Com escassez de medicamentos, hospitais da Região Metropolitana de Porto Alegre bloqueiam leitos de UTI

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Em Canoas e São Sebastião do Caí, leitos precisaram ser fechados e as instituições não recebem novos pacientes para internações. Secretaria de Saúde informa que há indisponibilidade generalizada.

O município de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, informou na quinta-feira (2) ao governo do estado que não consegue mais receber novas internações em leitos de UTI SUS , com o bloqueio de oito leitos, devido ao baixo no estoque de medicamentos analgésicos, necessários para os atendimentos intensivos.

A cidade chegou a receber 800 doses da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que deram um fôlego, mas não foram suficientes para resolver o problema.

Canoas diz que não pode mais receber pacientes em leitos de UTI por falta de anestésicos

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A Prefeitura de Canoas diz que já informou também o Ministério Público do Estado, e o Ministério Público Federal, sobre a situação e que vem alertando sobre isso há três semanas.

O estado informou que a compra dos medicamentos fica a cargo dos hospitais, mas diante de uma dificuldade generalizada de compra dos remédios em todo o país, o Ministério da Saúde prometeu que faria uma aquisição emergencial.

A Central de Regulação Estadual de Leitos, que é quem define para onde o paciente vai, buscará leitos disponíveis em outros hospitais do estado.

Carolina Bahia comenta a falta de medicamentos anestésicos nos hospitais do RS

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Outras cidades da Região Metropolitana também enfrentam problemas com a escassez de remédios. Em São Sebastião do Caí, no Vale do Caí, dois leitos, de cinco recém-inaugurados, não podem receber pacientes, por conta da falta de sedativos. Os outros três estão ocupados.

No Hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, uma remessa de medicamentos na manhã desta sexta-feira (3), amenizou a situação, garantindo a cobertura por sete dias, de acordo com a prefeitura.

Segundo o Executivo, o sedativo Midazolan, que é um dos que mais falta, está entre os remédios enviados. Com isso, não foi necessário bloquear leitos.

O hospital tem 10 leitos de UTI normal, e sete de Covid. Todos estão ocupados.

Em Novo Hamburgo, o Hospital Municipal retirou cinco, dos 35 leitos, da Central de Regulação. Na instituição, o problema foi a falta de respiradores, que apresentaram problemas técnicos e foram levados para manutenção.

Quanto ao estoque de medicamentos, a assessoria do hospital explica que tem recebido de forma fracionada. Na sexta-feira (3), recebeu 15% do pedido feito à empresa fornecedora.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) diz que enxerga a situação com “extrema preocupação”. De acordo com o presidente, Carlos Isaia Filho, “a falta dessas medicações na saúde pública e privada aponta para um colapso na assistência, uma vez que atendimentos e procedimentos em pacientes críticos estão sendo suspensos, o que configura desassistência à população e agravo à saúde”.

O Cremers afirma, ainda, que, está em contato com os hospitais e unidades de saúde para identificar os medicamentos necessários. O órgão alerta a classe médica que, em falta de remédios, denuncie ao Cremers e às autoridades sanitárias.

Leia a nota na íntegra:

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) reitera extrema preocupação, manifestada no início do mês de junho, pelo desabastecimento de medicamentos sedativos, anestésicos e outros, utilizados em ambiente hospitalar para tratamento de pacientes com Covid-19 e demais casos graves.

A falta dessas medicações na saúde pública e privada aponta para um colapso na assistência, uma vez que atendimentos e procedimentos em pacientes críticos estão sendo suspensos, o que configura desassistência à população e agravo à saúde.

Diante da relevância desse tema, o Cremers está em contato com Diretores Técnicos de hospitais e unidades de saúde para conhecer a real situação e identificar os medicamentos necessários, e seguir pressionando as Secretarias Municipais e Estadual e o Ministério da Saúde para imediata solução e retomada dos atendimentos.

O Cremers alerta a classe médica que, na indisponibilidade desses insumos, denuncie junto ao Cremers e às autoridades sanitárias, e não coloque em risco seus pacientes, devido à falta de medicações ideais para o ato médico.

A falta de medicamentos não ocorre somente no Rio Grande do Sul. O Cremers, junto às autoridades sanitárias, busca a regularização do fornecimento de medicações para sedação e anestesia, com foco no tratamento de pacientes em estado crítico.

Dr. Carlos Isaia Filho, Presidente do Cremers

Fonte: G1


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