas solidárias foram realizadas para auxiliar a família nos custos e nas necessidades do tratamento.

Estudante da Escola Estadual Demétrio Ribeiro e ex-aluno da Escola Freitas Valle, Gabriel era lembrado pelo sorriso fácil, pelo carinho com as pessoas e pela maneira corajosa com que enfrentava as dificuldades. Sua história mobilizou Alegrete e deixou marcas em todos que acompanharam sua caminhada.

A morte interrompeu precocemente uma vida que ainda tinha tantos caminhos pela frente. Mas as lembranças, os gestos de carinho e os ensinamentos que deixou continuam presentes entre aqueles que o conheceram.

A saudade também se transforma em memória

A homenagem realizada no sábado foi uma maneira encontrada pela família para atravessar uma data que certamente seria de comemoração, mas que agora carrega também a saudade. Em vez de deixar que o aniversário fosse marcado apenas pela ausência, os familiares escolheram estar juntos, rezar, cantar e recordar Gabriel.

No domingo, 2 de novembro, Dia de Finados, os primos também estiveram no cemitério, onde prestaram uma homenagem ao jovem, mantendo viva a lembrança de alguém cuja partida deixou uma marca profunda na família.

São gestos que revelam como cada pessoa encontra sua própria maneira de lidar com a perda. Para aquela família, estar junto, recordar histórias, cantar os louvores de que Gabriel gostava e compartilhar palavras de carinho são formas de manter presente o vínculo que a morte não apaga.

Quatro meses depois, Gabriel não chegou aos 18 anos que sua família tanto gostaria de celebrar. Mas, naquele encontro, sua história foi lembrada com afeto, sua paixão pelo Grêmio ganhou espaço nos detalhes da homenagem e sua voz permaneceu simbolicamente presente na música que a mãe cantou.

Talvez a mensagem mais importante daquele sábado tenha sido justamente a deixada por Mariana: viver, aproveitar cada dia e reconhecer o valor de cada momento. Uma reflexão que ganhou ainda mais significado ao recordar a trajetória de um menino que, mesmo diante de uma doença tão difícil, procurou viver cada dia com coragem, sorriso e gratidão.

Gabriel partiu aos 17 anos, mas sua história continua sendo contada por aqueles que o amam. E, enquanto houver lembranças, haverá também uma maneira de mantê-lo perto.

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