Das margens do Ibirapuitã à construção de uma nova vida em Florianópolis: a trajetória de Júlio Aurélio

Das margens do Ibirapuitã aos canteiros de obras de Florianópolis: a trajetória de Júlio Aurélio, um alegretense que nunca esqueceu suas raízes.

A infância de Júlio Cezar Alves Aurélio foi vivida em um Alegrete muito diferente daquele que as novas gerações conhecem hoje. Os dias eram ocupados entre brincadeiras ao ar livre, partidas de futebol nos campos de várzea, pescarias, banhos no Rio Ibirapuitã e longas conversas que ajudavam a perpetuar histórias e lendas da cidade. Entre amigos, familiares e vizinhos, o menino criado no Velho Sovaco da Cobra aprendeu cedo valores que acabariam definindo toda a sua trajetória: respeito, trabalho, honestidade e perseverança.

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Embora tenha nascido em Uruguaiana, em 16 de setembro de 1974, Júlio chegou a Alegrete ainda com um ano de idade. Foi aqui que construiu suas primeiras lembranças e desenvolveu uma ligação profunda com a cidade que considera sua verdadeira terra natal.

As recordações da juventude permanecem vivas. Ele lembra das tardes às margens do Ibirapuitã, das pescarias de lambari, dos mergulhos nas cachoeiras, dos jogos de futebol e das histórias contadas pelos mais antigos. Como muitos jovens da época, cresceu ouvindo causos sobre personagens que fazem parte do imaginário popular alegretense, entre eles a lendária Morena da Sofia, figura que até hoje desperta curiosidade entre moradores da cidade.

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Mas foi dentro de casa que surgiram os ensinamentos mais importantes. Filho de Valdemar Jacques Aurélio e Eunice Alves Aurélio, aprendeu desde cedo que o trabalho era um dos caminhos mais seguros para construir uma vida digna. Observando o pai atuar na construção civil, começou a desenvolver interesse por uma profissão que mais tarde se tornaria seu projeto de vida.

Aos 14 anos iniciou suas atividades no setor. Não demorou para demonstrar habilidade e disposição para aprender. Dois anos depois, aos 16 anos de idade, participou da construção de sua primeira casa, no Durasnal, experiência que ele recorda como um dos momentos marcantes da juventude.

A busca por novos horizontes levou Júlio a deixar Alegrete. Como tantos gaúchos da Fronteira Oeste, percorreu diferentes regiões do país em busca de experiência profissional e melhores oportunidades. Cada cidade visitada acrescentou conhecimento, amadurecimento e a certeza de que havia escolhido a profissão certa.

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Em 2001, estabeleceu-se em Florianópolis. A mudança marcou o início de uma nova etapa de sua vida. Na capital catarinense constituiu família, consolidou sua carreira e construiu uma rede de amizades que o acompanha até hoje. Ao lado da esposa, com quem compartilha a vida há mais de duas décadas, enfrentou desafios, venceu dificuldades e transformou sonhos em realidade.

Anos mais tarde, em 2010, fundou a Aurélio Construções, empresa que neste ano completa 15 anos de atividades. O empreendimento nasceu da experiência acumulada desde a adolescência e da convicção de que qualidade, seriedade e compromisso deveriam estar presentes em cada trabalho realizado. Em 2016, Júlio deu mais um passo importante ao concluir sua formação técnica em Edificações, ampliando seus conhecimentos e fortalecendo ainda mais sua atuação profissional.

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Apesar da vida construída em Santa Catarina, Alegrete nunca deixou de ocupar espaço especial em sua história. As visitas à cidade são frequentes e representam momentos de reencontro com familiares, amigos e lugares que marcaram sua formação. O sonho de retornar definitivamente à Querência após a aposentadoria continua presente em seus planos, demonstrando que algumas ligações resistem ao tempo e à distância.

A trajetória de Júlio ganhou recentemente uma homenagem do poeta alegretense Bajes Nunes. Conhecido por registrar em versos personagens e histórias da cidade, Bajes encontrou na caminhada do conterrâneo elementos que ultrapassam a simples narrativa de sucesso profissional. Em sua poesia, resgatou o menino que cresceu às margens do Ibirapuitã, o jovem que aprendeu um ofício observando o pai e o homem que construiu uma vida longe de casa sem jamais abandonar suas origens.

A homenagem sintetiza aquilo que melhor define a história de Júlio Aurélio: a capacidade de seguir em frente sem esquecer o caminho percorrido. Uma trajetória construída com trabalho, dedicação e gratidão, mas também com a certeza de que, independentemente da distância, Alegrete continuará sendo o lugar onde suas raízes permanecem fincadas.

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